Desventuras de uma professora frustrada: sobre o Enem

Na semana em que alguns textos do Enem foram divulgados na internet, uma turbulência de sentimentos assolou a minha mente.

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Professor Raimundo, frustrado com o salário. Só com o salário?

E o que que eu tenho a ver com isso? Me perguntei a certa altura. Tudo! Embora não exerça a profissão, sou licenciada em Letras, ou seja, professora de português. Dediquei quatro anos da minha vida a estudos voltados para a sala de aula. Aprendi sobre literatura, linguística, metodologia, didática e tudo o mais. Entrei na sala de aula durante os estágios. O que quer dizer que tive acesso, mesmo que temporário e mínimo, ao universo escolar, o que me dá  o direito de falar sobre assunto.

Quando vi os comentários a respeito dos textos (falando sobre o ‘deboche’ de alguns alunos e dos erros de português), lembrei de todo um sonho que deixei para trás – justamente por situações como estas.

E diante de toda essa situação, resolvi escrever sobre o assunto na tentativa de levantar algumas questões que deveriam ser pensadas por todos os brasileiros que se preocupam com a educação.

Primeiro, a idoneidade do Enem

Quando surgiu, em 1998, o Exame Nacional do Ensino Médio tinha o objetivo subentendido em sua nomenclatura, isto é, avaliar os conhecimentos dos alunos recém formados no ensino médio. Com caráter voluntário, esta era a sua única função. Na época, ele era usado para medir a qualidade do ensino e por alunos que queriam testar seus conhecimentos e ter uma noção de como seria seu desempenho durante o vestibular. Até aí, tudo bem já que aqui não vou entrar no quesito ‘questões’ ou ‘formato de avaliação’.

Em 2004, o Enem passou a ser usado no ProUni e quem ia bem no Exame tinha chances de ganhar uma bolsa em faculdades privadas. Há pouco tempo, ele passou a ser usado como ‘vestibular’ de muitas faculdades. Foi aí que surgiram os problemas.

Os escândalos envolvendo o Enem

Em 2009, provas vazaram e o retentor das mesmas pediu dinheiro em troca de uma reportagem a respeito do caso. Foram necessários 45 dias para reformular uma nova prova. Em 2010, as provas apareceram com erros gráficos (questões sem respostas ou com respostas duplicadas). Em 2011, depois de o Exame ter sido aplicado no Brasil inteiro, descobriram que a mesma prova já havia sido feita por alunos de uma escola em Fortaleza.

Por três anos consecutivos houve problemas e, agora, as redações do ano passado, 2012, caem na boca do povo. Dessa vez, foram colocados em pauta os critérios de avaliação dos textos.

Pesquisando, descobri que 30 pessoas que tiraram a nota máxima enviaram seus textos para análise em faculdades federais. E existe a possibilidade de mais pessoas terem suas redações avaliadas como perfeitas. Ou quase perfeita, já que o pessoal das faculdades mostrou que todos os textos analisados não poderiam, em hipótese alguma, ter tirado a nota 1.000. Até porque é humanamente impossível alguém escrever um texto perfeito, sem consultar referências mais detalhadas ou mesmo o dicionário, no tempo de 4 horas (gente, não existe texto perfeito, ok?) Ou seja, a nota máxima deveria ser algo raro e se 30 pessoas tiram a nota máxima, já é possível dizer ‘opa’ tem alguma coisa errada aí.

Se isso aconteceu, por que ficar em choque com a nota mediana dos alunos que debocharam no texto?

Vi muitos comentários ridicularizando os alunos, gente se perguntando ‘onde é que a educação vai parar’, sem falar nas famosas pérolas que são disseminadas na internet como motivos de risos e piada.

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O Professor Girafales, este sim já aguentou muitas ‘pérolas’.

Pessoal, não é legal ficar rindo do erro dos outros e colocar a culpa nos professores de português! É muito fácil a gente julgar o que é mais próximo da gente (lidamos com a Língua diariamente, escrevemos, nos comunicamos com ela). Por que não falar do péssimo índice em química? Geografia? Ou pelo menos nas controvérsias que foram encontradas nas provas dessas matérias? O que quero dizer é por que não comentar as falhas do Enem como um todo?

