HOMOFOBIA, O QUE É ISSO?

A sociedade moderna se organiza por setores, rótulos, catálogos e definições por vezes dualistas e  restritivas, sendo, difícil para o indivíduo, uma vez definido, fujir ao rótulo que lhe é imposto.

O preconceito se origina exatamente durante este processo de individualização, registro e catálogo do ser. Em uma tentativa de organizar “todas as folhas da floresta” até mesmo o preconceito é denominado, legalizado e definido.

Surge assim o termo homofobia para definir  a antipatia imotivada, o desprezo,  o preconceito, a aversão, o medo irracional transformado em atos de discriminação e violência com base em uma percepção de orientação sexual discordante.

400_F_47721689_rMooeA0XqHqBwiBYileNIZiCrMPLT7TBA homofobia é termo geral pois exprime todo o preconceito sofrido pelas diversas  minoritárias de indivíduos de orientação sexual distinta da orientação sexual majoritária: a hétero (pois sim, a heterossexualidade também é uma orientação sexual).

Assim, quando falamos de homofobia falamos de lesbofobia, bifobia, transfobia,  e a própria homofobia em sentido estrito, ou seja, o preconceito direcionado a indivíduos: lésbicas, bissexuais, transsexuais, travestis,  transgêneros e gays, E SIM EXISTE DIFERENÇA ENTRE CADA UM DESTES TERMOS.

Sendo a sexualidade parte integrante da personalidade individual de cada ser humano e vivendo nós, ainda, em uma sociedade  de rótulos e catálogos onde, aparentemente, não existe simplesmente a possibilidade de sermos indivíduos únicos e indefiníveis que se moldam continuamente de modo livre, é interessante que entendamos corretamente cada um destes termos.

Para isso é preciso primeiramente falar de gênero,  identidade de gênero e orientação sexual POIS SIM, MAIS UMA VEZ, AQUI TAMBÉM EXISTEM DIFERENÇAS:

Gênero é o que culturalmente seriam características do ser “masculino” e do ser “feminino”: forma física, anatomia, maneira de se vestir, falar, gesticular, enfim as atitudes, comportamentos, valores e interesses de cada gênero e que habitualmente lhe é atribuído no nascimento (levando-se em conta apenas o caráter biológico do indivíduo).

Identidade de gênero se refere à forma como alguém se sente, se identifica, se apresenta, para si próprio e aos que o rodeiam, bem como, relaciona-se à percepção de si como ser “masculino” ou “feminino”, ou ambos, independe do sexo biológico ou de sua orientação sexual, ou seja, da sua maneira subjetiva de ser masculino ou feminino, de acordo com comportamentos ou papéis socialmente estabelecidos.

Orientação sexual por sua vez, diz respeito á atração mas não apenas sexual, faz referencia à aquele que é objeto de desejo, por quem nos apaixonamos a primeira vista, amamos, uma soma de  instintos, impulsos, genes, hormônios, genitálias, ato sexual, amor platônico, subjetivo, possibilidades corporais e imateriais de vivenciar prazer, amor e afeto independente de gênero.

 A tabela abaixo sumariza as possibilidades existentes de orientação sexual e identidade de gênero:

Sexo biológico Gênero psíquico Orientação sexual Como reconhecemos
Mulher Feminino Bissexual Mulher bissexual
Mulher Feminino Heterossexual Mulher heterossexual
Mulher Feminino Homossexual Mulher homossexual
Mulher Feminino Assexual Mulher assexual
Mulher Masculino Bissexual Homem bissexual
Mulher Masculino Heterossexual Homem heterossexual
Mulher Masculino Homossexual Homem homossexual
Mulher Masculino Assexual Homem assexual
Homem Masculino Bissexual Homem bissexual
Homem Masculino Heterossexual Homem heterossexual
Homem Masculino Homossexual Homem homossexual
Homem Masculino Assexual Homem assexual
Homem Feminino Bissexual Mulher bissexual
Homem Feminino Heterossexual Mulher heterossexual
Homem Feminino Homossexual Mulher homossexual
Homem Feminino Assexual Mulher assexual

Então de modo simplista e direto (sabendo que os graus desta sexualidade podem sim variar) podemos entender:

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Lésbica: mulher (gênero); que se identifica como mulher (identidade de gênero); e sente atração por outras mulheres (orientação sexual).

