Sem apego, mais liberdade.

Devemos nos afastar de pessoas sangue-sugas, que só querem se nutrir de nossa boa vontade e de nossas energias vitais. Devemos ficar de olho com “amigos” que na teoria não nos querem bem, cair na real que nem todas as pessoas são boas. Não é feio confiar, mas é necessário ter um pé atrás para que não soframos, de anemia sentimental, mental e espiritual.

Algumas pessoas estão e ficam por perto, apenas para nos deixar para baixo, e se vivermos dia-a-dia assim, pode ser fatal, porque causa Insuficiência Vital. E cada dia vivido mais ou menos, ou vivido por gente que não merece, é um dia a menos vivido por nós mesmo.

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Não é egoísmo priorizar-se. Egoísmo é não se priorizar por medo de sofrer por algo que não está te fazendo bem. Mesmo assim tem a Dependência Sentimental de Apego, aquela doencinha chata que insiste em te manter perto do que não te faz bem, só pelo medo de perder o que, você já viu que nunca vai ser seu, pois pessoas tem vontade própria, e não são propriedades.

Elimine o que todo mundo já viu, inclusive você, elimine pessoas que estão te fazendo mal, pois permanecendo as mesmas nas linhas das nossas vidas, sempre corremos sérios riscos de perder a oportunidade de viver, e consequentemente nos entregamos a triste realidade do comodismo.
Convenhamos que o comodismo, deixa a alma pesada, o coração vazio e a mente ocupada- Simplesmente liberte-se para esperar o melhor. E não viva cada dia passado em águas mornas, pois a real intenção da vida é realmente viver até o último suspiro e aprender com todas nossas falhas, que nada mais é que o real sentido da nossa evolução.

Monogamia

Ah, o passado! Ele aparece na mente e não quer nem saber de sumir. Algumas vezes as lembranças são boas, mas na maioria nos mostra o que mais queremos esconder, esquecer. Seria fácil se ele ficasse apenas na cabeça, mas e quando outras pessoas conhecem esse lado sombrio? Fingir que nada aconteceu e mentir seria uma opção, mas e quando a pessoa que sabe tem grande importância na vida?

Algumas coisas como pequenos casos podem vir a tona, casos de quando se tinha 16 e 17 anos, tornando bem difícil a aceitação pela pessoa amada. É claro que confiança está em primeiro lugar, mas como provar que na atualidade aquela pessoa do passado cresceu e quer esquecer daqueles deslizes? Como mostrar que hoje o que realmente importa é dividir uma parte da prateleira de um guarda-roupa quebrado e não mais apenas dividir um pedaço do edredom. Como provar que dividir a escova de dentes é mais importante que apenas dividir uma parte do guarda-chuva. Ou melhor, como mostrar que apenas uma pessoa tem importância e não mais cinco de uma vez só?

O passado deixa marcas, muitas delas queremos esquecer. Esse passado é apenas uma história, como aparece na série Girls, você quer ter a experiência para que ela vire uma recordação. Mas hoje essas recordações só nos lembram o quão imaturas fomos um dia. O quão impulsivas nos tornamos apenas por um pedaço de carne. O quão aquilo nunca teve e nunca fez a diferença na vida, apenas hoje essa diferença aparece quando você exige credibilidade.

Um momento da vida você vai querer ter experiências monogâmicas, uma hora ou outra ela irá aparecer. Não adianta se esconder entre retratos e músicas do passado. Agora é o momento de escolher novas músicas, recordações e retratos que com o passar dos anos você realmente lembrará e sentirá falta.

Talvez isso seja amor, paixão ou qualquer nome que você queira dar. Mas estar com apenas uma pessoa é muito mais que apenas estar. É compartilhar sonhos, desejos, problemas, sexo e tudo de uma vez só. É ter amizade além de romance, é saber do que aquela pessoa precisa e fazer um agradinho, só para vê-la feliz. Monogamia é estar junto mesmo longe, pensar e sentir saudades durante o dia. Esses sentimentos não eram possíveis no passado, quando o único pensamento do dia era “quem eu vou pegar hoje”.

