Desventuras de uma professora frustrada: sobre o Enem

Na semana em que alguns textos do Enem foram divulgados na internet, uma turbulência de sentimentos assolou a minha mente.

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Professor Raimundo, frustrado com o salário. Só com o salário?

E o que que eu tenho a ver com isso? Me perguntei a certa altura. Tudo! Embora não exerça a profissão, sou licenciada em Letras, ou seja, professora de português. Dediquei quatro anos da minha vida a estudos voltados para a sala de aula. Aprendi sobre literatura, linguística, metodologia, didática e tudo o mais. Entrei na sala de aula durante os estágios. O que quer dizer que tive acesso, mesmo que temporário e mínimo, ao universo escolar, o que me dá  o direito de falar sobre assunto.

Quando vi os comentários a respeito dos textos (falando sobre o ‘deboche’ de alguns alunos e dos erros de português), lembrei de todo um sonho que deixei para trás – justamente por situações como estas.

E diante de toda essa situação, resolvi escrever sobre o assunto na tentativa de levantar algumas questões que deveriam ser pensadas por todos os brasileiros que se preocupam com a educação.

Primeiro, a idoneidade do Enem

Quando surgiu, em 1998, o Exame Nacional do Ensino Médio tinha o objetivo subentendido em sua nomenclatura, isto é, avaliar os conhecimentos dos alunos recém formados no ensino médio. Com caráter voluntário, esta era a sua única função. Na época, ele era usado para medir a qualidade do ensino e por alunos que queriam testar seus conhecimentos e ter uma noção de como seria seu desempenho durante o vestibular. Até aí, tudo bem já que aqui não vou entrar no quesito ‘questões’ ou ‘formato de avaliação’.

Em 2004, o Enem passou a ser usado no ProUni e quem ia bem no Exame tinha chances de ganhar uma bolsa em faculdades privadas. Há pouco tempo, ele passou a ser usado como ‘vestibular’ de muitas faculdades. Foi aí que surgiram os problemas.

Os escândalos envolvendo o Enem

Em 2009, provas vazaram e o retentor das mesmas pediu dinheiro em troca de uma reportagem a respeito do caso. Foram necessários 45 dias para reformular uma nova prova. Em 2010, as provas apareceram com erros gráficos (questões sem respostas ou com respostas duplicadas). Em 2011, depois de o Exame ter sido aplicado no Brasil inteiro, descobriram que a mesma prova já havia sido feita por alunos de uma escola em Fortaleza.

Por três anos consecutivos houve problemas e, agora, as redações do ano passado, 2012, caem na boca do povo. Dessa vez, foram colocados em pauta os critérios de avaliação dos textos.

Pesquisando, descobri que 30 pessoas que tiraram a nota máxima enviaram seus textos para análise em faculdades federais. E existe a possibilidade de mais pessoas terem suas redações avaliadas como perfeitas. Ou quase perfeita, já que o pessoal das faculdades mostrou que todos os textos analisados não poderiam, em hipótese alguma, ter tirado a nota 1.000. Até porque é humanamente impossível alguém escrever um texto perfeito, sem consultar referências mais detalhadas ou mesmo o dicionário, no tempo de 4 horas (gente, não existe texto perfeito, ok?) Ou seja, a nota máxima deveria ser algo raro e se 30 pessoas tiram a nota máxima, já é possível dizer ‘opa’ tem alguma coisa errada aí.

Se isso aconteceu, por que ficar em choque com a nota mediana dos alunos que debocharam no texto?

Vi muitos comentários ridicularizando os alunos, gente se perguntando ‘onde é que a educação vai parar’, sem falar nas famosas pérolas que são disseminadas na internet como motivos de risos e piada.

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O Professor Girafales, este sim já aguentou muitas ‘pérolas’.

Pessoal, não é legal ficar rindo do erro dos outros e colocar a culpa nos professores de português! É muito fácil a gente julgar o que é mais próximo da gente (lidamos com a Língua diariamente, escrevemos, nos comunicamos com ela). Por que não falar do péssimo índice em química? Geografia? Ou pelo menos nas controvérsias que foram encontradas nas provas dessas matérias? O que quero dizer é por que não comentar as falhas do Enem como um todo?

