A menina que virou uma mulher devassa

Editora Responsável: Mirian Barbosa

Foi entre 1998 e 1999 que Sandy Leah (ou apenas Sandy para alguns ela chega a ser a Sandy & Junior) começou a dar os primeiros passos e dizer que tinha crescido e virado mulher (tenho que enfrentar com muita fé). De lá pra cá várias coisas aconteceram. A mocinha conhecida por ser filha de Xororó e por ter uma das vozes mais doces do país saiu em várias capas de revistas, em entrevistas na TV e rádio tentando mostrar à população que não era mais uma criança.

Mas como mostrar isso a uma nação que a viu pela primeira vez, ainda pequena, cantando Maria Chiquinha ao lado do irmão mais novo, do pai e do tio? Imaginem ser criada em frente aos holofotes da mídia e ter um país inteiro te observando… É gente para caray, falando bem e mal da sua vida, questionando um milhão de coisas que muitas vezes a própria família nem se importaria. Como a questão de se ela era virgem ainda ou não antes de casar.

Poxa, nós temos a liberdade de sair quando queremos, de fazer o que queremos, de dançar até o chão, de falar palavrão. E a pobre da Sandy? Falavam que ela tinha cara de quem não cagava, de quem não peidava e de quem nunca jamais falaria um palavrão, nunca teve liberdade alguma nem de ir ao bar da esquina tomar uma cerveja com as amigas da faculdade. Foi nessa época que ela escreveu a música Discutível Perfeição, onde fala que vai ao banheiro, que também fala palavrão e que é como uma pessoa comum.

Depois disso tudo uma marca de cerveja teve a brilhante ideia de colocá-la de garota propaganda. Pronto! Piadinha maravilhosa prontíssima saindo do forno, quando ela foi e soltou que preferia batidinha a cerveja. Sem comentários sobre o nome da cerveja, que já tinha utilizado Paris Hilton como garota propaganda.

E mesmo assim a sociedade ainda questiona se ela já fez sexo com o marido, ainda olham pra ela e conseguem ver aquela menininha doce cantando Maria Chiquinha. Numa entrevista para a Playboy ela até tentou mostrar que tem uma mente aberta e que não é muito de frescuras e nem de neuras ao dizer que acredita sim que é possível ter prazer anal. Pronto de novo, as pessoas ficaram chocadas. Até o pai dela, o cantor Xororó deu entrevista falando que pai nenhum quer ouvir a filha falando sobre sexo anal.

Agora, com quase 30 anos de idade, Sandy Leah mais uma vez tenta mostrar a sociedade brasileira e ao mundo que cresceu, que é sim uma mulher e que vive como uma. Na letra da música meio pop, bem estilo ao que ela fazia na época da dupla com o irmão, ela fala sobre como é ser uma jovem mulher de quase 30 anos. Que é “jovem demais pra ser velha, e velha demais pra ser jovem”.

Escutei a música e me apaixonei – não que já não fosse fã das músicas, da voz e da pessoa – pois ela conseguiu colocar na letra não só sua experiência pessoal, que mostra as controvérsias de estar nessa idade, como faz muita mulher entender perfeitamente o que é isso. Quem por volta dos vinte e poucos anos não se pegou pensando “Porrãhh já tenho tudo isso, daqui a pouco eu completo 30 e não sou mais tão jovem assim!”?!

A ficha cai e o medo das responsabilidades vem à tona, é normal, minha psicóloga sempre diz que todos passam por fases em que temos medo de mudanças e isso acontece principalmente nas horas de mudanças mais radicais, como o final da adolescência e a passagem para vida.

Para quem quiser ouvir a música:

Cine assombrado – dicas de filme para “assustar” a sua semana

Editora Responsável: Ana Carolina Meller

Terça-feira não é um dia “tradicional” para assistir filmes, afinal, ainda é o momento “pós-segunda-feira”, no qual a saga de trabalhar/estudar/acordar cedo/ter muitas coisas para fazer continua. Mas, como essa semana é marcada por três datas macabras (31 de outubro: conhecido como “Halloween” ou Dia das Bruxas; 1º de novembro: Dia de Todos os Santos e; 02 de novembro: para nós, brasileiros, feriado de Finados), resolvemos reunir as mafagafas que adoram um filme de terror e compartilhar algumas dicas para assistir durante essa semana!