Gay: homem (gênero); que se identifica como homem (identidade de gênero); e sente atração por outros homens (orientação sexual).

Bissexual: homem ou mulher (gênero); que se identifica com o seu gênero de nascimento (identidade de gênero); e sente atração por ambos os gêneros (orientação sexual).

Travesti: homem ou mulher (gênero); que se identifica com seu sexo biológico, no entanto adota os hábitos do gênero oposto (identidade de gênero); gay, hetero ou bissexual (orientação sexual).

Transexual: homem ou mulher (gênero); que não se identifica sente desconforto com seu sexo biológico e deseja modifica-lo (identidade de gênero);  gay, hetero ou bissexual (orientação sexual).

Transgênero: homem ou mulher (gênero); transita entre os gêneros e não sente necessidade de alterar seu sexo biológico (identidade de gênero); gay, hetero ou bissexual (orientação sexual).

Apesar de todos estes rótulos e catálogos, é interessante por vezes nos conscientizarmos  enquanto seres sociais, pois o preconceito homofóbico existe dentro do meio LGBTTT, está na lésbica feminina que tem preconceito quanto a lésbica “bofinho”, no gay que ridiculariza o travesti, no bissexual que conta piadas de gays, na lésbica que não tem contato com gays por julga-los “espalhafatosos”…

A sociedade ainda sexista e heteronormativa por vezes cataloga  divide e exclui os indivíduos para melhor controla-los e já é  difícil enfrentar a homofobia social (assumida e principalmente a velada) então muitas vezes não contar com o apoio daqueles também por eles marginalizados por puro preconceito é algo que simplesmente não faz sentido algum, não acham?

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Mas esta pode ser apenas a minha opinião,  idealista, militante, sonhadora e igualitarista.

Leia Mais Em:

http://www.academia.edu/2387656/Feminismo_transgenero_e_movimentos_de_mulheres_transexuais

http://www.plc122.com.br/orientacao-e-identidade-de-genero/entenda-diferenca-entre-identidade-orientacao/#ixzz2SOcB7rbk

http://educacaoesexualidadeprofclaudiabonfim.blogspot.com.br/2009/07/genero-identidade-de-genero-e.html

http://pt.wikipedia.org/wiki/Homofobia

Mulheres da Literatura

Mulheres e Livros

No inicio da semana passada as meninas propuseram homenagear as “grandes” mulheres da história, discorrendo sobre os maiores feitos alcançados por elas nesse último século. Afinal, mulher é muito mais que peito e bunda. Mulher é alma e causa. Ação e reação. E acima de tudo é testemunha e jurada de séculos e mais séculos de machismo trucidante.
Propus algo diferente. Se acabou ou não a semana da mulher, fica a seu critério querido leitor (a). Para mim, todas as semanas são nossas, bem como os meses e os anos. Por que nos relegarmos a apenas um dia no calendário? Por que esperar por uma data somente, quando podemos celebrar todas as horas como se fosse uma festa onde a maior atração é estarmos simplesmente vivas?
Pois bem mulheres. Proponho a convocação de todos os deuses e almas, um festival eterno de sorrisos e flores. Onde não haja motivos para choro, muito menos tristeza. Sugiro que o riso argentino de Aurélia seja a música ambiente e que os olhos de ressaca de Capitu virem aquarelas vivas penduradas pelo salão, com o único intuito de seduzir homens, desarmar exércitos e conquistar territórios inexplorados.
Nos armemos com as palavras dessas mulheres floridas que desbravaram um universo repleto de heróis masculinos. Mulheres capazes de desgraçarem vidas com um olhar e levarem famílias a bancarrota com apenas um beijo. Gostaria que falássemos sobre Marguerite/Lucíola sem nos envergonhar das fraquezas humanas ou da languidez da alma.
Pode soar egoísta, feminista ou sem nexo. Mulher tem dom, direito e dever de não fazer sentido. E assim como todas as personagens fortes do universo feminino literário, tudo isso não passa de meras e envelhecidas palavras. Mas que pela antiguidade e as marcas do uso, ganham o poder do respeito.
Que fique claro, as personagens citadas aqui fazem parte da minha coleção de lembranças literárias e elas serão descritas por uma entusiasta das visões prosaicas masculinas sobre o mundo feminino. Sou uma “alma velha” que se apaixonou a primeira vista por Alencar, tomou gosto por um tal de Assis, tentou se encantar por Guimarães Rosa, mas ao fim, descobriu que seu tipo faz parte da sessão empoeirada e amarelada de “literatura estrangeira”.

