Vinte e poucos anos

Eis que eu tive uma ideia brilhante:

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Recentemente li em algum blog que ter vinte e poucos anos é como ser da classe média, explico. Você está entre duas faixas “bem” definidas, aqueles que adorariam ter seus privilégios e os outros dos quais, por sua vez, você inveja a posição.

As vantagens de se ter vinte e poucos anos é ter relativa autonomia quanto a onde, quando e com quer ir. Bem com voltar. Em suma – isso de ir e vir sem dar explicações – é exatamente como eu pensei que seria aos 14. É lindo e eu adoro, também não reclamo de pagar minhas contas e afins.

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O chato de ter vinte e poucos anos é ver suas ilusões diminuídas. Olha, não estou reclamando do destino, mas com a idade que eu tenho já era pra eu ter recebido o Nobel de Literatura. E, claro, minha vida teria virado um filme. Muito provavelmente a atriz escolhida para me representar ser a Maria Flor, isso na versão nacional do filme né?! James Franco também ia querer fazer sua ~ homenagem ~ a mim. Enfim, era isso que eu merecia.

Infelizmente, parece que o mundo não sabe apreciar a minha literatura tanto quanto minha mãe.Outro problema que se tem aos vinte e poucos anos é ser uma pessoa que se quer livre do “jugo do dinheiro”. Isso porque ninguém em sã consciência quer ser escravo do vil metal, mas todo mundo quer viver de um modo minimamente confortável.

Cheguei à conclusão que para viver sem preocupações com dinheiro é preciso ter muito dinheiro. Chato né?! Ainda não tenho opinião muito clara sobre essa questão e isso é um problema, já que eu tenho vinte e poucos anos e deveria ser uma adulta bem resolvida com uma carreira brilhante. Continuo achando que é esse problema da humanidade de só reconhecer seus gênios tardiamente.

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Felizmente (?) as pessoas sempre têm as respostas para a minha vida – para a delas não -. “Menina, você precisa procurar outro emprego. O que falta pra você é um namoradinho. Pare de mudar de ideia, você tem que amadurecer. Deixe o cabelo crescer. (ad nauseam / ad infinitum). Uma querida teve a pachorra – adoro essa palavra – de me dizer: MAS VOCÊ JÁ TEM VINTE E POUCOS ANOS JÁ DEVERIA SABER O QUE QUER DA SUA VIDA.

Euzinha linda respondi: Eu sei exatamente o que quero da minha vida, é que eu quero muitas coisas. Depois fiquei pensando que é essa a graça de ter vinte e poucos anos é poder se reinventar. Aliás, essa é a coisa linda e bacanuda da vida, poder se reinventar até pra depois dos cento e pouco.

E o que eu quero agora é mais ou menos isso:

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POR QUE?

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Mulheres que você precisa conhecer

Hoje, dia 08 de março, dia internacional da mulher é o dia de dar visibilidade às nossas lutas. Para isso preparamos uma homenagem às mulheres que nos antecederam e que direta ou indiretamente abriram espaço para que hoje nós possamos nos pronunciar.
Elas são de diferentes esferas, mas têm em comum o fato de terem desafiado ao patriarcado e aos papéis de gênero por ele atribuídos. Comportando-se ou assumindo “posições” tidas como masculinas.

Pagu

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Nascida como Patrícia Rehder Galvão, Pagu foi uma escritora, poeta, diretora de teatro, tradutora, desenhista e jornalista. Reconhecida como uma das expoentes do movimento modernista, embora sem participação direta da Semana de Arte Moderna foi a primeira mulher a ser presa no Brasil, por motivos políticos.

Insubordinada, cortava o cabelo, fumava e falava palavrões. Teve muitos namorados, casou-se e se separou algumas vezes. Por fim, uma mulher dona de sua voz. Não por acaso Rita Lee lhe dedicou uma canção em que diz “sou Pagu indignada no palanque”. Amor define.

Leila Diniz

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Em uma sociedade extremamente machista e patriarcal como a brasileira uma mulher apaixonada pela liberdade como Leila não passaria impune. Professora do jardim de infância, Leiluska, tinha ideias revolucionárias sobre a maneira de estudar. Atriz versátil atuou em quatorze filmes, doze telenovelas e inúmeras peças teatrais.