Embora eu ache desnecessário e uma falta de noção expor essas redações na internet, esta ‘divulgação’ serviu para alguma coisa: abrir nossos olhos em relação à seriedade deste país. Sim, do país como estado. Afinal, um Exame que serve como vestibular em várias faculdades espalhadas peo Brasil não deveria ter tantos erros, tantos problemas. É por isso que eu entendo os alunos que debocharam nas redações. Por que é que eu vou levar uma prova a sério se o país não me respeita? Pra que que eu vou estudar se tudo no Brasil funciona assim mesmo?

Se é dessa forma que os alunos pensam, eu não sei. Mas com estes acontecimentos, não fica difícil acreditar em uma suposição como esta. A nação deveria servir como exemplo, sobretudo os recursos usados para avaliar os rumos educacionais desta nação. Ah, esqueci, a culpa disso é tudo dos brasileiros, do povo que não sabe eleger seus representantes, não entende e odeia política. Se você pensa diferente, vem me dá um abraço!

Agora é possível entender o meu título? Ou pelo menos por que me considero uma professora frustrada?

Para encerrar, sim, eu sei que errar é humano. Mas, errar por quatro anos consecutivos, não, viu? Ou as autoridades não estão preocupadas em fazer o Enem (e a educação como um todo) dar certo?

Crédito das Imagens: Folha Uol e Jeremias Cartoons.

Qual é?

Bela mensagem Ensine os homens a respeitar. Não as mulheres a temer

O que anda acontecendo com os homens desse mundo? Será que falar mentiras quando conhece alguém é a forma para tentar “pegar”? Não somos um objeto, somos seres humanos como eles e temos sentimentos. Na primeira noite o cara não deve forçar a menina a dar um beijo sequer, ou falar que é o porto seguro dela sem ela saber e que os dois terão uma noite incrível de sexo se ela nem está disposta a um beijo. Onde foi parar o cavalheirismo?

Enquanto uns inventam mentiras outros acham um absurdo quando a menina tem o domínio do próprio corpo e quer ter uma relação não séria, apenas para manter algo saudável e tranquilo, sem pressões, sem obrigações. Daquelas em que você chama a pessoa pra ver um filme e se depois surgir à vontade de algo mais ok, mas se não o que valeu foi apenas a companhia da pessoa.

Ou será que aquele cara que fala que está com outra mulher, mas que sente tesão por outra e quer de toda forma “comer” a menina porque os hormônios estão a flor da pele é tão incompreensível com os sentimentos de quem está com ele? Fica tendo casinhos pela internet enquanto a sua menina acredita que ele é o tipo de cara certo, cavalheiro, romântico. Pra que tanta hipocrisia?

É claro que a mulher que se dispõe a esse tipo de situação tem total liberdade de fazer isso e decidir por si se aceita essas propostas ou não. Mas o que me indigna é a cara de pau de querer se fazer de santo e de julgar as mulheres por seus atos se eles fazem o contrário daquilo que pregam.

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Marcha De La Mujer Latino Americana, Foz do Iguaçu, 08/03/2013

No dia 08 de março deste ano participei da Marcha De La Mujer Latino Americana aqui em Foz. E a sensação de estar na rua gritando que somos mulheres e não mercadoria, que merecemos respeito independente da roupa que queremos usar, foi libertador. Eu como mulher acho que devo tratar o próximo com respeito e espero o mesmo. E é exatamente por isso que todas espécimes e brotos que foram estavam na rua gritando e protestando. Pela igualdade em todos os sentidos, pela falta de respeito que a sociedade tem com o “sexo frágil”. Só que foram as nossas ancestrais que foram queimadas em uma indústria por querer seus direitos, foram elas que queimaram o sutiã e lutaram pelo anticoncepcional e o direito de fazer o que bem entender. São essas pessoas ditas como frágeis, chatas e sensíveis que conseguem andar num salto alto o dia todo, trabalhar, fazer depilação, aguentar a cólica todo mês, cuidar dos filhos e mais um milhão de coisas ao mesmo tempo.