Embora eu ache desnecessário e uma falta de noção expor essas redações na internet, esta ‘divulgação’ serviu para alguma coisa: abrir nossos olhos em relação à seriedade deste país. Sim, do país como estado. Afinal, um Exame que serve como vestibular em várias faculdades espalhadas peo Brasil não deveria ter tantos erros, tantos problemas. É por isso que eu entendo os alunos que debocharam nas redações. Por que é que eu vou levar uma prova a sério se o país não me respeita? Pra que que eu vou estudar se tudo no Brasil funciona assim mesmo?

Se é dessa forma que os alunos pensam, eu não sei. Mas com estes acontecimentos, não fica difícil acreditar em uma suposição como esta. A nação deveria servir como exemplo, sobretudo os recursos usados para avaliar os rumos educacionais desta nação. Ah, esqueci, a culpa disso é tudo dos brasileiros, do povo que não sabe eleger seus representantes, não entende e odeia política. Se você pensa diferente, vem me dá um abraço!

Agora é possível entender o meu título? Ou pelo menos por que me considero uma professora frustrada?

Para encerrar, sim, eu sei que errar é humano. Mas, errar por quatro anos consecutivos, não, viu? Ou as autoridades não estão preocupadas em fazer o Enem (e a educação como um todo) dar certo?

Crédito das Imagens: Folha Uol e Jeremias Cartoons.

Mulheres da Literatura

Mulheres e Livros

No inicio da semana passada as meninas propuseram homenagear as “grandes” mulheres da história, discorrendo sobre os maiores feitos alcançados por elas nesse último século. Afinal, mulher é muito mais que peito e bunda. Mulher é alma e causa. Ação e reação. E acima de tudo é testemunha e jurada de séculos e mais séculos de machismo trucidante.
Propus algo diferente. Se acabou ou não a semana da mulher, fica a seu critério querido leitor (a). Para mim, todas as semanas são nossas, bem como os meses e os anos. Por que nos relegarmos a apenas um dia no calendário? Por que esperar por uma data somente, quando podemos celebrar todas as horas como se fosse uma festa onde a maior atração é estarmos simplesmente vivas?
Pois bem mulheres. Proponho a convocação de todos os deuses e almas, um festival eterno de sorrisos e flores. Onde não haja motivos para choro, muito menos tristeza. Sugiro que o riso argentino de Aurélia seja a música ambiente e que os olhos de ressaca de Capitu virem aquarelas vivas penduradas pelo salão, com o único intuito de seduzir homens, desarmar exércitos e conquistar territórios inexplorados.
Nos armemos com as palavras dessas mulheres floridas que desbravaram um universo repleto de heróis masculinos. Mulheres capazes de desgraçarem vidas com um olhar e levarem famílias a bancarrota com apenas um beijo. Gostaria que falássemos sobre Marguerite/Lucíola sem nos envergonhar das fraquezas humanas ou da languidez da alma.
Pode soar egoísta, feminista ou sem nexo. Mulher tem dom, direito e dever de não fazer sentido. E assim como todas as personagens fortes do universo feminino literário, tudo isso não passa de meras e envelhecidas palavras. Mas que pela antiguidade e as marcas do uso, ganham o poder do respeito.
Que fique claro, as personagens citadas aqui fazem parte da minha coleção de lembranças literárias e elas serão descritas por uma entusiasta das visões prosaicas masculinas sobre o mundo feminino. Sou uma “alma velha” que se apaixonou a primeira vista por Alencar, tomou gosto por um tal de Assis, tentou se encantar por Guimarães Rosa, mas ao fim, descobriu que seu tipo faz parte da sessão empoeirada e amarelada de “literatura estrangeira”.

