No ninho de mafagafos

Há um tempo tenho morado em um “ninho de mafagafos”. Nessa minha pequena folga tenho estudado os hábitos de um dos espécimes que… não me surpreendeu em nada. Esta criatura tem hábitos vespertinos, pois não acorda antes do sol atingir o ápice no céu que está acima de nós. Antes do fim da noite, porém, já está na cama preparando-se para dormir novamente. Este ser, tão interessante, vive com seu Iphone na mão e seu notebook rosa no colo. “Trabalha” o tempo todo.

O espécime em questão é, deveras, sedentário. Seus hábitos resumem-se em dormir, comer e andar (de carro). Com muito esforço, tem cozinhado nos últimos dias e, após panquecas, pizzas no pão sírio e um picadinho, já se sente apto a casar-se e desenvolver um relacionamento monogâmico de longo prazo com compromisso selado por um juiz de paz.

Entretanto, a tal mafagafa ficou sem palavras ao ser colocada em cheque dentro de uma joalheria – situação essa, em que foi questionada sobre qual aliança mais lhe agradaria. Nessa hora foi possível ver, pela primeira vez, a mafagafa encolhida, cabeça e olhos baixos. Suas mãos esfriaram e sua voz tornou-se tímida e trêmula.

Tirando sua natureza mimada, seu jeito meio patricinha, meio nerd poser e meio “sei lá o que”, o espécime também tem momentos de carinho – mesmo apesar de seu humor mudar tanto quanto o clima em Foz do Iguaçu (atual cidade de residência deste animal carnívoro que se recusa a comer, até mesmo, a salada no meu delicioso Big Tasty).

Após alguns dias na filial da mafagafa e, com problemas diários para acordá-la (passando por diversas tentativas frustradas), tive de preparar-me para enfrentar uma estrada rumo a perigos, ainda maiores: uma família inteira de mafagafos. No caminho, o mafagafo alfa, como sempre, tornou-me o alvo de suas piadas (sinal de que houve a minha aceitação no bando).

Após horas de viagem chegamos ao “ninho”, onde pude encontrar uma família inteira da espécie. Logo de cara, notei o costume das fêmeas em engordar os machos do grupo que, por sua vez, comem sem hesitar – comida muito boa, por sinal. O bando se mostrou muito unido e com uma característica em particular: qualquer um vira alvo de piadas, a qualquer momento. Obviamente, o alvo sempre sou eu.

O natal está a algumas horas de distância e já estou ciente de que terei de enfrentar todos os espécimes da família na noite de hoje. Posso dizer que o risco não é tão grande quanto pensei que seria, mas a experiência está sendo interessante. Posso dizer também que gostei da cidade de Serrana/Ribeirão Preto e, é claro, do ninho. Todos se mostraram simpáticos, apesar do fato de que, aqui, a mafagafa analisada no primeiro momento mostrar-se ainda mais mandona e mimada do que de costume – inclusive, aproveito para deixar claro que fui proibido de comer enquanto não terminasse esse texto.

Com esse relato, me despeço de todos e, assim, continuo minha jornada no ninho de mafagafos.

Atenciosamente: Akauã Almeida, vulgo “Padawan” ou nega do subaco cabeludo.

A Mulher e o Pneu

Editora Responsável: Ana Carolina Meller

troca de pneu

Mesmo com todos os prazeres, ser mulher, atualmente, não é muito fácil. É aquela coisa: trabalho, amigos, namorad@s, projetos paralelos, sonhos, casa para arrumar e muito mais. Só que, além disso, há sempre aquelas situações, digamos assim, “fora do comum” do universo feminino (pelo menos, para algumas mulheres).

Para ilustrar, cito um exemplo – baseado em fatos reais:

Situação 1: O Broto te liga avisando que saiu da aula e está indo comprar crédito para o celular (além de mais novo, é pobre). Você, como uma namorada bacana, vai buscá-lo para que possam namorar um pouco. Resolvem, então, que o broto irá dormir na sua casa, mas que ele ainda teria que passar na própria casa para pegar algumas coisas.

Situação 2: Você encontra ele no lugar combinado e está a caminho da casa do broto, quando… O PNEU DO CARRO FURA!

Situação 3: Como você tem carteira de motorista (e ele não) e, para completar, o carro também é seu, subentende-se que você saiba trocar um pneu. O detalhe aqui, porém, é que você não tem tanta força quanto um homem, certo? Mesmo assim, você vai lá, pega o macaco, tira o estepe do carro e vai ao encontro do pneu furado para a troca. Nesse momento, o broto quer “fazer moral” e pede para trocar o pneu: Ele não consegue abrir o encaixe da roda… você abre. Ele não encontra a peça de tirar os parafusos… você, sim. Começa, então, a cena: você ensina o broto, ele tenta, você tenta = pouco sucesso. Até que, finalmente, um cara chega do nada e ajuda os dois na troca de pneu.