Não era unanimidade, nem entre a esquerda muito mesmo na direita. Em sua “homenagem” foi criado o Decreto Leila Diniz que proibia manifestações culturais contrárias à moral e os bons costumes. Uma libertina, como nós. Afinal, já sentenciou Rita Lee “ toda mulher é meio Leila Diniz”.

Benedita da Silva

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Uma mulher negra, pobre e ligada às comunidades que ascendeu o poder e representou merece todo nosso respeito e admiração. Sua personalidade nos inspira, pois lutando contra o sistema Benedita se graduou aos 40 anos em Estudos Sociais e Serviço Social, além de ter ocupado diferentes cargos com vereadora, governadora, ministra e senadora – sendo a primeira mulher negra eleita.
Consciente de sua condição singular, Benedita é responsável por algumas das mais importantes políticas de afirmação da presença feminina na política. Por exemplo, a de paridade de gênero, que garante que 50% das vagas sejam destinadas às mulheres.

Marta

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Marta Vieira da Silva é a maior jogadora do mundo no país do futebol – em que não existe futebol feminino. Em um dos esportes mais machistas. Recordista Martinha já ganhou 5 vezes o prêmio de melhor jogadora, recorde. Nem outro jogador jamais alcançou esse feito, nem mesmo Messi, Ronaldo ou companhia. Mesmo sem apoio, Marta e a equipe brasileira estão em constante evidência. Para elas nossa gratidão.

Roberta Close

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Roberta, foi uma de nossas primeiras mulheres a conseguir adequar seu nome e gênero em documentos oficiais. Foi achacalhada por apresentadores e teve sua vida sondada pela mídia sensacionalista que não sabe o que é respeito. Com carreira internacional foi destaque do carnaval em 1984 além de participar de inúmeras campanhas e capas de muitas revistas.

Se há mais mulheres que nós deveríamos conhecer? Sem dúvidas, mas que esses exemplos nos sirvam de norte para que nós também sigamos buscando nossos direitos, sonhos e por que não, cerveja? Em suma: “Que nada nos defina. Que nada nos sujeite. Que a liberdade seja a nossa própria substância”. Beijos para a Simone, outra que você precisa conhecer.

De tudo que não é

A grande verdade é que a vida não passa de um péssimo romance, cheio de clichês, personagens fracas e mal construídas… É isso, não tem sentido algum, não há recompensa no final, nada a ser descoberto.

Sim, estou em pleno inferno astral, tudo o que preciso é de uma bela de uma faxina emocional. Sinto como se tivesse toda a história da humanidade sobre as costas. O mundo apoiado em meus ombros. E eu sou tão fraca.

Ponderar sobre o que se é ou o que se deseja ser é uma das coisas mais idiotas que já vi e faço em minha vida. Quis tanto ser uma escritora que me tornei uma de minhas personagens, ou melhor, uma das anti-heroínas de meus livros preferidos.

Sou uma escritora fracassada, auto-biógrafa, de personalidade cínica e agressiva. Nada de simpatia ou compaixão própria. Almejei ser Simone de Beauvoir, mas acabei como uma copia fajuta de Dan de Closer – ou algo parecido.

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Querido leitor, a verdade é que viver é feio, não é interessante. Não somos personagens complexas, somos rascunhos amarelados, esquecidos por Deus, Deusa ou Freud – insira aqui algum ícone em que você acredita -.
Viver não é doce, não será doce, é fel puro! E apesar disso vivemos. Porque somos fracos para renunciar às coisas. Coisas que não gostamos, não acreditamos e não queremos. Não renunciamos em uma atitude egoísta e desesperada de parecer forte, interessante ou uma dessas outras bobagens.

Seguimos com esse amargo na garganta, esse nó no peito e as mãos vazias e machucadas. Engolimos a vida quente, porque pensamos que seguir em frente pode significar algo bom em alguma esquina, bar ou beco de outra cidade. Quem sabe outra vida tão medíocre nos cruze o caminho e aí, teremos, quem sabe, uma chance de ser feliz.