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Marcha de La Mujer Latino Americana, Passando pela Avenida Brasil em Foz do Iguaçu

Na real os homens é que são frágeis perto de nós e o pior ainda é que com essa revolução feminina, nós conseguimos progredir, enquanto vocês queridos homens, só regrediram! E o pior de tudo é que a sociedade é tão hipócrita que se diz anti a ação machista, mas vejam só as três histórias que contei no começo deste texto. Um cara disse mentiras e no final tentou agarrar a menina a força, o outro falou que era conservador de mais pra outra menina e o último queria que a menina fosse o caso de sexo dele enquanto a atual rolo/ficante/namorada dele não transa com ele.

Só uma coisa pra finalizar: “A nossa luta é todos os dias, somos mulheres e não mercadorias!”

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Cartaz representando um dos versos cantados durante a marcha

Maria da Penha, força e coragem em combate à violência doméstica

O tabu que considera a mulher ser do sexo frágil já foi quebrado há muito tempo. As mulheres não apenas são capazes de fazer atividades masculinas, mas conseguem aguentar certas coisinhas a mais que os homens nem conseguem imaginar.

Mas se tratando em aguentar dores e sofrimentos, nem tudo são flores. Existem muitas mulheres que sofrem agressões domésticas o tempo todo. Atualmente a cada 2 minutos, cinco mulheres são espancadas no Brasil. Dentre elas, a homenageada do dia é a cearense Maria da Penha Maia Fernandes, mais conhecida por Maria da Penha.

Maria_da_Penha_PassaporteMaria da Penha era como a maioria das mulheres, tinha um bom emprego e aparentemente um bom casamento. Quem poderia imaginar que um professor universitário de economia poderia aterrorizar a vida dela para sempre. Ele tentou matá-la duas vezes, tendo a primeira deixado-a paraplégica. Não contente, ele tentou uma segunda, jogando ela dentro do chuveiro e tentar eletrocutá-la. Na primeira tentativa ele alegou pensar estar sendo vítima de assalto.

O agressor Marco Antonio Herredia Viveros foi a júri duas vezes, primeiro em 1991 quando os advogados conseguiram a anulação do julgamento. A segunda, em 1996, foi condenado a oito anos de prisão, mas os advogados entraram com recursos e cumpriu apenas dois anos. Atualmente ele está em liberdade.

Maria da Penha luta até hoje contra os crimes de violência à mulher. Ela é coordenadora da Associação de Estudos, Pesquisas e Publicações da Associação de Parentes e Amigos de Vítimas de Violência (APAVV); e também escreveu o livro “Sobrevivi… Posso Contar”, narrando a própria história.

Maria da PenhaO caso Maria da Penha ganhou repercussão internacional quando denunciado a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (OEA), assim o governo brasileiro sancionou a lei 11.340, em 2006, levando o nome dela. Precisou de 20 anos para que a mulher que confiava no marido pudesse enfim conseguir justiça.

Mas, depois de toda essa história é difícil acreditar como os homens ainda vivem na Idade da Pedra. As mulheres já se viram em mil para trabalhar, estudar, cuidar da casa e fazer um agrado aos maridos e namorados, e muitas recebem o mesmo que a Maria recebeu. Nenhuma justiça no mundo pode trazer os movimentos das pernas dela, mas os homens deveriam parar de imaginar que as mulheres devem fazer as suas vontades e cuidar da pessoa que mais faz de tudo para ver o lar em harmonia.

Maria da Penha é a guerreira que proporcionou a muitas mulheres a oportunidade de condenar os agressores. Poderia ser de outra maneira, mas nas duas tentativas de homicídio, ela conseguiu sobreviver para mostrar que essa realidade, infelizmente, invade muitas casas no Brasil.