Isso porque, fale a verdade! Nada melhor do que chamar uma galera, ou ainda, apenas o broto(a), para ver um filminho que nos dá medo. Se, com a galera, rola aquela zoação gostosa de assustar e tirar um sarro do amigo medroso, com o broto(a), a situação se torna a desculpa perfeita para ficar abraçadinho nos momentos em que bate “aquele” medinho. 😉

Então, vamos às dicas das mafagafas – versão terror:

Lendas Urbanas (1998) – com Alicia Wiit, Jared Leto, Rebecca Gayheart, Michael Rosenbaum.

Quem não conhece uma lenda urbana, que atire a primeira pedra! Temos a loira do banheiro, as brincadeiras feitas com o copo ou com o compasso, o homem do saco, a noiva da estrada, os bonecos possuídos (fofão e bonecas da Xuxa) e várias outras. Esse filme de 1998 retrada a história de Natalie, uma estudante da Universidade de Pendleton que, junto com amigos, tem aulas dedicadas às famosas lendas urbanas. Eis então, que ela decide estudar e desvendar uma delas: a de um garoto que foi morto por um professor na universidade, há 25 anos. Tudo vai bem até que, no meio dessa investigação, ela se torna a nova vítima da história.

https://www.youtube.com/watch?v=LmLAh9ExMUI

 

Atividade Paranormal 4 (2012) – com Katie Featherston, Kathryn Newton, Matt Shively, Brady Allen, Alisha Boe, Tommy Miranda

Segundo uma mafagafa que viu o filme, a opção é a favorita da franquia: “Esse é o melhor depois de 3 filmes fracos”. Com esse depoimento conto a vocês que, diferente do que vimos no primeiro filme – sobre os tormentos de um casal recém-casado, Atividade Paranormal 4conta a história de Katie. Após ter assassinado sua irmã, Kristi, e o cunhado, Daniel, Katie sequestra seu sobrinho, na época ainda um bebê, Hunter. Tempos depois, o ano é 2011 e ela mora com o então pequeno Robbie. Na casa do outro lado da rua vive a adolescente Alice, que gosta de investigar a vida dos vizinhos, juntamente com o amigo Alex. Os dois adolescentes acham Robbie estranho e isso fica ainda pior quando Alice é chamada para cuidar de Robbie durante uma ausência de Katie. Com isso, o pequeno Robbie se aproxima do irmão mais novo de Alice, Wyatt, o que o atrai para um universo perigoso.

https://www.youtube.com/watch?v=PqIM6i4szh8

Carrie, a Estranha – versão original de 1976 com John Travolta, Amy Irving, Piper Laurie, Sissy Spacek | remake de 2013 com Julianne Moore, Chloë Moretz, Judy Greer, Portia Doubleday, Gabriella Wilde.

Baseado na obra de Stephen King, o filme original concorreu ao Oscar em 1976. A história contada em ambas as versões é a da jovem Carrie que vive, praticamente, isolada do mundo por causa de sua mãe (super religiosa), Margaret White. Na escola ela é ridicularizada pelas colegas nas mais diversas situações, como por exemplo, enquanto acreditava estar morrendo quando, na verdade, estava tendo sua primeira menstruação. Em determinado momento, uma dessas colegas trama uma armadilha na qual pede para que o seu próprio namorado convide Carrie para o baile anual da escola. Durante o baile, Carrie é humilhada, mas em compensação, mostra a todos os seus poderes paranormais.

1976: https://www.youtube.com/watch?v=QDkpLa4oGZc

2013: https://www.youtube.com/watch?v=c6hGL9kW_r8

Cemitério Maldito (1989) – com Fred Gwynne, Denise Crosby, Brad Greenquist.

 

A família Creeds está de mudança para uma cidade perto de Chicago. A nova casa é perfeita, não fossem os reboques da construção que fazem barulhos estranhos e o misterioso cemitério, situado no bosque atrás da casa. Os vizinhos evitam falar sobre o cemitério, mas, logo, os Creeds vão descobrindo a verdade por conta própria e ficam chocados ao saberem do perigo que seus filhos correm.

https://www.youtube.com/watch?v=tOmBSo5ooOA

O Ataque dos Tomates Assassinos (1978) – com David Miller, George Wilson, Sharon Taylor, J. Stephen Peace, Ernie Meyers, Eric Christmas.