José de Alencar, escritor urbanista do século 19

José de Alencar, escritor urbanista do século 19

Aurélia, Emília e Lucíola, para mim, as três mais belas jovens dos salões de festa da alta sociedade do Rio de Janeiro do século 19. Não desconsidero, é claro, Ceci ou qualquer outra moça que tenha brilhado nas noites de galas, oferecidas por velhos barões ou jovens casais. Noites essas tão bem descritas que sempre acho possível ouvir o riso, sentir o cheiro das velas e o gosto do Xerez (um tipo de vinho espanhol, muito apreciado pelas personagens citadas). Talvez, o mais certo e justo, fosse falar delas separadamente, por conta das nuances em suas personalidades. Mas não tenho poder de escrita para tanto. Sei apenas que tais personagens podem ser consideradas um marco na literatura brasileira e não digo isso somente por admirá-las, afinal os fatos históricos estão aí e a mostra. Alencar elevou a mulher ao mesmo patamar dos homens. Hoje, isso pode não ser considerado nada, mas imaginemos uma época onde o patriarcalismo familiar impedia a ascensão feminina. Dessa forma, Alencar ao dar-lhes o poder da argumentação, explicitar o dom da sedução e assegurar a obstinação de caráter, abriu espaço para sonhos e questionamentos. Mostrou que a mulher além de poder sonhar com amores e príncipes, pode e deve desbravar o mundo dos negócios, se vingar de quem lhe fez mal e ser ela mesma, em vestidos de seda ou não. Saem os seres submissos, de feições frágeis e olhares assustados, para entrar em cena mulheres repletas de vida, capazes de sofrer e aprender a viver com suas dores, mas principalmente, capazes de lutarem com suas próprias mãos, quer seja por felicidade, respeito ou simplesmente, por amor. A mulher deixa de ser a coadjuvante das histórias para atuar de maneira fantástica em uma peça só delas, onde tudo pode acontecer, desde navios naufragados a amantes escondidos.

Capitu foi utilizada como personagem em uma minissérie na TV baseada no Livro Dom Casmurro

Capitu foi utilizada como personagem em uma minissérie na TV baseada no Livro Dom Casmurro

Acredito que Capitu seja fruto dessa revolução proposta por José. Apesar de a história ser contada por Dom, é ela o centro, a questão, o quadro a ser apreciado. E se não fosse por ela, não haveria graça e Dom Casmurro seria mais um desses livros chatos. Mas então tem os olhos oblíquos e dissimulados, uma coisa cigana, um ar de rainha em alguém que nasceu na plebe. De repente ela não é só um amor de menino e sim, o sonho de cada homem. E se eu fosse estúpida o suficiente, faria uma analogia ousada. Casaria uma personagem passada com uma que desfila nos dias de hoje, sob a vista dos avaros caçadores de histórias de cavalheiros, princesas e castelos. Como não conseguirei traçar uma linha lógica de Cersei Lannister até os cabelos escuros de Capitu, desisto antes mesmo de me divertir com a ideia de vislumbrar semelhanças em suas personalidades.
Pois bem, lá se foi Assis e Alencar, com suas divas, senhoras, esposas e Lucíolas. Abrirei as portas agora para Isabel Allende. A diva da literatura chilena, sobrinha do ex-presidente Salvador Allende. Isabel, juntamente com sua família e sim, é preciso saber sobre o ambiente em que vivia para entender sua mais fantástica obra, foi obrigada a fugir do seu então país, Chile, logo após o golpe militar que matou seu tio-presidente.
Seria morbidez dizer que há certos males que vem para o bem? Acredito nisso quando penso nessa história, repleta de simbolismos, saudosismo e acima de tudo, relatos de uma época triste em um país tão próximo. É uma graça ver a fantasia entrelaçar tão bem com a realidade, criando algo além de uma reles história. A Casa dos Espíritos é um livro capaz de trazer a sensação de transcendência da carne, expiação dos pecados e humanização dos sentimentos.
De maneira sucinta o enredo gira em torno de Clara e Esteban Trueba. Aprofunda-se no relacionamento conturbado dos dois, nos frutos provindos de suas coxas e na geração nascida de suas crias. Clara é mãe de Blanca, que por sua vez é mãe de Alba. Todas são constituídas por uma força guerreira e um coração enorme. São mulheres que nasceram para sobreviver a dores da alma e da carne. E um exemplo disso está no fato de que apesar da vergonha, Clara continua a sorrir até o fim de seus dias, mesmo após perder os dentes da frente por conta de um soco desferido por seu querido marido.