“Ser feliz” essa sentença impressa em todos os outdoors, muros e embalagens esfregando em nossa cara a nossa própria e eterna “não-felicidade”.

Leitor, que me é tão caro, se você chegou até aqui deve estar com pena de mim, com raiva ou coisa que o valha. Não o faço, eu suplico. Se escrevo isso aqui não é com fins didáticos, para que você comece a ver as coisas de outro modo, prestando atenção aos detalhes “bonitos”. Não é nada disso, não lhe recomendaria tamanha estupidez. São essas ditas coisas bonitas que tornam nossa vida ainda mais miserável e nos mantém presos a esse sistema. São as migalhas que nos dão para não nos matarmos ou enlouquecermos totalmente.

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Escrevo aqui tão e somente porque sou egoísta e quero me livrar de todo esse monte de lixo e entulho de sentimento que levo represado. E, claro, isso também: não tenho mais dinheiro para pagar terapia.
Você discorda de mim? Ótimo!

Será arte?

Li em algum lugar que estrofe vem do latim e significa algo como “quartos pequenos”. Assim, sempre que você construir uma, estará construindo quartos. Isso me faz pensar que sempre que terminamos um poema, erguemos uma casa. Talvez isso explique nossa necessidade de em meio a problemas buscar refugio naquele poema antigo.

Eu sou “dessas”, sempre que me sinto em uma situação de extrema emoção – positiva ou nem tanto – volto para meus poemas. Vivo citando aqui, fazendo uma paráfrase ali e um “plágio” acolá, repetindo “Carla, sossegue, a vida é isso que você está vendo”.

E pode apostar, há sempre um poema perfeito para toda e qualquer hora, sem exceções. Um de meus versos preferidos é de Ana Cristina Cesar: Alegria! Algoz inesperado. Precisa dizer mais alguma coisa depois disso? Essa é a síntese da vida.

Enfim, por que estou dizendo tantas coisas? Simples. Resolvi escolher alguns poemas para compartilhar com vocês, com apenas o aviso de que são os meus preferidos, por isso, cuidem bem deles. O primeiro é do Carlão, vulgo Carlos Drummond de Andrade, um dos mais conhecidos e de longe o meu preferido, quase um mantra. Depois dele vem o “Com licença poética” da Adélia Prado, que faz referência ao primeiro. E o terceiro escolhido é o Traduzir-se do Ferreira Gullar que eu levo tatuado, que a propósito tem sua versão musicada.

Poema de Sete Faces  – Carlos Drummond de Andrade

Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.

As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.

O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.

O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.

Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus
se sabias que eu era fraco.

Mundo mundo vasto mundo,
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.

Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.

Com licença poética  – Adélia Prado
Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo.  Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
— dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou.

Qual o seu preferido? Conte aqui pra mim 🙂

Shhh: silêncio!

Editora Responsável: Roberta Rodrigues

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“Carla, até entendo que essas discussões sejam pertinentes, mas não seria melhor falar de coisas boas? Sabe, o mundo anda cheio de pessoas más, cometendo crimes, sendo preconceituosas, matando, roubando, enganando e tals. As mulheres, os gays, os negros e as minorias, em geral, são oprimidos isso é fato e não vai mudar porque tu quer e ficar postando coisas não adianta” (sic).

Acreditem, ouvi essas palavras acima. O mais chato é que o discurso, com algumas variações, já foi repetido por diferentes pessoas e que são nada parecidas entre si. O que isso me indica?

Hipótese: sou uma chata que posto coisas desinteressantes.

OK. Concordo em partes. Talvez, as pessoas não queiram saber que crianças são exploradas, meninas se suicidam por culpa do bullying, mulheres sofrem estupros coletivos e negros são vitimas de racismo em diferentes esferas.

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Claro, como é bem observado pelas pessoas que me dizem que devo parar de postar essas “coisas” – assim como é melhor que eu pare de discutir e apenas guardar a minha opinião para mim – o silêncio é curador.

Prestem atenção para a dica: não gosta de algo, do seu salário ser mais baixo, por exemplo, basta ficar quieta que isso mudará. Nem pense em pedir aumento, fique em silêncio e, de preferência reze para que as coisas melhorem. É mágico, basta parar de se preocupar com algo que ele desaparecerá.