Monogamia é a prova de que aquele passado não existe mais e para mostrar que ele nunca irá voltar é apenas revelar o quão aquela pessoa faz a diferença durante o dia. Monogamia é a escolha de um estilo de vida, aquele que pode desencadear um futuro que você nunca imaginou um dia.

Homenagem para a mulher da minha vida

Estamos no mês de maio, o mês das mães e das noivas. Mas como ainda não sou e não conheço ninguém que está noiva, vamos homenagear as mães, em especial a minha.

Ser mãe não é nada fácil, primeiro quando se tem o bebê toda a atenção vai pra ele, são madrugadas a fio de dedicação e olheiras. Depois, a criança precisa ser educada, precisa dos cuidados médicos, roupas e brinquedos, lá se vai o salário do mês. Por último a adolescência, que muitos pais denominam “aborrescência”, aquela idade que o jovem não está nem aí para nada, a rebeldia chega e pronto, mais olheiras e cabelos brancos.

Tudo isso está ligado a dedicação dos pais, mas em especial quem se preocupa um pouco a mais é a mãe. Por motivos ainda não explicados, a mãe tem uma ligação a mais com os filhos, talvez seja pelos nove meses com aquela barriga pesada e com os hormônios a flor da pele. Ou talvez seja por que as mulheres em geral tem mais sensibilidade e de certa forma isso afeta mais em se tratando de filhos. Pois bem, as mães estão lá em todos os momentos da vida de um filho, em muitos casos essa parceria é muito difícil.

Minha mãe que o diga, logo que eu tive meus anos de “aborrescência” ela estava saindo de um casamento fracassado, como se não bastasse uma doença iria chocar a família, o câncer de mama. Eu me culpo por que na época eu era uma daquelas adolescentes que não ligavam pra nada a não ser para o próprio umbigo. Então eu dei trabalho na época que minha mãe mais precisou da compreensão de todos.

Enfim, com muita luta, já que meu pai não ajudou em nada e meus irmãos faziam faculdade particular, minha mãe conseguiu vencer o câncer e criar a filha caçula que ainda precisava de educação. Alguns anos mais tarde, eu comecei a entender mais as razões da vida e a compreender minha razão na sociedade, então as brigas tiveram outro cunho: o serviço doméstico.

Resumindo, a convivência com minha mãe não é das melhores, mas eu jamais fui uma filha problemática, envolvida com drogas ou com amigos indesejáveis. O único problema é a nossa diferença, talvez até igualdade, de gênios, temos ambas um gênio muito forte.

Minha mãe sempre lutou com todas as garras para ser uma boa mãe, como todas as outras. A diferença é que ela teve que lutar com um pouco mais de força e medo que talvez outras mulheres não tenham: o divórcio, o câncer, a falta de trabalho. Ainda assim ela conseguiu com que os filhos fossem pessoas descentes, nunca se envolvendo com problemas da sociedade moderna e sempre seguindo o melhor caminho para as conquistas.

Minha rainha, musa, diva...

Minha rainha, musa, diva…

Então minha homenagem vai para essa mãe, que me cuidou, educou, brigou, e mais ainda, me amou incondicionalmente. Peço desculpas pelos meus erros, mas quem nunca não é mesmo. Hoje eu tenho a consciência de que tudo aquilo foi para meu bem, um eterno clichê de todas as mães. Dona Marta Beatriz Tebes, este dia das mães é apenas mais um de todos os anos, mas você é especial para mim todos os outros 364 dias do ano. Te amo.

E um Feliz Dia das Mães!

 

 

Mulheres têm opção sim de querer ou não transar

Atualmente existem alguns mitos relacionados ao sexo e a preferência das mulheres. Alguns homens desavisados ainda pensam que elas aceitam toda e qualquer forma do ato, mas não é assim. Hoje as mulheres têm preferências, fazem sexo oral se quiserem e até comandam as posições. E tem mais um detalhe, se elas quiserem, podem ter mais de um parceiro sexual, aliás se não há comprometimento, ninguém tem nada haver com a vida de ninguém não é mesmo?