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Como se não bastassem todos os problemas familiares, rebenta-se o golpe militar e Alba então estudante/guerrilheira e neta de um grande senhor/político chileno, é presa e abusada física e psicologicamente em nome de uma bandeira que nem os soldados lembravam mais do que se tratava. E é aí que se encontra o brilhantismo de Allende. Suas mulheres não desistem. Seja do amor, da liberdade de expressão ou da família. Elas agarram com força e batem o pé, cospem na cara de militares, brigam com fantasmas e se embebedam até cair.
Pra entender o contexto todo, obviamente é necessário ler o livro. Não da para resumir em poucas palavras toda a profundidade humana presente em A Casa dos Espíritos. Seria imprudente, insano e uma tremenda falta de respeito. É preciso ter olhos para ler, bem como, coração para dar significado a tanta informação. Assim como não dá para afirmar que as sete personagens presentes nesse texto, são o resumo da força feminina literária. Não o são nem por brincadeira. Elas constituem parte de minha lista de preferências. Faltam nomes e histórias, bem como palavras de adoração.
Eu não falei de Madame Bovary, Dagny Taggart ou até mesma de Blue Van Meer. Não citei Layla, personagem fantástica de um livro espírita. Não comentei sobre “A mulher que escreveu a bíblia” do querido Scliar e muito menos adentrei ao universo de forças de Daenerys Targaryen. Como disse, não tenho poder de palavras suficientes para tanto. E o texto aqui, foi muito mais uma homenagem a minha adolescência, repleta de cenas pitorescas e românticas, reproduzidas diretamente dessas obras centradas em grandes mulheres.
Acredito que mulheres feitas de palavras, são tão fortes quanto às das telas de cinemas. E todas, sem nenhuma exceção, são o rascunho filosófico de alguém de carne, osso, alma e sentimentos. Por isso Feliz dia das Mulheres a todas aquelas que matam um leão por dia, usam salto alto e maquiagem para buscar os filhos na porta da escola e se emocionam com a leitura de grandes clássicos literários

Mulher dona de casa? Não mais!

Até quando a mulher será tachada como uma empregada doméstica? Durante os últimos dias, eu sofri com esse preconceito. Me ofereci a cuidar de uma pessoa acidentada, tudo certo até aí, porém as pessoas acreditam que prestar assistência é sinônimo de “vou fazer a faxina em sua casa Sir!”. Resumindo, nós mulheres devemos apenas ser úteis para serviços domésticos. Não importa a ocasião, o grau de escolaridade ou a profissão, o trabalho dentro de casa é “obrigação” das mulheres. mulher A história da humanidade foi muito cruel com o sexo feminino. Pequenas coisas, como por exemplo respeito, demoraram muito para acontecer. Visto isso, as mulheres para conseguirem uma boa reputação e até mesmo um marido, precisavam ser prendadas (saber bordar, cozinhar, limpar a casa, tocar piano e outras coisinhas a mais). A casa era dever exclusivo de todas as mulheres, só que essa atitude persegue as do século XXI. Homens do mundo moderno entendam: as mulheres já se tornaram engenheiras, médicas, juízas, promotoras, delegadas, ou no meu caso, jornalista. As tarefas de casa, podem (e devem) ser compartilhadas com todos envolvidos. Pensar que isto é coisa de mulherzinha é machismo. Machismo para mim é sinônimo de antiguidade. mulher-do-trabalho-doméstico-28960829 Com tanta independência e autonomia, as mulheres podem escolher as prioridades diárias da vida. Hoje em dia as mulheres fazem o que realmente querem naquele exato momento. Por questões profissionais, tentam resolver os problemas do trabalho, algumas fazer cursos, pensam nas escolas dos filhos, até mesmo cuidam para que o casamento não termine. São muitas coisas que ganharam o lugar das atividades domésticas. A casa já não é mais o lugar onde se encontra mulheres que apenas vivem para isso. trabalho-doméstico Então uma dica para os homens, esqueçam das mulheres para que somente elas realizem a faxina dentro de casa. Mas entendam a rotina diária das mesmas, as circunstâncias e ajudem. Respeitem a igualdade que elas demoraram a conseguir, e não precisam ter vergonha em dividir tudo. Lembrem-se, o mundo moderno exige apenas respeito entre todos.

