As coisas desgastam sem precisar

O ponteiro do teclado na tela estava me martirizando. Não suportava mais vê-lo piscando na caixa de mensagem sem ter uma resposta de desculpa pronta para digitar.

Por mais que eu já tivesse falado que não estava mentindo, não era suficiente.

Acontece que as coisas desgastam. Assim como a pedra que está em contato com o mar por séculos e séculos. Mas a pedra resite quase intacta e nossos corações nem um pouco.

Pois somos feitos de carne, osso e sentimento. Este último item da receita é o que mais pesa, isto porque é imaterial e não dá para entender algo que não podemos tocar.

Não podemos ver, mas podemos sentir. Sentimos pq às vezes arde e nas outras dói muito.

Demais.

Dói apenas pq não sabemos nos controlar.

O pedido de desculpas inicial? Não sei se foi válido e nunca saberei.

Se fui realmente culpado? Pode ser sim que seja culpado por todas as minhas escolhas, até quando não estou errado posso ser ser culpado de algo.

O trauma do medo

Editora Responsável: Priscila Martz

Foto do instagran do Garon Piceli (@garonpiceli) no Valle del la luna.

Foto do instagran do Garon Piceli (@garonpiceli) no Valle del la luna.

Para ter uma visão de mundo é preciso se entregar a ele.

O medo é um dos sentimentos mais traumáticos da minha vida. E é incrível como ele está totalmente ligado ao meu físico. Quando sinto medo, perco a vontade de andar e o meu sistema intestinal me lembra o motivo de existir.

Tenho medo de perder, medo de não superar as expectativas e principalmente de não agradar as pessoas que estão próximas a mim.

Ser solicito talvez possa ser uma qualidade positiva para quem deseja chegar em um ponto alto da vida. Mas, pensando bem, não devo ter medo de superar as expectativas de ninguém.

Se a vida é uma eterna doação de si mesmo para o mundo, ser aquilo que você é, mas, sem magoar as pessoas que estão próximas de ti, também pode ser um ótimo consolo para perder o medo.

Nesta altura do campeonato, e em qualquer início de relacionamento, perder o medo de entregar aquilo que você é para a outra pessoa é o que vai moldar o futuro dos dois.

São doses diárias e cavalares de paciência e muita dedicação. É fugir do óbvio e do monótono. É ser apenas você em todos os momentos.

Um dos exercícios que ando praticando todos os dias, e que tem me ajudado muito a perder os meus traumas, é fazer aquilo que diariamente eu não faria. Usar roupas que nunca usaria, frequentar lugares que jamais frequentaria e ouvir músicas que não me apetecem.

Enfrentar diariamente os próprios preconceitos e se moldar é tentar se entender melhor, além de ter uma visão mais completa do mundo.

 

Sobre Dar

Editora Responsável: Ana Carolina Meller

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A mulher foi obrigada, por muito tempo, a dar carinho, atenção e se dedicar totalmente ao seu companheiro. Na verdade, a sociedade ainda impõe que a mulher dê tudo isso. Mas, hoje, elas ocupam o verdadeiro papel na sociedade que lhe foi renegado por séculos.

Esses dias, porém, estava assistindo um vídeo de uma pastora evangélica – dessas igrejas que arrastam multidões contando mentiras – falando sobre como a mulher deve se entregar ao homem. Algo como “Aprendendo a Submissão”. A pastora falava assim: “Peça para Deus te dar o dom da submissão!”.

Sério, eu não sabia se era para rir ou para chorar.

Fiquei pasmo!

Como as mulheres, hoje no século XXI, podem escutar alguém que pede para elas serem submissas ao gênero oposto? E qual o motivo para que isso aconteça?

A pastora começa o culto falando do significado de submissão: “obediente, dócil e respeitoso”. Até aí, tudo bem. Eu desejo mesmo que as pessoas sejam obedientes, dóceis e respeitosas.

Mas o problema é: Por que apenas as mulheres devem ser submissas? Se submissão é bom e “todos gostam” por que os homens também não devem ser submissos às suas esposas, mulheres e namoradas?

Claro que se todas as pessoas fossem “obedientes, dóceis e respeitosas” o mundo seria cor de rosa e lindo. Mas o problema está na sociedade impor somente a submissão da mulher. E isso não está, definitivamente, certo.

A submissão deve ser um trato do casal. Um submisso ao outro. Não é um dom que deve ser entregue exclusivamente à mulher.

A mulher deve dar carinho, atenção, amor e fraternidade, mas o homem também. O homem deve se entregar ao relacionamento. A mulher, a mesma coisa.
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Se entregando desta forma, a submissão (eita, palavrinha feia!) não existe mais, porque tudo deve começar a funcionar de uma forma “automática” e sincera. As trocas de carinho, as palavras de amor e o afeto, tudo se torna constante no relacionamento.

Assim, o dar – de se entregar – é o mais fácil de tudo. O difícil é você conseguir controlar os vícios e traumas, mas isso já é uma outra história.