José de Alencar, escritor urbanista do século 19

José de Alencar, escritor urbanista do século 19

Aurélia, Emília e Lucíola, para mim, as três mais belas jovens dos salões de festa da alta sociedade do Rio de Janeiro do século 19. Não desconsidero, é claro, Ceci ou qualquer outra moça que tenha brilhado nas noites de galas, oferecidas por velhos barões ou jovens casais. Noites essas tão bem descritas que sempre acho possível ouvir o riso, sentir o cheiro das velas e o gosto do Xerez (um tipo de vinho espanhol, muito apreciado pelas personagens citadas). Talvez, o mais certo e justo, fosse falar delas separadamente, por conta das nuances em suas personalidades. Mas não tenho poder de escrita para tanto. Sei apenas que tais personagens podem ser consideradas um marco na literatura brasileira e não digo isso somente por admirá-las, afinal os fatos históricos estão aí e a mostra. Alencar elevou a mulher ao mesmo patamar dos homens. Hoje, isso pode não ser considerado nada, mas imaginemos uma época onde o patriarcalismo familiar impedia a ascensão feminina. Dessa forma, Alencar ao dar-lhes o poder da argumentação, explicitar o dom da sedução e assegurar a obstinação de caráter, abriu espaço para sonhos e questionamentos. Mostrou que a mulher além de poder sonhar com amores e príncipes, pode e deve desbravar o mundo dos negócios, se vingar de quem lhe fez mal e ser ela mesma, em vestidos de seda ou não. Saem os seres submissos, de feições frágeis e olhares assustados, para entrar em cena mulheres repletas de vida, capazes de sofrer e aprender a viver com suas dores, mas principalmente, capazes de lutarem com suas próprias mãos, quer seja por felicidade, respeito ou simplesmente, por amor. A mulher deixa de ser a coadjuvante das histórias para atuar de maneira fantástica em uma peça só delas, onde tudo pode acontecer, desde navios naufragados a amantes escondidos.

Capitu foi utilizada como personagem em uma minissérie na TV baseada no Livro Dom Casmurro

Capitu foi utilizada como personagem em uma minissérie na TV baseada no Livro Dom Casmurro

Acredito que Capitu seja fruto dessa revolução proposta por José. Apesar de a história ser contada por Dom, é ela o centro, a questão, o quadro a ser apreciado. E se não fosse por ela, não haveria graça e Dom Casmurro seria mais um desses livros chatos. Mas então tem os olhos oblíquos e dissimulados, uma coisa cigana, um ar de rainha em alguém que nasceu na plebe. De repente ela não é só um amor de menino e sim, o sonho de cada homem. E se eu fosse estúpida o suficiente, faria uma analogia ousada. Casaria uma personagem passada com uma que desfila nos dias de hoje, sob a vista dos avaros caçadores de histórias de cavalheiros, princesas e castelos. Como não conseguirei traçar uma linha lógica de Cersei Lannister até os cabelos escuros de Capitu, desisto antes mesmo de me divertir com a ideia de vislumbrar semelhanças em suas personalidades.
Pois bem, lá se foi Assis e Alencar, com suas divas, senhoras, esposas e Lucíolas. Abrirei as portas agora para Isabel Allende. A diva da literatura chilena, sobrinha do ex-presidente Salvador Allende. Isabel, juntamente com sua família e sim, é preciso saber sobre o ambiente em que vivia para entender sua mais fantástica obra, foi obrigada a fugir do seu então país, Chile, logo após o golpe militar que matou seu tio-presidente.
Seria morbidez dizer que há certos males que vem para o bem? Acredito nisso quando penso nessa história, repleta de simbolismos, saudosismo e acima de tudo, relatos de uma época triste em um país tão próximo. É uma graça ver a fantasia entrelaçar tão bem com a realidade, criando algo além de uma reles história. A Casa dos Espíritos é um livro capaz de trazer a sensação de transcendência da carne, expiação dos pecados e humanização dos sentimentos.
De maneira sucinta o enredo gira em torno de Clara e Esteban Trueba. Aprofunda-se no relacionamento conturbado dos dois, nos frutos provindos de suas coxas e na geração nascida de suas crias. Clara é mãe de Blanca, que por sua vez é mãe de Alba. Todas são constituídas por uma força guerreira e um coração enorme. São mulheres que nasceram para sobreviver a dores da alma e da carne. E um exemplo disso está no fato de que apesar da vergonha, Clara continua a sorrir até o fim de seus dias, mesmo após perder os dentes da frente por conta de um soco desferido por seu querido marido.