FELIZ DIA DA MULHER! – o mundo do ponto de vista feminino

Sim, eu sei, o dia das mulheres já passou, mas todo dia é seu mulher única que representa muitas ..

  “Who are we? What we run? We run the world! Who run the world? Girls!!”

Mas e ai mulheres sabemos que temos o poder? todas nós sabemos que somos únicas? Conhecemos a liberdade sexual, intelectual e a possibilidade de lutar por nosso espaço? Temos consciência desse poder que nos foi dado por nossas mães e feministas guerreiras nos anos 70?

Século XXI, ano 2013, e parti em busca da definição de “mundo” do ponto de vista feminino moderno, claro para isso atormentando algumas mulheres que tenho a honra de conhecer e carinhosamente me responderam com uma frase ou palavra, o que é para elas esse “mundo”:

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“O mundo é muito mais do que os olhos podem ver” – Sonia Silva

“O mundo.. Injusto”

“O mundo.. Injusto” – Becca

“Falando sobre o mundo penso nas conquistas femininas nos últimos anos... trabalhos que antes eram exercidos por homens e hoje o são por mulheres, e por sinal efetuados com muito exito.. nossa presidente!”

“Falando sobre o mundo penso nas conquistas femininas nos últimos anos… trabalhos que antes eram exercidos por homens e hoje o são por mulheres, e por sinal efetuados com muito exito.. nossa presidente!” – Cris Coelho

“O mundo... nós sempre pensamos na opinião dos outros... queremos aprovação...”

“O mundo… nós sempre pensamos na opinião dos outros… queremos aprovação…” – Rosana Aguirre

“eu resumiria em "oportunidade" porque, segundo minhas crenças, essa vida é uma oportunidade de evoluir e o mundo está aqui pra nos proporcionar isso então o mundo é oportunidade”

“eu resumiria em “oportunidade” porque, segundo minhas crenças, essa vida é uma oportunidade de evoluir e o mundo está aqui pra nos proporcionar isso então o mundo é oportunidade” – Angelita Friedrich

“Doce ...com menos hipocrisia, pensou, sonhou, realizou !!”

“Doce …com menos hipocrisia, pensou, sonhou, realizou !!” – Vilma Burmann

“‘Mundo... acho que pens0 em conquistar o meu espaço, ser mãe...”

“‘Mundo… acho que penso em conquistar o meu espaço, ser mãe…” – Adrieli Urias

 O Mundo do ponto de vista feminino é um pouco de todas essas frases, e muito mais. Cada mulher ao seu modo transforma diariamente o seu mundo, e de todos que a cercam.

Torço para que cada vez mais nós mulheres tomemos consciência de nosso poder e dever de agir frente ao mundo.

Ao nosso modo façamos como aquelas caras pintadas que nos antecederam, a quem rendo toda homenagem.

Então finalizo com a minha opinião, a de que o mundo é um palco, você só precisa ter  coragem de subir lá e arrasar!

Marasmo

Escritor é bicho estranho, fica procurando estórias para se inspirar e escrever, ladrão do cotidiano, transforma dor, amor, realidade, barulho em palavras. Em todo momento há um conto escondido, uma poesia pela cidade cinza, uma narração contada por barulhos, o escritor esperto faz texto de borboleta voando, silêncio adormecido, ruínas, aspirador, dia de domingo. E é isso, um ladrão diário.

E como ladrona do cotidiano, deixo esse conto, percebido pela observação dos meus dias.

“MARASMO”

Helena caminha sem sentidos, com um vestido de flores mortas, anda se arrastando por obrigação, devaneio. Atravessa as avenidas sem se preocupar com a velocidade dos automóveis. O ar acinzentado pairá em sua face e camufla em seus poros.

