A vida além das fotografias e da arte

Não é surpresa para os que estão tão próximos a mim saberem da minha forma romântica e cinematográfica de ver a vida. Vejo a vida através dos filmes, através dos livros e das músicas. No entanto, tudo isso é apenas o que eu vejo. Eu vejo os contrastes, as vibrações, o enredo, formas vivas que milhões de palavras talvez não fossem suficientes para explicar. Sempre sentimos isso. Todo mundo vê algo que o outro possivelmente não veria.

Aquela lembrança engraçada que te faz sorrir sozinho sentando no banco do ônibus, apenas você sabe a sensação. A fotografia é essa sensação demonstrada num papel. E como forma de mostrar o que eu via, escolhi as letras e agora as câmeras fotográficas. Não levava a sério, até revirar as fotos antigas de família. Aquelas em que nos achamos mais bonitos quando bebê. Os aniversários e os pedaços de bolo com glacê branco e rosa grudado em alguns fios de cabelo. Arranjos com plumas coloridas. O rádio de pilha e a televisão côncava que te fazia levantar para trocar de canal. São essas as sensações. Esses são os motivos pelos quais as bochechas enrubescem, a garganta aperta e se definem em saudade.

Além dos modelos de câmeras variáveis, também existe a possibilidade de um filme fotográfico inteiro não ter ficado bom. Mas então, o que faz a fotografia ser arte? O que a torna tão especial? Se isso tudo que escrevi não for o suficiente para explicar, acho que esse post não é pra você.

Já tirou uma foto numa analógica (filme) e em uma digital? E sabe me dizer a diferença? A diferença é a manipulação das mãos humanas, o contato e a intervenção. Quem é verdadeiro hoje em dia? Se por um acaso você estiver me julgando, em mente, me chamando de idiota ou coisa pior, só porque não sou a favor do photoshop exagerado, saiba antes que a foto retrata apenas aquilo que o fotógrafo quer. Mas mesmo assim, quem dá o tema da foto são as pessoas aleatórias que você não poderá impedir de pensarem o mesmo sobre você e a sua cara plastificada.

Meu namorado e também um grande amigo sempre me fala sobre Roland Barthes escritor do livro “A Câmera Clara”. Em seu livro ele diz que apontar uma câmera fotográfica para uma pessoa é como apontar uma arma carregada. A perda de personalidade é quase instantânea e apenas uma reação é esperada. A essência se esvai e o que se vê na foto é apenas um corpo. Acredito que não se trata disso em todos os casos. Mas quando tiro uma foto inesperada, à surdina, sei que serei agredida verbalmente. Mas não consigo evitar. Sinto que a foto deve ser tirada e pronto. Com celular, iPhones… vale tudo para não perder o momento.

Não fiz curso, não tenho incontáveis horas de trabalho ou inúmeros equipamentos para me garantir uma foto excelente. Mas não desisto dela, talvez um pouco embaçada, ou granulada, mas ela virá… a foto. E ela será minha, pelo tempo que eu quiser. Ela pode ser pintada. Colorida, monocromática, estranha, abstrata, suave e agressiva. Ela pode ser inúmeras coisas, mas uma coisa que ela não deveria ser é falsa. ­