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Como se não bastassem todos os problemas familiares, rebenta-se o golpe militar e Alba então estudante/guerrilheira e neta de um grande senhor/político chileno, é presa e abusada física e psicologicamente em nome de uma bandeira que nem os soldados lembravam mais do que se tratava. E é aí que se encontra o brilhantismo de Allende. Suas mulheres não desistem. Seja do amor, da liberdade de expressão ou da família. Elas agarram com força e batem o pé, cospem na cara de militares, brigam com fantasmas e se embebedam até cair.
Pra entender o contexto todo, obviamente é necessário ler o livro. Não da para resumir em poucas palavras toda a profundidade humana presente em A Casa dos Espíritos. Seria imprudente, insano e uma tremenda falta de respeito. É preciso ter olhos para ler, bem como, coração para dar significado a tanta informação. Assim como não dá para afirmar que as sete personagens presentes nesse texto, são o resumo da força feminina literária. Não o são nem por brincadeira. Elas constituem parte de minha lista de preferências. Faltam nomes e histórias, bem como palavras de adoração.
Eu não falei de Madame Bovary, Dagny Taggart ou até mesma de Blue Van Meer. Não citei Layla, personagem fantástica de um livro espírita. Não comentei sobre “A mulher que escreveu a bíblia” do querido Scliar e muito menos adentrei ao universo de forças de Daenerys Targaryen. Como disse, não tenho poder de palavras suficientes para tanto. E o texto aqui, foi muito mais uma homenagem a minha adolescência, repleta de cenas pitorescas e românticas, reproduzidas diretamente dessas obras centradas em grandes mulheres.
Acredito que mulheres feitas de palavras, são tão fortes quanto às das telas de cinemas. E todas, sem nenhuma exceção, são o rascunho filosófico de alguém de carne, osso, alma e sentimentos. Por isso Feliz dia das Mulheres a todas aquelas que matam um leão por dia, usam salto alto e maquiagem para buscar os filhos na porta da escola e se emocionam com a leitura de grandes clássicos literários

Marasmo

Escritor é bicho estranho, fica procurando estórias para se inspirar e escrever, ladrão do cotidiano, transforma dor, amor, realidade, barulho em palavras. Em todo momento há um conto escondido, uma poesia pela cidade cinza, uma narração contada por barulhos, o escritor esperto faz texto de borboleta voando, silêncio adormecido, ruínas, aspirador, dia de domingo. E é isso, um ladrão diário.

E como ladrona do cotidiano, deixo esse conto, percebido pela observação dos meus dias.

“MARASMO”

Helena caminha sem sentidos, com um vestido de flores mortas, anda se arrastando por obrigação, devaneio. Atravessa as avenidas sem se preocupar com a velocidade dos automóveis. O ar acinzentado pairá em sua face e camufla em seus poros.

Se alimenta com refeições das propagandas enganosas da televisão, não sentindo o sabor e engolindo por pura necessidade fisiológica, seus livros são alimentos das traças, seus discos estão sendo arranhados pelo tempo, não escuta as melodias dos pássaros, acredita nas verdade mal contadas e tem sempre a mesma opinião dos assuntos. Está acomodada, seu corpo não sente endorfinas, e não dança as musicas pulsantes, seus desejos foram ofuscados pelo conforto, suicida diária. Já não sabe o que é sorrir, amar.

Deita em seu quarto e sente-se parte de sua cama, imóvel, como poeira esquecida.

Ela até que gostaria de sentir as cores vibrantes das pinturas dos museus, mas se contenta com as cores foscas do seu dia a dia. Alma vazia, se esvazia a cada dia, ausência de vida, remoto controle, uma realidade sem suspiros, sem sorrisos. A vida escorrega pelos seus dedos e ela não se preocupa, se afoga em dormências miseráveis de sentimentos.