Como nos meus outros textos escrevi sobre machismo, hoje, digamos, seja mais um texto da saga contra o machismo. Alguns homens ainda não aceitam que as mulheres tenham vida sexual ativa. Para eles as mulheres que saem a noite, encontram alguém e vão direto pro “vamos ver”, são tachadas como putas, biscates, piriguetes e por aí vai.

Também acontece dos homens “pegarem” as tais mulheres, terem o melhor sexo da vida deles e dizerem pra meio mundo o que ela fez ou deixou de fazer. É engraçado, porque se ela for a mulher independente (estilo Samantha do Sex and The City), que simplesmente não quer passar a noite agarradinha com ele, no outro dia ele irá dizer poucas e boas sobre ela, tudo porque ela não precisa de homem para que a noite dela esteja completa, ela pode muito bem dormir sozinha.

A eterna Samantha, o exemplo de independência feminina

A eterna Samantha, o exemplo de independência feminina

Em muitos filmes e até em séries, alguns dos primeiros encontros mostra o homem empurrando a cabeça dela pra fazer o tal do boquete. Sério isso é muito desagradável. Quer dizer que se as mulheres estão lá no maior amasso, a noite só irá valer a pena se rolar um oral no cara. Já para o cara querer fazer um oral nela, leva no mínimo muitas semanas para acontecer. Ah, e não vamos esquecer daqueles que nem chegam perto por não gostarem. Só que ninguém pergunta se as mulheres gostam de fazê-lo certo?

Por receio de perder o homem, têm mulheres que se perguntam a todo momento se está fazendo tudo direitinho, como se fosse obrigação satisfazer o homem. Então mulherada segue uma dica, não é necessário fazer nada que não queira. Já ouviram falar naquela frase “Se ele ficar bravo porque você não quis dar pra ele, é porque ele não te merece”, acreditem, isso é muito real. Sexo é bom, façam sem ter peso na consciência e sem se apegar aquele cara. Nem se preocupem se ele não ligar no dia seguinte. Se rolou uma sintonia, com certeza ele irá procurar.

Para as mulheres que buscam um relacionamento, não será aquele cara idiota que empurrou a sua cabeça que irá conquistar essa vaga. Os relacionamentos nascem da amizade, da sintonia de ideias, do sexo (claro), mas muito mais que isso, do companheirismo. Todos procuram conforto num relacionamento, jamais dores de cabeça ou obrigações. Imaginem passar o resto da vida com uma pessoa egoísta que não dá a mínima para o que você quer.

Então se depois disso, você homem que está lendo, pensar “nossa essa guria não sabe o que fala”. Acreditem, podem falar mal de nós mulheres, mas não esqueçam que se não for bom, nós nem faremos questão de atender às suas ligações.

Nostalgias de ex-namorados

Ex-namorados são como restaurantes. Você tem uma primeira impressão, seja por uma olhada ou por indicação. Você entra, observa o menu e usufrui de todos os serviços, até ficar bem satisfeita. Depois você analisa o ambiente, a comida, os funcionários e a condição do banheiro. Quando não se tem mais nada a fazer ali, você vai embora revelando a real situação do local, seja para o bem quanto para o mal.

Todos já tiveram ex-namorados que deixaram marcas, boas ou ruins. Para chegar a essa conclusão, foi preciso experimentar e o começo é sempre bom, até conhecer alguns defeitos que talvez deixassem a desejar.

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Mas porque quando lembramos dos ex pensamos no início? Fixamos aquele momento na mente como se só houvesse aquilo durante o tempo que ficaram juntos. Seria melhor lembrar dos momentos fracassados e os motivos que levaram à falência, do que o início maravilhoso.

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Por incrível que pareça, o começo dos relacionamentos deixam marcas que perduram por toda a vida. As músicas, os lugares, até mesmo roupas são representações daqueles momentos. Haja o que houver, são esses fatos que serão lembrados quando aquele momento é experimentado novamente.