Final da história feliz: você se sentindo péssima por saber trocar o pneu, mas #chatiada por não ter força o suficiente. Enquanto isso, o broto com aquela cara, rindo do que aconteceu e o senhor feliz da vida porque ganhou um dinheiro extra para a cachaça.

Eu disse final da história? Mentira! Senta que lá vem mais história!

No outro dia, você, sua mãe linda e seu irmão mais novo vão levar o tal broto na faculdade para fazer um exame (sim, não estudou e pegou exame: PARABÉNS!). Na volta, adivinhem o que acontece: Um rapaz de outro carro bate no seu vidro e avisa que a roda do estepe, aquele que você trocou no dia anterior, está bamba, quase caindo.

Só uma coisa passa na sua cabeça e na da sua mãe: FUDEU! Duas mulheres e uma criança no meio do nada (o broto estuda na Unioeste de Foz) com o estepe caindo . Para completa, o homem ainda fala que “queria ajudar”, mas não poderia porque estava atrasado para um compromisso. FUDEU! [2]

Sua mãe anda, para o carro e lá vai você pegar a chave de roda (já quase uma PHD em troca de pneus). Com a ajuda da mãe, dá uma forçada nos tais parafusos até fica tudo certo para irem direto para a casa.

Resumindo, mesmo a ajuda de outro homem (na noite anterior), não foi o suficiente para firmar o pneu. A roda, portanto, continuou frouxa, fazendo todos pirarem com medo de que ela caísse de uma hora para outra, em um lugar escuro e longe de tudo.

Tá! E a moral dessa história? Não tem moral nenhuma. Na realidade, eu só queria desabafar. Muitas vezes, nós, mulheres, queremos mostrar que somos um “sexo” superior, que conseguimos fazer as mesmas coisas que “eles”. Porém, na hora de trocar o maldito pneu do carro, a maioria ainda depende de um par de calças e isso me revolta, sim, senhoras! Isso porque também queria ser forte o suficiente para poder trocar o pneu sozinha, para não ver vários caras parando para oferecer ajuda ou, então, passando por mim e rindo como se pensassem: só podia ser mulher!

Poxa, fiquei triste de ver o quanto sou frágil. Afinal, eu sei trocar uma lâmpada, eu arrumo as fiações e os eletrônicos de casa, trabalho, estudo… Sem falar na habilidade de fazer várias coisas ao mesmo tempo, como falar com a melhor amiga pelo telefone, correr na casa atrás do irmão e preparar a mamadeira para ele. Isso que ainda nem comentei sobre a dor de todos os meses, a temida cólica, que é como se estivesse rancando todos os meus órgãos de uma só vez.

Mas mesmo assim, quando se trata de um trabalho que exige somente o uso da força, sou considerada “incapaz”. Muito injusto isso aê, viu!? Ô, produção! Muda isso aí, ok?! Espero que da próxima vez que eu venha contar algo sobre essa situação, eu possa dizer que consegui consegui fazer tudo sozinha.

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Fui ao show da Lady Gaga e só Deus pode me julgar!

Conforme consta na abertura do blog, o significado de Desaventuras é: surpresa, acontecimento, peripécia e façanha. A intenção das desaventuradas que aqui escrevem, portanto, é justamente compartilhar um pouco desses acontecimentos marcantes ou atividades cotidianas que, de algum modo, possam servir de inspiração/motivação/entretenimento para os brotos e gatchinh@s online.

Como minha estreia no blog – e a pedido da querida Roberta Rodrigues, compartilho com vocês um pouco de minhas desaventuras durante o show da Mama Monster, Lady Gaga, no dia 11 de novembro, no estádio do Morumbi – São Paulo (SP).

Reunindo cerca de 50 mil pessoas, o show concentrou fãs, curiosos e pessoas, pura e simplesmente, em busca de diversão. A partir disso, apresento-lhes alguns comentários a respeito do evento. A intenção, no fim das contas, é dividir observações, na esperança que minhas particularidades e experiências possam cumprir com o objetivo do blog.

Caralho, quanta gente!

Admito que ir a um show em um dos maiores estádios de futebol do país pode ser, realmente, uma experiência emocionante. Aquele papo de sentir a energia do público, ouvir os gritos da galera, admirar as luzes, as formas e a estrutura do lugar, definitivamente, é algo capaz de arrepiar.

Meo, tá todo mundo se pegando!

Honrando a fama de defensora dos direitos homossexuais e, acima de tudo, da bandeira de ser quem você é, o show da Lady Gaga em SP reuniu inúmeros tipos, estilos e gostos em um verdadeiro caldeirão de diversidade – que faria, até você, ter vontade de gritar “I Born this way!”. O mais interessante disso, porém, foi o fato de ninguém ~aparentemente~ se incomodar com os beijos apaixonados de meninas x meninas / meninos x meninos  / meninas x meninos curtindo o show como se não houvesse amanhã. O que pude perceber? Que, realmente, o amor não faz distinção – muito menos, quanto toca uma musiquinha romântica.