 

A mistura de ficção científica, comédia e horror resultou em um dos maiores clássicos do cinema trash. Como o próprio nome deixa claro, o filme trata de ataques comandados por tomates, frutos de experiências genéticas realizadas pelo governo dos Estados Unidos. Tudo começa com o assassinato de uma dona de casa, seguido de uma investigação comandada por uma equipe fora do convencional. A ameaça, porém, toma proporções inimagináveis, dando origem ainda a mais 3 filmes da série, marcados por muito sangue e extrato de tomate. O detalhe é que, caso a trama de tomates sanguinários não seja atraente o suficiente para você, é possível admirar o galã George Clooney estrelando o segundo filme da série (O Retorno dos Tomates Assassinos). Vale conferir!

http://www.youtube.com/watch?v=v_jDBu9B5lg

A real e sutil beleza de uma mulher

A mulher é um ser que (apesar de muitos afirmarem não ter explicação) assim que nasce recebe instruções de como se portar perante a sociedade, o que fazer ou não fazer para agradar ninguém menos que os homens. E isso, apesar de parecer antiquado, ainda sobrevive atualmente. E, certamente, quando é levado em questão, nos irrita, enfurece e nos leva a situações em que queremos dar um basta em tudo.

Pois bem, assim que nascem e são apresentadas aos familiares, amigos… surge a seguinte frase: “Ela será linda quando crescer!”. E por que a pequena não pode ser linda assim que nasce, por que tem que esperar seus hormônios transformarem seu corpo e forçarem aquela ingênua menina a desabrochar?

Me recordo de uma certa cena quando criança, eu sentada ao lado de minha avó (que já é falecida), brincando com uma Barbie (clichê, eu sei) escutei algo que guardei para mim buscando descobrir o significado: “(…) mal sabe ela que o mundo afora é um ritual de desespero e desperdício para uma mulher!”. Passados 17 anos descobri o significado e, sinceramente, tenho com meus botões pensado sensatamente sobre isso. Não concordo, muito menos discordo, pois o mundo é realmente difícil para aqueles que lutam para realizar seus sonhos, suas metas ou simplesmente para sair da cama logo cedo, ainda mais para uma mulher que precisa se mostrar competente em tudo que faz superando a TPM, as cólicas, o mau humor e a baixa auto-estima de alguns dias no mês, senão o sermão é certo. Mas, por outro lado, já mostramos que não desistimos facilmente, que somos um sexo forte e damos conta de tudo e mais um pouco, não é!

A vida de uma mulher não se baseia somente nas compras mensais, na paixão infinita por calçados, roupas, maquiagens ou cabelos. Há coisas escondidas por nós que poucos se dão ao luxo de apreciar ou reparar, como a sutil felicidade encontrada no olhar de uma apaixonada ao encontrar seu amor depois de um dia aterrorizante ou no sorriso estonteante daquela que realizou-se com a produção de um dia intenso ao ser finalizado.

Estes pequenos detalhes proporcionados por nós mulheres, amantes, esposas, mães, filhas, namoradas, amigas… estão por aí, bem próximos e esperando serem notados e evidenciados com um elogio, uma carícia, uma palavra amiga, um abraço, um aperto de mão, um beijo. Então, não espere pelo próximo momento, faça enquanto esta mulher está ao seu lado!

Pra terminar uma dica especial para os brotos de plantão:

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=P6MIg-54zp0

Meus ombros suportarão o peso do mundo?

Eu tenho vinte e poucos anos e todos os planos do mundo.

Será que meus ombros suportarão o peso do mundo?

Será que isso vai me levar a algum lugar?

Eu ainda não fui e já quero voltar.

Será que vale a pena?

Isso realmente vai me fazer bem?

Isso vai fazer “alguém” de mim?

Quando vou descobrir quem eu sou?

O que quero?

Será?

E agora?

Quando vou descobrir?

Quando?

Vou?

E o mundo com isso?

E eu com isso?

Com aquilo?

Àquele?

 

Eu tenho vinte e poucos anos e todas as perguntas do mundo, eu não devia (te) dizer, mas as segundas e o chocolate quente me botam comovida como o diabo.

O Caso Amanda Todd e a nossa crueldade

Amanda Todd

Amanda Todd tinha 15 anos quando resolveu acabar com a própria vida. Ela pediu socorro, gravou vídeo no YouTube, e tentou se matar outras vezes antes de conseguir. O motivo? Mostrou os peitos na internet. E nunca mais teve paz.