As pessoas, depois de um breve período de tempo, relembram as coisas boas vividas, como uma espécie de catarse para os momentos ruins, porém, isso causa um certo conflito de sentimentos. Aquele relacionamento terminou por que alguma coisa deu errado, mas as pessoas lembram quando aquele período foi bom e sentem saudade daquele relacionamento, apenas lembrando dos bons momentos.

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Isso não quer dizer que você ainda goste do ex, mas com certeza aquele início marcou uma nova fase em sua vida. Por mais que você não queira, ele esteve lá, fazendo parte dessa fase. A questão disso tudo é que apesar dos pesares, o passado bom que os ex-namorados deixaram ficarão registrados. Mas só como uma fase boa, como uma experiência para os próximos relacionamentos ou fazer da maneira certa desta vez ou errar novamente.

Mulheres da Literatura

Mulheres e Livros

No inicio da semana passada as meninas propuseram homenagear as “grandes” mulheres da história, discorrendo sobre os maiores feitos alcançados por elas nesse último século. Afinal, mulher é muito mais que peito e bunda. Mulher é alma e causa. Ação e reação. E acima de tudo é testemunha e jurada de séculos e mais séculos de machismo trucidante.
Propus algo diferente. Se acabou ou não a semana da mulher, fica a seu critério querido leitor (a). Para mim, todas as semanas são nossas, bem como os meses e os anos. Por que nos relegarmos a apenas um dia no calendário? Por que esperar por uma data somente, quando podemos celebrar todas as horas como se fosse uma festa onde a maior atração é estarmos simplesmente vivas?
Pois bem mulheres. Proponho a convocação de todos os deuses e almas, um festival eterno de sorrisos e flores. Onde não haja motivos para choro, muito menos tristeza. Sugiro que o riso argentino de Aurélia seja a música ambiente e que os olhos de ressaca de Capitu virem aquarelas vivas penduradas pelo salão, com o único intuito de seduzir homens, desarmar exércitos e conquistar territórios inexplorados.
Nos armemos com as palavras dessas mulheres floridas que desbravaram um universo repleto de heróis masculinos. Mulheres capazes de desgraçarem vidas com um olhar e levarem famílias a bancarrota com apenas um beijo. Gostaria que falássemos sobre Marguerite/Lucíola sem nos envergonhar das fraquezas humanas ou da languidez da alma.
Pode soar egoísta, feminista ou sem nexo. Mulher tem dom, direito e dever de não fazer sentido. E assim como todas as personagens fortes do universo feminino literário, tudo isso não passa de meras e envelhecidas palavras. Mas que pela antiguidade e as marcas do uso, ganham o poder do respeito.
Que fique claro, as personagens citadas aqui fazem parte da minha coleção de lembranças literárias e elas serão descritas por uma entusiasta das visões prosaicas masculinas sobre o mundo feminino. Sou uma “alma velha” que se apaixonou a primeira vista por Alencar, tomou gosto por um tal de Assis, tentou se encantar por Guimarães Rosa, mas ao fim, descobriu que seu tipo faz parte da sessão empoeirada e amarelada de “literatura estrangeira”.