As mulheres não deveriam precisar de leis e datas especiais para serem lembradas como tais. Elas precisam de igualdade e respeito, assim como todos os outros. Mulher sexo frágil, não mais. Homens que não merecem o titulo de “homem”, existem aos milhares.penha

Guerreiras

Editora Responsável: Priscila Martz

Janeiro, período de férias e estava lá eu matando o tempo, estirada no sofá, quando ligo a TV e fico trocando de canal. Cansada de apertar os botões, deixo em uma emissora qualquer e fico ali observando as propagandas, expectadora de algumas idiotices, e me aparece uma campanha publicitária que vou resumir:

Aparece uma mulher sorridente dizendo que nós mulheres sempre sonhamos com um marido bonito, rico e afins, porque afinal, nós mulheres sempre desejamos o melhor, o pior de tudo é quando ela diz que desejamos o melhor para a nossa casa, por isso devemos usar tal produto.

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Quase taquei o controle na TV. Como assim? Sonhamos só com um homem e com uma casa limpa?

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Achei plenamente injusto, um reforço do patriarcalismo dominante, como se a gente só existisse para arrumar a casa, cuidar dos filhos e mimar o maridão. Isso vem desde cedo, onde nós meninas, ganhávamos panelinhas, vassourinhas, bebês de brinquedo (que hoje em dia até sujam as fraldas e arrotam), e claro, além de todos essas tarefas, precisamos trabalhar para ajudar na renda da casa, estudar, estar sempre produzida, e quando dá, cuidar dos nossos projetos pessoais. Parece que não somos humanas, somos robôs programadas, uma máquina de lavar, como se não tivéssemos o direito de sonhar, ter desejos, realizar nossos projetos pessoais. Por que para ser feliz precisamos de um marido e uma casa para limpar? Por mais projetos que você tenha, sempre haverá uma avó perguntando: – E os namorados?

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E sabe o que eu observo? Muitas mulheres frustradas, encucadas com uma ideia fixa desde a infância, que ela somente pode ser feliz se tiver um homem. Amores, acima de tudo devemos nos amar, a felicidade consiste em nós mesmos e só nós podemos designar o que nos fará feliz ou não.

A conclusão disto tudo é que não somos seres inferiores aos homens, mesmo com os preconceitos que rodeiam a nossa volta, como os salários mais baixos (dados do IBGE indicam que o salário das mulheres equivale a 72,3% do salário dos homens), e todo o trabalho doméstico realizado, que aos olhos de muitos passa despercebido ou desvalorizado, somos seres humanos, e não somente um gênero, os afazeres domésticos devem ser de responsabilidade de todos, ou seja, fazer a divisão das mesmas.

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E quanto à propaganda, muitas de nós mulheres não sonhamos só com o marido (e claro, isso numa relação heterossexual, pois as mulheres podem querer outras mulheres e os homens outros homens), sonhamos acima de tudo em ser respeitadas, com nossos direitos além do papel, sonhamos em viajar, ser artistas, em quebrar tudo que é imposto a nós de forma humilhante, queremos não ser julgadas, queremos acima de tudo ser feliz.

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Bom, este post é dedicado a todas as mulheres deste mundão, que despertam antes do sol nascer, voltam pra casa quando o sol está se pondo e enfrentam o machismo no dia a dia, sabemos que não é fácil, mas nem por isso desistimos. À todas as mães, irmãs, estudantes, sonhadoras, à todas nós, mulheres.

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Shhh: silêncio!

Editora Responsável: Roberta Rodrigues

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“Carla, até entendo que essas discussões sejam pertinentes, mas não seria melhor falar de coisas boas? Sabe, o mundo anda cheio de pessoas más, cometendo crimes, sendo preconceituosas, matando, roubando, enganando e tals. As mulheres, os gays, os negros e as minorias, em geral, são oprimidos isso é fato e não vai mudar porque tu quer e ficar postando coisas não adianta” (sic).

Acreditem, ouvi essas palavras acima. O mais chato é que o discurso, com algumas variações, já foi repetido por diferentes pessoas e que são nada parecidas entre si. O que isso me indica?

Hipótese: sou uma chata que posto coisas desinteressantes.

OK. Concordo em partes. Talvez, as pessoas não queiram saber que crianças são exploradas, meninas se suicidam por culpa do bullying, mulheres sofrem estupros coletivos e negros são vitimas de racismo em diferentes esferas.

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Claro, como é bem observado pelas pessoas que me dizem que devo parar de postar essas “coisas” – assim como é melhor que eu pare de discutir e apenas guardar a minha opinião para mim – o silêncio é curador.