Se alimenta com refeições das propagandas enganosas da televisão, não sentindo o sabor e engolindo por pura necessidade fisiológica, seus livros são alimentos das traças, seus discos estão sendo arranhados pelo tempo, não escuta as melodias dos pássaros, acredita nas verdade mal contadas e tem sempre a mesma opinião dos assuntos. Está acomodada, seu corpo não sente endorfinas, e não dança as musicas pulsantes, seus desejos foram ofuscados pelo conforto, suicida diária. Já não sabe o que é sorrir, amar.

Deita em seu quarto e sente-se parte de sua cama, imóvel, como poeira esquecida.

Ela até que gostaria de sentir as cores vibrantes das pinturas dos museus, mas se contenta com as cores foscas do seu dia a dia. Alma vazia, se esvazia a cada dia, ausência de vida, remoto controle, uma realidade sem suspiros, sem sorrisos. A vida escorrega pelos seus dedos e ela não se preocupa, se afoga em dormências miseráveis de sentimentos.

Helena queria sentir a gravidade dentro de si, voar, mas se contenta em caminhar pela escadaria velha, passo a passo de cabeça baixa. Repete seus passos como uma oração, anda em círculos repetidos, repetindo cada minuto de sua falsa eternidade. Suas palavras ecoam um monólogo, um terremoto de escassas afirmações, suas veracidades egocêntricas.

Helena é um reflexo desses humanos que não vivem, simplesmente existem, que caminham sem reparar nas belezas diárias.

Beijoos.

Qual é?

Bela mensagem Ensine os homens a respeitar. Não as mulheres a temer

O que anda acontecendo com os homens desse mundo? Será que falar mentiras quando conhece alguém é a forma para tentar “pegar”? Não somos um objeto, somos seres humanos como eles e temos sentimentos. Na primeira noite o cara não deve forçar a menina a dar um beijo sequer, ou falar que é o porto seguro dela sem ela saber e que os dois terão uma noite incrível de sexo se ela nem está disposta a um beijo. Onde foi parar o cavalheirismo?

Enquanto uns inventam mentiras outros acham um absurdo quando a menina tem o domínio do próprio corpo e quer ter uma relação não séria, apenas para manter algo saudável e tranquilo, sem pressões, sem obrigações. Daquelas em que você chama a pessoa pra ver um filme e se depois surgir à vontade de algo mais ok, mas se não o que valeu foi apenas a companhia da pessoa.

Ou será que aquele cara que fala que está com outra mulher, mas que sente tesão por outra e quer de toda forma “comer” a menina porque os hormônios estão a flor da pele é tão incompreensível com os sentimentos de quem está com ele? Fica tendo casinhos pela internet enquanto a sua menina acredita que ele é o tipo de cara certo, cavalheiro, romântico. Pra que tanta hipocrisia?

É claro que a mulher que se dispõe a esse tipo de situação tem total liberdade de fazer isso e decidir por si se aceita essas propostas ou não. Mas o que me indigna é a cara de pau de querer se fazer de santo e de julgar as mulheres por seus atos se eles fazem o contrário daquilo que pregam.

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Marcha De La Mujer Latino Americana, Foz do Iguaçu, 08/03/2013

No dia 08 de março deste ano participei da Marcha De La Mujer Latino Americana aqui em Foz. E a sensação de estar na rua gritando que somos mulheres e não mercadoria, que merecemos respeito independente da roupa que queremos usar, foi libertador. Eu como mulher acho que devo tratar o próximo com respeito e espero o mesmo. E é exatamente por isso que todas espécimes e brotos que foram estavam na rua gritando e protestando. Pela igualdade em todos os sentidos, pela falta de respeito que a sociedade tem com o “sexo frágil”. Só que foram as nossas ancestrais que foram queimadas em uma indústria por querer seus direitos, foram elas que queimaram o sutiã e lutaram pelo anticoncepcional e o direito de fazer o que bem entender. São essas pessoas ditas como frágeis, chatas e sensíveis que conseguem andar num salto alto o dia todo, trabalhar, fazer depilação, aguentar a cólica todo mês, cuidar dos filhos e mais um milhão de coisas ao mesmo tempo.