José de Alencar, escritor urbanista do século 19

José de Alencar, escritor urbanista do século 19

Aurélia, Emília e Lucíola, para mim, as três mais belas jovens dos salões de festa da alta sociedade do Rio de Janeiro do século 19. Não desconsidero, é claro, Ceci ou qualquer outra moça que tenha brilhado nas noites de galas, oferecidas por velhos barões ou jovens casais. Noites essas tão bem descritas que sempre acho possível ouvir o riso, sentir o cheiro das velas e o gosto do Xerez (um tipo de vinho espanhol, muito apreciado pelas personagens citadas). Talvez, o mais certo e justo, fosse falar delas separadamente, por conta das nuances em suas personalidades. Mas não tenho poder de escrita para tanto. Sei apenas que tais personagens podem ser consideradas um marco na literatura brasileira e não digo isso somente por admirá-las, afinal os fatos históricos estão aí e a mostra. Alencar elevou a mulher ao mesmo patamar dos homens. Hoje, isso pode não ser considerado nada, mas imaginemos uma época onde o patriarcalismo familiar impedia a ascensão feminina. Dessa forma, Alencar ao dar-lhes o poder da argumentação, explicitar o dom da sedução e assegurar a obstinação de caráter, abriu espaço para sonhos e questionamentos. Mostrou que a mulher além de poder sonhar com amores e príncipes, pode e deve desbravar o mundo dos negócios, se vingar de quem lhe fez mal e ser ela mesma, em vestidos de seda ou não. Saem os seres submissos, de feições frágeis e olhares assustados, para entrar em cena mulheres repletas de vida, capazes de sofrer e aprender a viver com suas dores, mas principalmente, capazes de lutarem com suas próprias mãos, quer seja por felicidade, respeito ou simplesmente, por amor. A mulher deixa de ser a coadjuvante das histórias para atuar de maneira fantástica em uma peça só delas, onde tudo pode acontecer, desde navios naufragados a amantes escondidos.

Capitu foi utilizada como personagem em uma minissérie na TV baseada no Livro Dom Casmurro

Capitu foi utilizada como personagem em uma minissérie na TV baseada no Livro Dom Casmurro

Acredito que Capitu seja fruto dessa revolução proposta por José. Apesar de a história ser contada por Dom, é ela o centro, a questão, o quadro a ser apreciado. E se não fosse por ela, não haveria graça e Dom Casmurro seria mais um desses livros chatos. Mas então tem os olhos oblíquos e dissimulados, uma coisa cigana, um ar de rainha em alguém que nasceu na plebe. De repente ela não é só um amor de menino e sim, o sonho de cada homem. E se eu fosse estúpida o suficiente, faria uma analogia ousada. Casaria uma personagem passada com uma que desfila nos dias de hoje, sob a vista dos avaros caçadores de histórias de cavalheiros, princesas e castelos. Como não conseguirei traçar uma linha lógica de Cersei Lannister até os cabelos escuros de Capitu, desisto antes mesmo de me divertir com a ideia de vislumbrar semelhanças em suas personalidades.
Pois bem, lá se foi Assis e Alencar, com suas divas, senhoras, esposas e Lucíolas. Abrirei as portas agora para Isabel Allende. A diva da literatura chilena, sobrinha do ex-presidente Salvador Allende. Isabel, juntamente com sua família e sim, é preciso saber sobre o ambiente em que vivia para entender sua mais fantástica obra, foi obrigada a fugir do seu então país, Chile, logo após o golpe militar que matou seu tio-presidente.
Seria morbidez dizer que há certos males que vem para o bem? Acredito nisso quando penso nessa história, repleta de simbolismos, saudosismo e acima de tudo, relatos de uma época triste em um país tão próximo. É uma graça ver a fantasia entrelaçar tão bem com a realidade, criando algo além de uma reles história. A Casa dos Espíritos é um livro capaz de trazer a sensação de transcendência da carne, expiação dos pecados e humanização dos sentimentos.
De maneira sucinta o enredo gira em torno de Clara e Esteban Trueba. Aprofunda-se no relacionamento conturbado dos dois, nos frutos provindos de suas coxas e na geração nascida de suas crias. Clara é mãe de Blanca, que por sua vez é mãe de Alba. Todas são constituídas por uma força guerreira e um coração enorme. São mulheres que nasceram para sobreviver a dores da alma e da carne. E um exemplo disso está no fato de que apesar da vergonha, Clara continua a sorrir até o fim de seus dias, mesmo após perder os dentes da frente por conta de um soco desferido por seu querido marido.