Funciona mesmo. Eu, por exemplo, parei de postar coisas “ruins” e desde então mulheres não são mais mortas por seus parceiros, crianças brancas e negras são tratadas da mesma maneira e me parece que há uma ditadura gay vindo por aí. Lindo né? SÓ QUE NÃO.

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Mais do que nunca precisamos discutir as verdades (im)postas. Devemos nos posicionar, assumir responsabilidade e fazer algo para mudar. Nem que seja por meio das redes sociais, ou coisa que o valha. Afinal, o silencia só agrada aos que não têm muito a dizer.

Ressalva: não peço que tenham a mesma opinião que eu, isso não é saudável. Quero discussão,  questionamento e tudo mais que for para melhorar o mundo ou a nossa realidade. Por fim, desejo que recusemos ao silêncio, pois enquanto não nos deixarem sonhar, não devemos deixar que eles durmam.

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Devaneios do fim de ano

Editora Responsável: Roberta Rodrigues

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Hoje é um o primeiro dia do ano de 2013 e eu estou aqui, sem dor de cabeça ou ressaca moral. Escrevo diretamente do Festival Cultural Psicodália só para contar que esse foi de longe um dos piores anos da minha vida e por outro lado foi o que eu mais curti. Isso porque eu aprendi que – por mais clichê que pareça – é preciso pensar e andar distinto para conseguir resultados diferentes.

Esse ano eu conheci algumas pessoas e me aproximei de outras tantas. E esse é o momento em que eu agradeço por me fazerem acreditar na possibilidade de um mundo melhor.

  • Aos rapazes que guardaram as nossas malas, quando as perdemos.
  • Ao “loco” que devolveu meu cartão.
  • Às pessoas que conviveram por mais de 6 dias com frio e chuva e não brigaram.
  • Aos que dividiram o pão e a carne e, sobretudo a cerveja.
  • Às minhas amigas feministas que me entendem e dão suporte, mesmo quando eu falho.
  • Aos meus amigos de modo geral, que me ensinaram durante o ano todo a ser uma pessoa melhor.

Por último nada melhor do que fechar com o ensinamento do sempre mestre Hermeto Pascoal, “nunca é tarde para começar a fazer o que se gosta”. Então, bora lá gente, ninguém aqui tem permissão para ser triste. Ou melhor, transforme a tristeza, quando ela aparecer em poemas, músicas e qualquer coisa que toque o coração. A propósito, no próximo capítulo falaremos sobre como sobreviver ao fim do mundo, ao fim do ano e ao fim do mês.

Mudam-se os tempos

Editora Responsável: Priscila Martz

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Garçom desce um ano novo pra mim, please. Para acompanhar, quero novas oportunidades. Se quiser pode trazer mais esperança.  Já a energia, pode deixar, eu mesma renovo.

Fim de ano é momento de balanço e de mudança, por isso, faça uma retrospectiva, avalie o seu ano e as suas conquistas. Lembre-se, no entanto, de que não é momento de se culpar pelo que não deu certo, concentre-se no aprendizado que obteve das experiências não tão boas. Feito isso, livre-se das mágoas, dos medos e das frustrações, só assim terá mais espaço para as coisas bacanudas.

Sim, eu sei que isso é muito papo de “autoajuda”, mas funciona. Outro clichê que é maneiro é a listinha de coisas para se fazer no ano que vem. Escreva a sua com todas as coisas que sempre quis e nunca soube ou pode realizar. Combinado? A minha você pode conferir abaixo, preparados?

  1. Praticar mais violão;
  2. Aprender a tocar cuíca;
  3. Escrever um livro – nem que seja de 20 páginas – e uma peça de teatro;
  4. Tomar mais água e menos refrigerante;
  5. Praticar exercícios;
  6. Ver todos os filmes que eu deixe pra depois esse ano;
  7. Ler mais poesia e estudar sobre;
  8. Acampar perto de algum rio;
  9. Aprender a fotografar;
  10. Pensar positivo.

E por último, mas não menos importante, respirar fundo e ouvir música. A propósito, feliz vida nova para vocês! 😀