Helena queria sentir a gravidade dentro de si, voar, mas se contenta em caminhar pela escadaria velha, passo a passo de cabeça baixa. Repete seus passos como uma oração, anda em círculos repetidos, repetindo cada minuto de sua falsa eternidade. Suas palavras ecoam um monólogo, um terremoto de escassas afirmações, suas veracidades egocêntricas.

Helena é um reflexo desses humanos que não vivem, simplesmente existem, que caminham sem reparar nas belezas diárias.

Beijoos.

Qual é?

Bela mensagem Ensine os homens a respeitar. Não as mulheres a temer

O que anda acontecendo com os homens desse mundo? Será que falar mentiras quando conhece alguém é a forma para tentar “pegar”? Não somos um objeto, somos seres humanos como eles e temos sentimentos. Na primeira noite o cara não deve forçar a menina a dar um beijo sequer, ou falar que é o porto seguro dela sem ela saber e que os dois terão uma noite incrível de sexo se ela nem está disposta a um beijo. Onde foi parar o cavalheirismo?

Enquanto uns inventam mentiras outros acham um absurdo quando a menina tem o domínio do próprio corpo e quer ter uma relação não séria, apenas para manter algo saudável e tranquilo, sem pressões, sem obrigações. Daquelas em que você chama a pessoa pra ver um filme e se depois surgir à vontade de algo mais ok, mas se não o que valeu foi apenas a companhia da pessoa.

Ou será que aquele cara que fala que está com outra mulher, mas que sente tesão por outra e quer de toda forma “comer” a menina porque os hormônios estão a flor da pele é tão incompreensível com os sentimentos de quem está com ele? Fica tendo casinhos pela internet enquanto a sua menina acredita que ele é o tipo de cara certo, cavalheiro, romântico. Pra que tanta hipocrisia?

É claro que a mulher que se dispõe a esse tipo de situação tem total liberdade de fazer isso e decidir por si se aceita essas propostas ou não. Mas o que me indigna é a cara de pau de querer se fazer de santo e de julgar as mulheres por seus atos se eles fazem o contrário daquilo que pregam.

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Marcha De La Mujer Latino Americana, Foz do Iguaçu, 08/03/2013

No dia 08 de março deste ano participei da Marcha De La Mujer Latino Americana aqui em Foz. E a sensação de estar na rua gritando que somos mulheres e não mercadoria, que merecemos respeito independente da roupa que queremos usar, foi libertador. Eu como mulher acho que devo tratar o próximo com respeito e espero o mesmo. E é exatamente por isso que todas espécimes e brotos que foram estavam na rua gritando e protestando. Pela igualdade em todos os sentidos, pela falta de respeito que a sociedade tem com o “sexo frágil”. Só que foram as nossas ancestrais que foram queimadas em uma indústria por querer seus direitos, foram elas que queimaram o sutiã e lutaram pelo anticoncepcional e o direito de fazer o que bem entender. São essas pessoas ditas como frágeis, chatas e sensíveis que conseguem andar num salto alto o dia todo, trabalhar, fazer depilação, aguentar a cólica todo mês, cuidar dos filhos e mais um milhão de coisas ao mesmo tempo.

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Marcha de La Mujer Latino Americana, Passando pela Avenida Brasil em Foz do Iguaçu

Na real os homens é que são frágeis perto de nós e o pior ainda é que com essa revolução feminina, nós conseguimos progredir, enquanto vocês queridos homens, só regrediram! E o pior de tudo é que a sociedade é tão hipócrita que se diz anti a ação machista, mas vejam só as três histórias que contei no começo deste texto. Um cara disse mentiras e no final tentou agarrar a menina a força, o outro falou que era conservador de mais pra outra menina e o último queria que a menina fosse o caso de sexo dele enquanto a atual rolo/ficante/namorada dele não transa com ele.

Só uma coisa pra finalizar: “A nossa luta é todos os dias, somos mulheres e não mercadorias!”

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Cartaz representando um dos versos cantados durante a marcha

Maria da Penha, força e coragem em combate à violência doméstica

O tabu que considera a mulher ser do sexo frágil já foi quebrado há muito tempo. As mulheres não apenas são capazes de fazer atividades masculinas, mas conseguem aguentar certas coisinhas a mais que os homens nem conseguem imaginar.