O stalker conseguiu destruir a vida da garota, que tentou se reintegrar socialmente mudando de escola várias vezes. A perseguição saiu do ambiente virtual e chegou à porta do colégio. Até a maneira como ela tentou se matar uma das vezes virou motivo de piada. Amanda precisou desistir da vida pra ter paz.

Ok, a história repercutiu o bastante e comoveu muita gente. Mas o bullying só é levado a sério quando tem esse tipo trágico de desfecho. Ontem me deparei com o início do que poderia ser uma história de ciberbullying com um final cruel.

Ask.fm e a conta fake

Na rede social Ask.fm, uma garota teria enviado uma pergunta nada convencional a um rapaz. Ela se vangloriava como se estivesse no anonimato. Mas não estava. A situação constrangedora foi reforçada pelo menino, que fez questão de responder e apontar o erro.

Milhares de ofensas foram enviadas à menina quando o episódio ganhou repercussão através de um blog de humor. Sim, um blog de humor fazendo e incentivando o bullying. E essa, com certeza, não foi a primeira vez. Blogs e sites de humor fazem isso o tempo todo. Mas ninguém leva a sério, ninguém considera bullying até o tal desfecho trágico.

O que ela e Amanda têm em comum? São meninas, mulheres, expressando sua sexualidade livremente. Isso, na nossa sociedade, é motivo de ódio. Estamos tão atrasados!

Como farsas não duram muito tempo na internet, logo descobriram que, na verdade, a menina não existia. Foi uma conta fake criada pelo menino que buscava, provavelmente, popularidade instantânea. O que me dá mais raiva é que ele conseguiu.

Quer dizer, vivemos num mundo onde popular é quem humilha. Legal, moderno e cool é fazer outra pessoa sofrer. Fazemos apologia ao bullying não apenas por achar graça: mas porque nos dá uma sensação de superioridade. Isso é assustador.

Liberdade pra dentro da cabeça (8)

“Querer-se livre, é também querer livres os outros. “

 Hoje a ilustre convidada mafagafa, será a tia Simone de Beauvoir, gente ela é linda, magavilhosa. Bom, o feminismo está presente desde cedo em minha vida, quando reivindicava que poderia sim brincar com os meninos, jogar bola, subir em árvores, eu só queria ser criança, mas sempre tinha alguém pra dizer ‘heeey menina, você não pode fazer isso, senta direito, se veste como menina, brinca de boneca, larga essa bola, arruma o cabelo, coloca esse inseto no chão, arhg e afins”, eu não compreendia ao certo porque as coisas deveriam ser assim, mas,  batia o pé e corria pra brincar com os guri da rua. Na adolescência a situação é mais complicada, na qual, você precisa seguir certos padrões estéticos e culturais para ser aceito. Quando você começa a ler, pesquisar e refletir, compreende como as coisas funcionam, se questiona e percebe que não é algo tão simples, há todo um processo histórico e cultural, advindo de séculos,  que foi construído, para que mulheres e homens sigam padrões e estereótipos, que acabam, por vezes, se naturalizando, sem questionamentos, e que simplesmente se normatizam.

 “(…) não acredito que existam qualidades, valores, modos de vida especificamente femininos: seria admitir a existência de uma natureza feminina, quer dizer, aderir a um mito inventado pelos homens para prender as mulheres na sua condição de oprimidas. Não se trata para a mulher de se afirmar como mulher, mas de tornarem-se seres humanos na sua integridade.’ 

 

Simone questiona sobre os gêneros, que somos seres humanos e não divisões,  ler os livros dela é libertador, você  começa a se questionar e ainda afirma: – Mas olha, não é que é verdade? ‘O Segundo Sexo’ volume I e II (que estou lendo ainda e quanto mais eu leio, mais e mais e mais, quero ler,  estou me apaixonando pela maneira como ela descreve e claro, o seu incrível sarcasmo é ótimo, alfinetando geral), traz  todo um enredo histórico sobre a mulher e as questões dominantes, patriarcais, um estudo aprofundado sobre a condição feminina e humana, tratando de conceitos biológicos, psicos e sociais. O mais interessante é que depois de leituras, questionamentos, reflexões, percebemos o quanto podemos ser e somos livres, através do conhecimento, tiramos essa faixa escura dos nossos olhos, enrustida de preconceitos e ignorância.

“Que nada nos defina. Que nada nos sujeite. Que a liberdade seja a nossa própria substância. “

Ou seja, podemos ser o que bem entendermos, apesar dos empecilhos machistas que encontramos em cada esquina.