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Marcha de La Mujer Latino Americana, Passando pela Avenida Brasil em Foz do Iguaçu

Na real os homens é que são frágeis perto de nós e o pior ainda é que com essa revolução feminina, nós conseguimos progredir, enquanto vocês queridos homens, só regrediram! E o pior de tudo é que a sociedade é tão hipócrita que se diz anti a ação machista, mas vejam só as três histórias que contei no começo deste texto. Um cara disse mentiras e no final tentou agarrar a menina a força, o outro falou que era conservador de mais pra outra menina e o último queria que a menina fosse o caso de sexo dele enquanto a atual rolo/ficante/namorada dele não transa com ele.

Só uma coisa pra finalizar: “A nossa luta é todos os dias, somos mulheres e não mercadorias!”

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Cartaz representando um dos versos cantados durante a marcha

Maria da Penha, força e coragem em combate à violência doméstica

O tabu que considera a mulher ser do sexo frágil já foi quebrado há muito tempo. As mulheres não apenas são capazes de fazer atividades masculinas, mas conseguem aguentar certas coisinhas a mais que os homens nem conseguem imaginar.

Mas se tratando em aguentar dores e sofrimentos, nem tudo são flores. Existem muitas mulheres que sofrem agressões domésticas o tempo todo. Atualmente a cada 2 minutos, cinco mulheres são espancadas no Brasil. Dentre elas, a homenageada do dia é a cearense Maria da Penha Maia Fernandes, mais conhecida por Maria da Penha.

Maria_da_Penha_PassaporteMaria da Penha era como a maioria das mulheres, tinha um bom emprego e aparentemente um bom casamento. Quem poderia imaginar que um professor universitário de economia poderia aterrorizar a vida dela para sempre. Ele tentou matá-la duas vezes, tendo a primeira deixado-a paraplégica. Não contente, ele tentou uma segunda, jogando ela dentro do chuveiro e tentar eletrocutá-la. Na primeira tentativa ele alegou pensar estar sendo vítima de assalto.

O agressor Marco Antonio Herredia Viveros foi a júri duas vezes, primeiro em 1991 quando os advogados conseguiram a anulação do julgamento. A segunda, em 1996, foi condenado a oito anos de prisão, mas os advogados entraram com recursos e cumpriu apenas dois anos. Atualmente ele está em liberdade.

Maria da Penha luta até hoje contra os crimes de violência à mulher. Ela é coordenadora da Associação de Estudos, Pesquisas e Publicações da Associação de Parentes e Amigos de Vítimas de Violência (APAVV); e também escreveu o livro “Sobrevivi… Posso Contar”, narrando a própria história.

Maria da PenhaO caso Maria da Penha ganhou repercussão internacional quando denunciado a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (OEA), assim o governo brasileiro sancionou a lei 11.340, em 2006, levando o nome dela. Precisou de 20 anos para que a mulher que confiava no marido pudesse enfim conseguir justiça.

Mas, depois de toda essa história é difícil acreditar como os homens ainda vivem na Idade da Pedra. As mulheres já se viram em mil para trabalhar, estudar, cuidar da casa e fazer um agrado aos maridos e namorados, e muitas recebem o mesmo que a Maria recebeu. Nenhuma justiça no mundo pode trazer os movimentos das pernas dela, mas os homens deveriam parar de imaginar que as mulheres devem fazer as suas vontades e cuidar da pessoa que mais faz de tudo para ver o lar em harmonia.

Maria da Penha é a guerreira que proporcionou a muitas mulheres a oportunidade de condenar os agressores. Poderia ser de outra maneira, mas nas duas tentativas de homicídio, ela conseguiu sobreviver para mostrar que essa realidade, infelizmente, invade muitas casas no Brasil.

As mulheres não deveriam precisar de leis e datas especiais para serem lembradas como tais. Elas precisam de igualdade e respeito, assim como todos os outros. Mulher sexo frágil, não mais. Homens que não merecem o titulo de “homem”, existem aos milhares.penha