Certas coisas

– Você o viu?

– Quem?

– O alto?

– Uhum.

– O que achou?

– Simpático.

– Simpático? Só?

– Alto também.

– Entendo.

– Pois é. E o outro? Quem era?

– Apolo.

– Sério? – risos

– Sim. O pai dele tem uma queda por história e três pela Grécia antiga.

– Saquei. Apolo e Alto? – Mais risos.

– Não, idiota. Apolo e Marcos. Combinam não?

– Ao que parece, sim. Mas então, qual é o problema?

– Não sei o que escolher.

– Entre?

– Pessoas.

– Vish. Não podia ser simplesmente entre duas peças de roupas?

– Quem dera. Não sei o que fazer. Estipularam um prazo, mas essas coisas não devem ser decididas sobre a pressão de uma data. Todo mundo sabe.

– Menos Jon e* Snow – risos – Agora, falando sério. Qual é o problema entre escolher?

– O problema é que gosto dos dois.

– Como assim? Ninguém gosta de duas pessoas ao mesmo tempo e na mesma proporção.

– É eu sei. Mas eu gosto.

– Isso é estranho. Talvez você devesse escolher o que mais combina contigo

– Pois é. Mas veja Marcos e Apolo.

– O que têm eles?

– São completamente diferentes.

– Como assim?

– Um é Flamenguista, ouve sertanejo e trabalha com contabilidade. O outro é fluminense, adora música clássica e é administrador. Marcos vai à academia todos os dias, tem um Iphone e gosta de roupas caras. Apolo diz que o melhor exercício do mundo é andar pelo parque carregando um livro até achar sombra suficiente em baixo de uma árvore, para sentar e ler. Consegue entender?

– Acho que sim. Você quis dizer que os dois são totalmente contrários?

– Exatamente e, no entanto, vivem uma das relações amorosas mais bonitas que já vi.

– Não sabia que namoravam. Que fofos.

– Uhum. São lindos mesmo. Mas voltando ao meu problema. Preciso escolher entre duas pessoas que me completam de diferentes formas e não sei o que fazer.

– Talvez deva escolher a que você goste mais.

– Gosto das duas.

– E do gosto também?

– Como assim?

– Do gosto ué. Tem gente que tem gosto de café, baunilha, hortelã, cigarro. Eu mesma costumo avaliar se gosto ou não de alguém pelo gosto da boca dela.

– Credo, que maneira estranha de saber as coisas.

– Melhor do que não saber, não é?

– Talvez.

– Talvez você deva tentar. Ou como já dizia o poeta, talvez você deva seguir o caminho que tem mais coração.

– Mas como saberei com qual dos dois trilharei esse caminho?

– Nunca saberá – risos.

– Do que está rindo?

– Acho engraçado o fato de batermos a cabeça sobre algo que não temos nenhuma certeza se dará certo ou não. E de que quando tomada a decisão, sempre haverá aquela dúvida ecoando no fundo da mente “e se?”.

– Não acho graça.

– Pois é melhor começar a achar. A vida tem o dom de nos pregar peças desse gênero.

– Você não me ajudou.

– Nunca disse que a ajudaria.

– Mas sempre disse ser minha amiga.

– Nunca disse que não seria.

– Então por que não me ajuda a decidir?

– Porque há coisas do coração que somente nós mesmas podemos resolver.

Sobre Bruna Paz

Sou uma entre as bilhões de estrelas que traçam trajetórias nesse universo nebuloso chamado humanidade. Como tal, possuo momentos de brilhantismo enorme e apagões gerais. Aproveito-me desse meio tempo para tentar marcar nos livros de história o meu nome cadente. Fora isso sou estrela guia da desilusão, moralidade mal feita e sentimentos sem vasões.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s