Mas se tratando em aguentar dores e sofrimentos, nem tudo são flores. Existem muitas mulheres que sofrem agressões domésticas o tempo todo. Atualmente a cada 2 minutos, cinco mulheres são espancadas no Brasil. Dentre elas, a homenageada do dia é a cearense Maria da Penha Maia Fernandes, mais conhecida por Maria da Penha.

Maria_da_Penha_PassaporteMaria da Penha era como a maioria das mulheres, tinha um bom emprego e aparentemente um bom casamento. Quem poderia imaginar que um professor universitário de economia poderia aterrorizar a vida dela para sempre. Ele tentou matá-la duas vezes, tendo a primeira deixado-a paraplégica. Não contente, ele tentou uma segunda, jogando ela dentro do chuveiro e tentar eletrocutá-la. Na primeira tentativa ele alegou pensar estar sendo vítima de assalto.

O agressor Marco Antonio Herredia Viveros foi a júri duas vezes, primeiro em 1991 quando os advogados conseguiram a anulação do julgamento. A segunda, em 1996, foi condenado a oito anos de prisão, mas os advogados entraram com recursos e cumpriu apenas dois anos. Atualmente ele está em liberdade.

Maria da Penha luta até hoje contra os crimes de violência à mulher. Ela é coordenadora da Associação de Estudos, Pesquisas e Publicações da Associação de Parentes e Amigos de Vítimas de Violência (APAVV); e também escreveu o livro “Sobrevivi… Posso Contar”, narrando a própria história.

Maria da PenhaO caso Maria da Penha ganhou repercussão internacional quando denunciado a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (OEA), assim o governo brasileiro sancionou a lei 11.340, em 2006, levando o nome dela. Precisou de 20 anos para que a mulher que confiava no marido pudesse enfim conseguir justiça.

Mas, depois de toda essa história é difícil acreditar como os homens ainda vivem na Idade da Pedra. As mulheres já se viram em mil para trabalhar, estudar, cuidar da casa e fazer um agrado aos maridos e namorados, e muitas recebem o mesmo que a Maria recebeu. Nenhuma justiça no mundo pode trazer os movimentos das pernas dela, mas os homens deveriam parar de imaginar que as mulheres devem fazer as suas vontades e cuidar da pessoa que mais faz de tudo para ver o lar em harmonia.

Maria da Penha é a guerreira que proporcionou a muitas mulheres a oportunidade de condenar os agressores. Poderia ser de outra maneira, mas nas duas tentativas de homicídio, ela conseguiu sobreviver para mostrar que essa realidade, infelizmente, invade muitas casas no Brasil.

As mulheres não deveriam precisar de leis e datas especiais para serem lembradas como tais. Elas precisam de igualdade e respeito, assim como todos os outros. Mulher sexo frágil, não mais. Homens que não merecem o titulo de “homem”, existem aos milhares.penha

Mulheres que você precisa conhecer

Hoje, dia 08 de março, dia internacional da mulher é o dia de dar visibilidade às nossas lutas. Para isso preparamos uma homenagem às mulheres que nos antecederam e que direta ou indiretamente abriram espaço para que hoje nós possamos nos pronunciar.
Elas são de diferentes esferas, mas têm em comum o fato de terem desafiado ao patriarcado e aos papéis de gênero por ele atribuídos. Comportando-se ou assumindo “posições” tidas como masculinas.

Pagu

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Nascida como Patrícia Rehder Galvão, Pagu foi uma escritora, poeta, diretora de teatro, tradutora, desenhista e jornalista. Reconhecida como uma das expoentes do movimento modernista, embora sem participação direta da Semana de Arte Moderna foi a primeira mulher a ser presa no Brasil, por motivos políticos.

Insubordinada, cortava o cabelo, fumava e falava palavrões. Teve muitos namorados, casou-se e se separou algumas vezes. Por fim, uma mulher dona de sua voz. Não por acaso Rita Lee lhe dedicou uma canção em que diz “sou Pagu indignada no palanque”. Amor define.

Leila Diniz

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Em uma sociedade extremamente machista e patriarcal como a brasileira uma mulher apaixonada pela liberdade como Leila não passaria impune. Professora do jardim de infância, Leiluska, tinha ideias revolucionárias sobre a maneira de estudar. Atriz versátil atuou em quatorze filmes, doze telenovelas e inúmeras peças teatrais.