Prestem atenção para a dica: não gosta de algo, do seu salário ser mais baixo, por exemplo, basta ficar quieta que isso mudará. Nem pense em pedir aumento, fique em silêncio e, de preferência reze para que as coisas melhorem. É mágico, basta parar de se preocupar com algo que ele desaparecerá.

Funciona mesmo. Eu, por exemplo, parei de postar coisas “ruins” e desde então mulheres não são mais mortas por seus parceiros, crianças brancas e negras são tratadas da mesma maneira e me parece que há uma ditadura gay vindo por aí. Lindo né? SÓ QUE NÃO.

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Mais do que nunca precisamos discutir as verdades (im)postas. Devemos nos posicionar, assumir responsabilidade e fazer algo para mudar. Nem que seja por meio das redes sociais, ou coisa que o valha. Afinal, o silencia só agrada aos que não têm muito a dizer.

Ressalva: não peço que tenham a mesma opinião que eu, isso não é saudável. Quero discussão,  questionamento e tudo mais que for para melhorar o mundo ou a nossa realidade. Por fim, desejo que recusemos ao silêncio, pois enquanto não nos deixarem sonhar, não devemos deixar que eles durmam.

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Os opostos se explodem

Editora Responsável: Roberta Rodrigues

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Dizem por aí que os opostos se atraem, de fato isso ocorre… Mas sempre dá merda. A verdade é que nós seres humanos por algum motivo sentimos a necessidade de nos provar certos, alguns mais que os outros, o que mostra o quão desesperados por aceitação estão, este é o meu caso.

Imaginem – tudo que for dizer aqui pode ser invertido – cristão e atéia, analfabeto e grammar nazi, ele era punk, ela dançava ballet, ele era um skatista e ela disse: te vejo mais tarde piá; Bolsonaro com Jean Willys, imaginem só na TPM do Bolsonaro… O estrago de uma explosão é causado justamente pela pressão que as particulas agitadas, tentando expandir seu alcance, causam, pois sou muito bom com analogias.

Fui agnóstico por um bom tempo na minha vida, bem caladinho, tranquilo. Cresci um pouquinho, já fui dispensado por menina que queria um rapaz que amasse a Deus primeiro. Cresi mais um pouquinho e comecei a apreciar um bom humor negro e um “humor ateu”, não só de página de facebook, mas isso principalmente, pois é o que causa mais brigas, por causa da visibilidade, desde então, além dos cuecas desocupados, já tive ex me dizendo q na nossa época não sabia que eu era tão babaca e que ia arder no inferno, por aí, não contarei da quantidade de namoradas com problemas emocionais que tive, mas por terem sido minhas namoradas, isso estaria subentendido, seja como causa, ou consequência.

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A verdade é, temos em uma casa, um ateu e uma cristã, como será a orientação religiosa dessa criança? Um ateu poderia muito bem concordar em não tentar influenciar, mas também não permitiria a influência, já a mãe, faz parte de sua religião, o batismo(caso católica), a frequência na missa e por aí vai. Rockeiros e adeptos do sertanejo, como vai ser pra dividir o som da casa? Não digo que há uma impossibilidade de convivência, apenas que temos um grande impasse, o conflito é iminente e em algum momento chegará.

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Podemos falar de espaço, mas será que é tão fácil assim respeitar espaços? Creio que cada um tem um seu, alguns são mais expansivos, outros introspectivos, o meio termo está em algum lugar entre as duas opções para ambos, expansivos entram em choque, introspectivos não se batem, não há contato, no meio termo encontramos algo morninho, já expansivos, engolem os introspectivos, mas há gosto pra tudo e todo mundo dá uma variada, humanos são fáceis de se entender, mas difíceis de se explicar e generalizar.

Grammar Nazi* = Seriam como os nazistas da gramática, ou seja, aqueles que não aceitam aqueles que são analfabetos ou que possuem uma linguagem mais rústica, “errada”.

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Moral e bons costumes?