Que merda é essa, cara?

Bizarro. Essa, provavelmente, deve ter sido a palavra de ordem para a escolha do figurino de alguns fãs. Se isso foi ruim? Claro que não, afinal, o vestuário de algumas pessoas foi responsável por dar um show à parte e, para exemplificar, me aproveito do post do blog Morri de Sunga Branca para que vocês possam ter uma ideia do que estou falando. O blog elegeu “Os Cinco Melhores Fãs na Fila do Show da Lady Gaga”.

Parece um ataque zumbi, né?

As recomendações para quem deseja ir a um grande show, portanto, são: Se você não quer pegar filas, chegue tarde e saia em um momento estratégico. Fique atento ao que parecer ser a última música e, em seguida, se escape para a saída. Já se você quer ficar na frente, colado no palco, chegue MUITO CEDO e prepare-se para lidar com fãs raivosos em um combate mortal. Por último, tenha noção de como você vai voltar para casa. Caso a opção seja o taxi, seguem algumas dicas especiais: não dê atestado de turista, arrume um jeito de dar a entender que sabe, exatamente, por onde o taxista está indo e, de preferência, REALMENTE faça alguma ideia de qual a melhor rota para chegar ao local desejado Além disso, informe-se sobre o valor médio da corrida (por exemplo, para chegar ao local eu paguei X, logo, a corrida de volta deve ficar entre X reais!).

 Como tem zona aqui…

Essas dicas são para quem deseja viajar e, realmente, desfrutar do lugar que está visitando. Primeiro: não seja (tão) mão de vaca. Se a sua intenção for se divertir, de verdade, e conhecer novos lugares, sufoque o Tio Patinhas que existe em você e não hesite (tanto) em gastar um pouco mais para aproveitar (muito) mais. Na dúvida, se pergunte: “eu gastei até as calças para chegar até aqui e, agora, vou deixar de fazer isso?”. Pense na relação de custo x benefício. Segundo: NÃO CUSTA dar uma olhadinha na internet em busca de opções para sair, antes de chegar ao seu destino. Anote o endereço/telefone do lugar, trace rotas, planeje um orçamento e, principalmente, confira os comentários de outros consumidores sobre o local…

 A propaganda é a alma do negócio.

Na verdade, esse tópico não tem nada a ver com o show da Lady Gaga. Mas, quis comentar o acontecido com vocês. Enquanto estava passeando por São Paulo, me deparei com uma cena comum, porém, diferenciada. Um homem ~jovem e forte~ com a perna enfaixada estava pedindo dinheiro no sinal. Tudo corria tranquilamente até o momento em ele parou para contar as esmolas recebidas. O homem, então, abriu sua pochete e começou a folhear um bolo de notas de R$ 10,00, R$ 20,00 e, quiçá, R$ 50,00. Meu primeiro pensamento para a cena: VOU VIRAR MENDIGA EM SÃO PAULO! Meu segundo pensamento para a cena: Não, não vou! A moral da história, porém, e, na verdade, o GRANDE DIFERENCIAL da cena, foi quando o fdp que tinha mais dinheiro que eu homem virou as costas para o sinal e pude ler em sua camiseta: “Só Deus pode me julgar!”. Então, tá.

 Foz é um ovo!

Conhecer uma nova cidade pode ser uma experiência excitante, assustadora e maravilhosa. Se tratando de São Paulo, então, as possibilidades se multiplicam e ao mesmo tempo em que você se sente um jacu por nunca ter andado de metrô, uma IMENSA vontade de “ir além” passa a te acompanhar. O que quero dizer aqui, na verdade, é que viver situações, até então, inimagináveis e fora do “seu” comum pode servir como um impulso para olhar a vida com outros olhos. Papos complexos e divagações à parte, estou querendo dizer que o mundo É MUITO GRANDE e se limitar, diante que tudo o que a vida pode lhe oferecer, é uma bobagem.

 Obrigada por viver isso comigo.

Com certeza você já ouviu ditados ou nicks de MSN como: “Existem pessoas capazes de transformar pequenos instantes em grandes momentos”. Encerrando minhas observações a respeito do show da Lady Gaga em SP, devo admitir para vocês que essa é uma grande verdade. Gostaria, realmente, de deixar uma série de agradecimentos, citando inúmeros nomes nesse post (inclusive, o de cada uma das pessoas para quem liguei aos berros durante o show!), mas… em resumo, quero dedicá-lo à senhorita Elisangela ~favela~ Schwantes.

Por enquanto, me contento com a dedicatória. A declaração de amor fica para outra hora (fdp feelings). E quanto aos brotos e gatchinh@s online… Fiquem com a música que, em grande parte, me motivou a ir ao show (e atenção especial para a coreografia no 1min02 seg).

Até a próxima desaventura!