Não era unanimidade, nem entre a esquerda muito mesmo na direita. Em sua “homenagem” foi criado o Decreto Leila Diniz que proibia manifestações culturais contrárias à moral e os bons costumes. Uma libertina, como nós. Afinal, já sentenciou Rita Lee “ toda mulher é meio Leila Diniz”.

Benedita da Silva

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Uma mulher negra, pobre e ligada às comunidades que ascendeu o poder e representou merece todo nosso respeito e admiração. Sua personalidade nos inspira, pois lutando contra o sistema Benedita se graduou aos 40 anos em Estudos Sociais e Serviço Social, além de ter ocupado diferentes cargos com vereadora, governadora, ministra e senadora – sendo a primeira mulher negra eleita.
Consciente de sua condição singular, Benedita é responsável por algumas das mais importantes políticas de afirmação da presença feminina na política. Por exemplo, a de paridade de gênero, que garante que 50% das vagas sejam destinadas às mulheres.

Marta

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Marta Vieira da Silva é a maior jogadora do mundo no país do futebol – em que não existe futebol feminino. Em um dos esportes mais machistas. Recordista Martinha já ganhou 5 vezes o prêmio de melhor jogadora, recorde. Nem outro jogador jamais alcançou esse feito, nem mesmo Messi, Ronaldo ou companhia. Mesmo sem apoio, Marta e a equipe brasileira estão em constante evidência. Para elas nossa gratidão.

Roberta Close

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Roberta, foi uma de nossas primeiras mulheres a conseguir adequar seu nome e gênero em documentos oficiais. Foi achacalhada por apresentadores e teve sua vida sondada pela mídia sensacionalista que não sabe o que é respeito. Com carreira internacional foi destaque do carnaval em 1984 além de participar de inúmeras campanhas e capas de muitas revistas.

Se há mais mulheres que nós deveríamos conhecer? Sem dúvidas, mas que esses exemplos nos sirvam de norte para que nós também sigamos buscando nossos direitos, sonhos e por que não, cerveja? Em suma: “Que nada nos defina. Que nada nos sujeite. Que a liberdade seja a nossa própria substância”. Beijos para a Simone, outra que você precisa conhecer.

Poesia pelos muros da fronteira

O Accion Poética, é um movimento mural-literário, que se espalha por toda América Latina, começou em 1994, em Monterrey no México, inspirado por Amando Alanis Pulido, cujo fim é a revalorização da palavra mediante a inclusão de poesia na paisagem urbana.
O movimento na fronteira visa a integração das três cidades, Foz do Iguaçu, Puerto Iguazú e Ciudad Del Este,

O ideia se consiste em muros brancos com frases pequenas em português, espanhol e guarani, sem vínculo religioso ou partidário. A ação se consiste de forma voluntária e gratuita, basta a permissão do morador para preencher os muros de poesia ou impacto. Todos podem participar, a poesia deve ser feita por todos, para todos

A reação das pessoas ao ver as pinturas é interessante, em meio as propagandas visuais de consumo, as mensagens se tornam algo incomum, muitos param, olham, ajudam, despertam.

A primeira Ação Poética aconteceu em clima de carnaval, no Cidade Nova. Em meio as marchinhas carnavalescas, com a ajuda dos moradores e das crianças na pintura. A frase é clássica do movimento, em espanhol “Sin poesía no hay ciudad”. Poesia despertando a  alma, cidade.

 

Nossos ajudantes:

A segunda Ação também aconteceu pelo Cidade Nova, moradores doaram seus muros e as poesias se fixaram.

O terceiro dia de Ação, aconteceu no centro, em um domingo ensolarado a galera pintou três muros. Afinal, carregamos todos os sonhos do mundo, não é?

Penso, logo incomodo.

Vamos passar pelas pontes, rios, estradas, atravessar as fronteiras.

Precisamos de muros, tintas e vontade para agregar nossas fronteiras, afinal, a poesia e a expressão não tem limites.

Para conhecer um pouco mais do movimento, só clicar na página do Facebook:

http://www.facebook.com/pages/Acci%C3%B3n-Po%C3%A9tica-Triple-Frontera-A%C3%A7%C3%A3o-Po%C3%A9tica-Tr%C3%ADplice-Fronteira/404331096319060