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Como se não bastassem todos os problemas familiares, rebenta-se o golpe militar e Alba então estudante/guerrilheira e neta de um grande senhor/político chileno, é presa e abusada física e psicologicamente em nome de uma bandeira que nem os soldados lembravam mais do que se tratava. E é aí que se encontra o brilhantismo de Allende. Suas mulheres não desistem. Seja do amor, da liberdade de expressão ou da família. Elas agarram com força e batem o pé, cospem na cara de militares, brigam com fantasmas e se embebedam até cair.
Pra entender o contexto todo, obviamente é necessário ler o livro. Não da para resumir em poucas palavras toda a profundidade humana presente em A Casa dos Espíritos. Seria imprudente, insano e uma tremenda falta de respeito. É preciso ter olhos para ler, bem como, coração para dar significado a tanta informação. Assim como não dá para afirmar que as sete personagens presentes nesse texto, são o resumo da força feminina literária. Não o são nem por brincadeira. Elas constituem parte de minha lista de preferências. Faltam nomes e histórias, bem como palavras de adoração.
Eu não falei de Madame Bovary, Dagny Taggart ou até mesma de Blue Van Meer. Não citei Layla, personagem fantástica de um livro espírita. Não comentei sobre “A mulher que escreveu a bíblia” do querido Scliar e muito menos adentrei ao universo de forças de Daenerys Targaryen. Como disse, não tenho poder de palavras suficientes para tanto. E o texto aqui, foi muito mais uma homenagem a minha adolescência, repleta de cenas pitorescas e românticas, reproduzidas diretamente dessas obras centradas em grandes mulheres.
Acredito que mulheres feitas de palavras, são tão fortes quanto às das telas de cinemas. E todas, sem nenhuma exceção, são o rascunho filosófico de alguém de carne, osso, alma e sentimentos. Por isso Feliz dia das Mulheres a todas aquelas que matam um leão por dia, usam salto alto e maquiagem para buscar os filhos na porta da escola e se emocionam com a leitura de grandes clássicos literários

Mulher dona de casa? Não mais!

Até quando a mulher será tachada como uma empregada doméstica? Durante os últimos dias, eu sofri com esse preconceito. Me ofereci a cuidar de uma pessoa acidentada, tudo certo até aí, porém as pessoas acreditam que prestar assistência é sinônimo de “vou fazer a faxina em sua casa Sir!”. Resumindo, nós mulheres devemos apenas ser úteis para serviços domésticos. Não importa a ocasião, o grau de escolaridade ou a profissão, o trabalho dentro de casa é “obrigação” das mulheres. mulher A história da humanidade foi muito cruel com o sexo feminino. Pequenas coisas, como por exemplo respeito, demoraram muito para acontecer. Visto isso, as mulheres para conseguirem uma boa reputação e até mesmo um marido, precisavam ser prendadas (saber bordar, cozinhar, limpar a casa, tocar piano e outras coisinhas a mais). A casa era dever exclusivo de todas as mulheres, só que essa atitude persegue as do século XXI. Homens do mundo moderno entendam: as mulheres já se tornaram engenheiras, médicas, juízas, promotoras, delegadas, ou no meu caso, jornalista. As tarefas de casa, podem (e devem) ser compartilhadas com todos envolvidos. Pensar que isto é coisa de mulherzinha é machismo. Machismo para mim é sinônimo de antiguidade. mulher-do-trabalho-doméstico-28960829 Com tanta independência e autonomia, as mulheres podem escolher as prioridades diárias da vida. Hoje em dia as mulheres fazem o que realmente querem naquele exato momento. Por questões profissionais, tentam resolver os problemas do trabalho, algumas fazer cursos, pensam nas escolas dos filhos, até mesmo cuidam para que o casamento não termine. São muitas coisas que ganharam o lugar das atividades domésticas. A casa já não é mais o lugar onde se encontra mulheres que apenas vivem para isso. trabalho-doméstico Então uma dica para os homens, esqueçam das mulheres para que somente elas realizem a faxina dentro de casa. Mas entendam a rotina diária das mesmas, as circunstâncias e ajudem. Respeitem a igualdade que elas demoraram a conseguir, e não precisam ter vergonha em dividir tudo. Lembrem-se, o mundo moderno exige apenas respeito entre todos.