Meu dia no Divã

Editora Responsável: Roberta Rodrigues

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Nunca fiz terapia, mas fico imaginando como seria a minha consulta. Não faço ideia de como funcione todo o processo, mas posso imaginar, não posso?

Eu entraria na sala, com esta cara triste e rabugenta que tenho. A Dra. (jamais me consultaria com um doutor, não sei porque diabos, só não tenho coragem) me olharia, como quem não quer nada, analisando minhas roupas, meus gestos e meu semblante que, como dizem, não é carismático, tão pouco convidativo. Eu me sentiria constrangida e desde o primeiro momento já estaria arrependida. Sou dessas, me arrependo tanto quanto troco de roupa ou escovo os dentes.

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Em seguida, depois de trocarmos saudações, eu muito tímida, ela muito sorridente, eu sentaria, mexeria os dedos, as mãos, e, intimamente, começaria contar os minutos para a sessão acabar e eu ir embora. O relógio, porém, pararia e a eternidade se estenderia à minha frente.

Na sequência, daríamos início à conversa. A primeira pergunta:

– Então, Priscila, como você se sente?

– Ridícula, Dra.

– Qual é o motivo por se sentir ridícula, Priscila?

– Justamente o medo de me sentir ridícula.

– E por que sente medo?

– O porquê, eu não sei explicar. Só sei dizer que a todo instante, a cada minuto, sou observada, avaliada e julgada. As coisas supérfluas valem mais que a minha essência, não sei consigo explicar.

Aqui, eu faria uma pausa, tentando lembrar o que me fez chegar a esta conclusão. Não vindo nada à minha mente, a Dra. voltaria a perguntar:

– O que você considera supérfluo?

Antes da resposta, um suspiro. É muita coisa.

– Praticamente tudo. Por exemplo, o jeito de se vestir, no meu entender é supérfluo. Outra coisa, se as pessoas têm ou não têm um milhão de amigos é algo muito superficial, assim como ir às festas todos os dias, encher a cara todas as semanas e ser feliz o tempo todo. As pessoas valorizam tudo isso, e eu não sou nada disso e, por isso, me sinto ridícula, entende?

– Alguém já te disse que você é ridícula?

– Depende do que a senhora entende por dizer.

– Como assim?

– Os olhos dizem muita coisa, Dra. O mesmo eu digo das risadinhas pelas costas. E o que falar, então, dos comentários esnobes? Dos insultos ocultos em discursos prontos? Sem mencionar a opressão de sábios que se acham o suprassumo e me coíbem a perguntar, a questionar e a expor a minha opinião. O simples fato de não concordar com algo que está em voga já faz me sentir ridícula. E quando não assisti a um filme, não li um livro ou não conheço uma banda que os suprassumos assistiram, leram e conhecem? Só falta explodir uma gargalhada, depois do olhar de desdém. Ah, e quando digo que não gosto do humor americano e inglês, ou que determinada pessoa me desagrada porque faz me sentir ridícula e os fãs deste tipo de humor e desta pessoa me viram as costas, como se eu não existisse? Pode isso, Dra.?

– Bem, Priscila. Sua sessão está encerrada. Que tal ir para casa, pensar um pouco no assunto e conversamos na próxima consulta, tudo bem?

– Ok. Até semana que vem, Dra.

E então, eu me levantaria, daria um tchau quase mudo e iria embora. Me sentindo… Ridícula.

Da pra entender ou “tá” dificil?!

Editora Responsável: Roberta Rodrigues

Chegou a hora de desabafar, sim de literalmente desabafar de tudo e com todos. Nos últimos meses, semanas e dias a vida tem se transformado num turbilhão de sensações e momentos. Nem sempre bons e nem sempre ruins, porém o fato é que eles existem. No teor da vontade, falta a coragem… Explico:

Existe indivíduo para pensar, agir, falar, amar, cuidar, proteger, sonhar, decidir, argumentar… (entre tantos outros verbos), mais do que a mulher?! A fase, portanto é: descobrir o que quero, como e por quê. Difícil entender esse texto, sendo que nem eu mesma compreendo as funções dessas palavras. Palavras e frases que estão se formando aos poucos, e retratando de mim aquilo que confusamente estou sentido. Se a mulher é feita de “estado de espírito”, acredito que o meu, neste momento é o mais confuso que possa existir.

Respiro, conto até 10… Tento pensar. Sim, eu tento. Porque nem pensar nos últimos dias tem sido fácil. Te pergunto: Você já quis tudo e ao mesmo tempo não quis nada? (se sua resposta for sim, fico aliviada de não ser a única). Nesses dias em que situações sem sentido tem me perturbado, eu estou entrando em parafuso. Sim, somos complicadas e indecifráveis. Mas, acredite, estou bem mais do que o comum.

Ontem, pela manhã cai na besteira de perguntar ao meu marido – “Qual sandália devo usar?” As opções eram: uma verde e uma rosa. Definitivamente, pra que eu fui perguntar? Ele respondeu: vá com a rosa, ela é nova não é?! – Pronto! Essa resposta foi o bastante para que a minha vontade fosse a de NÃO usar a bendita sandália. E tudo porque a nova era a verde, mas, ele na sua atenção primária, nem se quer se deu conta. Sim, uma situação absurdamente comum e tonta, mas que no “disparo de sensações” que estou vivendo, se tornou a catástrofe do ano.

Exagerada?! Eu, sim sou sim. E deve ter mais um monte de mulheres igual a mim. Mas, relaxe… Não sou assim sempre. A culpa desse egocentrismo, dessa confusão e disparo tem nome e sobre nome, TFA – Tensão fim de Ano…

…Mas, isso eu deixo para explicar numa próxima oportunidade!

*Daryanne Cintra é estudante de jornalismo, e para enfrentar a TFA tem se deleitado numa série de filmes românticos e antigos, começando por Dirty Dancing.