Editora Responsável: Ana Carolina Meller

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Atualmente, fala-se muito que tal coisa fere “a moral e os bons costumes”. Mas, afinal, o que é essa tal de moral? Na dúvida, vamos direto ao “pai dos burros”, mais conhecido como dicionário: Moral: adj (lat morale) 1. Relativo à moralidade. 2. Que procede conforme à honestidade e à justiça.  O que seria, então, os “bons costumes”? Por partes, o dicionário nos brida com as seguintes definições: Bom: adj (lat bonu) 1. Que é conforme ao uso a que se destina. 2. Que tem bondade. 3. De agradável qualidade. 4. Que se tornou hábil nas artes e ciências, num ofício ou em qualquer exercício corporal. 5. Que cumpre rigorosamente os seus deveres. 6. Que gosta de fazer o bem. 7. Conforme à justiça, à virtude, ao dever. Costume: sm (lat vulg *consuetumine) 1. Prática antiga e geral; uso. 2. Jurisprudência não escrita, baseada no uso. 3. Hábito. 4. Particularidade.  Ok, já temos a versão do dicionário de cada palavra. Juntando suas significâncias, portanto, poderíamos dizer que “moral e bons costumes” seriam, basicamente, “ser honesto e bom com os hábitos que temos”. Sabendo disso, vamos pensar um pouco mais amplamente. Pense no divórcio. Sim! A separação. Até uns 15 anos atrás, um casamento que acabasse em divórcio feria, não somente, a “moral e os bons costumes”, como também, limitava e reduzia a mulher como “alguém que não prestava” – isso quando não a chamavam de vagabunda. Agora, imagine uma mulher daquela época casada com um homem violento, capaz de ferir não apenas ela, mas também os filhos do casal (que além de apanhar, também teriam grandes chances de crescerem traumatizados devido à desordem no convívio familiar). Conseguiu imaginar? Acredite você, então, que se ela saísse de casa e pedisse a separação, a mulher correria o risco de perder os filhos, para sempre, e nem ganharia a pensão.

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Voltando aos dias atuais, hoje, um casamento é desfeito rapidamente (e, gente, se brincar, separa-se mais do que se casa!). Essa realidade, porém, muitas vezes, não interfere – tão agressivamente – na vida dos filhos. Prova disso é que vemos situações em que uma família é composta apenas por um pai ou uma mãe com seus filhos. Ou, melhor ainda, há crianças que possuem a sorte de ter duas mães e dois pais, pois os pais se separaram e acabaram se casando novamente. Por outro lado, há também aqueles que desejam ter filhos e não podem. Tentam a adoção e passam muito tempo esperando. Infelizmente, existe no Brasil uma burocracia enorme para esse tipo de situação e, como se não bastasse, há também o preconceito. A chance de um casal homossexual ou de uma mulher solteira adotar uma criança, por exemplo, é extremamente limitada. Para completar, também lidamos com casos como os de casais de gays ou lésbicas que, estão juntos há muito tempo e, mesmo assim, não podem se casar legalmente. text6   À base de vários protestos, algumas exceções até conseguiram. Esse número, no entanto, ainda é muito pequeno, já que para o casamento ser validade, são necessárias autorizações de uma série de juízes. – Mas e o casamento dito “convencional”? Quantos juízes precisam autorizar a união? Observe como o ser humano tem a capacidade de ser hipócrita: a separação, antes julgada vergonhosa, hoje é normal. Já um casal querendo construir uma família, conforme manda “a moral e os bons costumes”, é errado. Penso que significados de família, moral e bons costumes deveriam ser criados através de um laço que se chama amor. Esse tal de “amor”, portanto, é independente de credo, etnia, opção sexual e posição social. O ser humano deveria se preocupar mais em debater assuntos importantes com seus filhos (como política, literatura, educação, sexo…) e ensiná-los a serem pessoas boas de coração, que se preocupam com o bem do próximo e lutam, sim, por direitos de igualdade – não por ditaduras homossexuais/heterossexuais/políticas/étnicas/religiosas. Amar e ser amado, sem esperar nada em troca. Talvez assim o mundo fosse para frente. Até os Beatles já diziam: “All you need is Love” e, apesar de concordar, acredito que, além do “Love”, You need peace and respect too! text