O que mais acho espetacular nessa autora, é sua ousadia de escrever sobre a nossa liberdade, na época do pós-guerra, o patriarcalismo vigorava com maior intensidade (claro, na contemporaneidade há muito ainda), causou e causa, grandes polêmicas pelos pensamentos moralistas e conservadores, uma obra,  que condiz sobre as nossas vontades,  que devem ser respeitadas e não controladas ou submetidas  por algo  dominante. Compreendendo que todos somos seres humanos, íntegros e que devemos ser respeitados.

“O fato de que sou escritora: uma mulher escritora, não uma dona-de-casa que escreve, mas alguém cuja existência, em sua totalidade, é comandada pelo ato de escrever.”

E a celebre e classe frase, que diz “não se nasce mulher, torna-se”, ilustra bem, vários conceitos voltados para o universo feminino, que são construídos historicamente. Simone, conseguiu organizar e traduzir sentimentos e sensações que nós mulheres sentimos, como as questões desiguais e indiferentes, colocando uma visão feminina acerca de vários conceitos, e nada melhor do que uma mulher, colocando a sua percepção, de como se sente, de como é visualizada pela sociedade.

Somos sim, donas do nosso destino, da nossa sexualidade, e não, não queremos ser submissas e indiferentes, andar nas sombras masculinas, só queremos o respeito, a dignidade e acima de tudo, liberdade e igualdade .

Beijos mafagafos e lembrem-se, somos livres.

Os homens preferem as loiras… Será?

 

Não sou dessas loiras, que se diga, nossa que loira, mas sou e tomo as dores de muitas por aí. Dores essas comuns a quaisquer pessoas que sofrem estereótipos e, isso mesmo, estou falando sobre aquele que diz que ‘loira é burra’.

Durante a minha adolescência, lia livros que traziam frases como ‘era loira, mas tinha conteúdo’. Ou ‘apesar da cor do cabelo, soube lidar com a situação’. Se não bastasse isso, tive que engolir ‘loira burra!’, do Gabriel, o Pensador.

No caso dessa música em especial, a ‘loirice’ não está na cor dos cabelos, mas na atitude. E isso me lembra algo que me irrita, e muito: o fato de generalizarem as mulheres bonitas e de corpo atraente. Generalizam ainda as que são vaidosas e as que gostam de fazer compras. Gente, parem com isso!

E não é só o ‘Pensador’ que peca, quando o assunto é música e loiras. Esses dias, depois de ouvir Novos e Baianos e Alceu Valença cantando as morenas, confesso, senti uma pontinha de inveja e fui procurar uma música em nossa homenagem. E aí, o que eu achei:

“A loira não é burra, tem preguiça de pensar”;

“A nova loira do Tchan é linda, deixa ela entrar”;

“Na madrugada, na mesa do bar, loiras geladas vêm me consolar.”

Se não bastassem os livros e as músicas, chegamos à comédia que adora pegar no pé das loiras. São piadinhas sem graça o tempo todo, programas de humor mostrando loiras no melhor estilo gostosona, só que burras, além dos filmes que adoram jogar na nossa cara a burrice das loiras.

Dentro da comédia, esse tipo de comportamento já é esperado. Isso porque o humor, como muitos dizem por aí, tem o poder de provocar o riso em situações que, geralmente, não deveriam ter a menor graça. É aí que entram os quadros que ‘humorizam’ os deficientes físicos, os negros e os pobres, por exemplo.

 

Não, não estou dizendo que ser loira é sentir na pele o preconceito, como nos três casos citados, não passamos nada do que estes grupos passaram e continuam passando.

O caso é que nós, loiras, temos que levar na brincadeira, rir e achar graça nisso tudo. Afinal, podemos provar que temos inteligência e neurônios sim, basta saber sobre tudo, ler sobre tudo e entender sobre tudo. Mas, esteja preparada: a qualquer deslize, o comentário pode sair: tinha que ser loira!

Falando assim, pode parecer tudo tão descontextualizado, já que muitos acreditam que estes e outros estereótipos foram superados, mas, ultrapassados ou não, deixaram a sua marca em mim e em muitas loiras por aí.

Então, antes de tirar sarro, fazer piadinhas e rir deste e qualquer outro estereótipo, pare e se pergunte se não vai acabar ofendendo ninguém. Em alguns casos, brincadeiras ofensivas podem até render processo.  Fica a dica.