Mulheres têm opção sim de querer ou não transar

Atualmente existem alguns mitos relacionados ao sexo e a preferência das mulheres. Alguns homens desavisados ainda pensam que elas aceitam toda e qualquer forma do ato, mas não é assim. Hoje as mulheres têm preferências, fazem sexo oral se quiserem e até comandam as posições. E tem mais um detalhe, se elas quiserem, podem ter mais de um parceiro sexual, aliás se não há comprometimento, ninguém tem nada haver com a vida de ninguém não é mesmo?

Como nos meus outros textos escrevi sobre machismo, hoje, digamos, seja mais um texto da saga contra o machismo. Alguns homens ainda não aceitam que as mulheres tenham vida sexual ativa. Para eles as mulheres que saem a noite, encontram alguém e vão direto pro “vamos ver”, são tachadas como putas, biscates, piriguetes e por aí vai.

Também acontece dos homens “pegarem” as tais mulheres, terem o melhor sexo da vida deles e dizerem pra meio mundo o que ela fez ou deixou de fazer. É engraçado, porque se ela for a mulher independente (estilo Samantha do Sex and The City), que simplesmente não quer passar a noite agarradinha com ele, no outro dia ele irá dizer poucas e boas sobre ela, tudo porque ela não precisa de homem para que a noite dela esteja completa, ela pode muito bem dormir sozinha.

A eterna Samantha, o exemplo de independência feminina

A eterna Samantha, o exemplo de independência feminina

Em muitos filmes e até em séries, alguns dos primeiros encontros mostra o homem empurrando a cabeça dela pra fazer o tal do boquete. Sério isso é muito desagradável. Quer dizer que se as mulheres estão lá no maior amasso, a noite só irá valer a pena se rolar um oral no cara. Já para o cara querer fazer um oral nela, leva no mínimo muitas semanas para acontecer. Ah, e não vamos esquecer daqueles que nem chegam perto por não gostarem. Só que ninguém pergunta se as mulheres gostam de fazê-lo certo?

Por receio de perder o homem, têm mulheres que se perguntam a todo momento se está fazendo tudo direitinho, como se fosse obrigação satisfazer o homem. Então mulherada segue uma dica, não é necessário fazer nada que não queira. Já ouviram falar naquela frase “Se ele ficar bravo porque você não quis dar pra ele, é porque ele não te merece”, acreditem, isso é muito real. Sexo é bom, façam sem ter peso na consciência e sem se apegar aquele cara. Nem se preocupem se ele não ligar no dia seguinte. Se rolou uma sintonia, com certeza ele irá procurar.

Para as mulheres que buscam um relacionamento, não será aquele cara idiota que empurrou a sua cabeça que irá conquistar essa vaga. Os relacionamentos nascem da amizade, da sintonia de ideias, do sexo (claro), mas muito mais que isso, do companheirismo. Todos procuram conforto num relacionamento, jamais dores de cabeça ou obrigações. Imaginem passar o resto da vida com uma pessoa egoísta que não dá a mínima para o que você quer.

Então se depois disso, você homem que está lendo, pensar “nossa essa guria não sabe o que fala”. Acreditem, podem falar mal de nós mulheres, mas não esqueçam que se não for bom, nós nem faremos questão de atender às suas ligações.

Devaneios do fim de ano

Editora Responsável: Roberta Rodrigues

psicodália

Hoje é um o primeiro dia do ano de 2013 e eu estou aqui, sem dor de cabeça ou ressaca moral. Escrevo diretamente do Festival Cultural Psicodália só para contar que esse foi de longe um dos piores anos da minha vida e por outro lado foi o que eu mais curti. Isso porque eu aprendi que – por mais clichê que pareça – é preciso pensar e andar distinto para conseguir resultados diferentes.

Esse ano eu conheci algumas pessoas e me aproximei de outras tantas. E esse é o momento em que eu agradeço por me fazerem acreditar na possibilidade de um mundo melhor.

  • Aos rapazes que guardaram as nossas malas, quando as perdemos.
  • Ao “loco” que devolveu meu cartão.
  • Às pessoas que conviveram por mais de 6 dias com frio e chuva e não brigaram.
  • Aos que dividiram o pão e a carne e, sobretudo a cerveja.
  • Às minhas amigas feministas que me entendem e dão suporte, mesmo quando eu falho.
  • Aos meus amigos de modo geral, que me ensinaram durante o ano todo a ser uma pessoa melhor.

Por último nada melhor do que fechar com o ensinamento do sempre mestre Hermeto Pascoal, “nunca é tarde para começar a fazer o que se gosta”. Então, bora lá gente, ninguém aqui tem permissão para ser triste. Ou melhor, transforme a tristeza, quando ela aparecer em poemas, músicas e qualquer coisa que toque o coração. A propósito, no próximo capítulo falaremos sobre como sobreviver ao fim do mundo, ao fim do ano e ao fim do mês.

Lésbicas também são mulheres… e estão por toda parte

Editora Responsável: Mirian Carla Barbosa

O título pode parecer óbvio, mas não é. Vivemos em uma sociedade heterossexista e heteronormativa. Isso significa, para efeitos de discurso, que pessoas que, de alguma forma, desviem desses padrões impostos são consideradas meras exceções.

Por isso, da grande mídia às pequenas conversas, ao se falar em “mulher”, supõe-se, automaticamente, que ela seja heterossexual. O mesmo acontece com os homens, é claro. Portanto, qualquer outro nível de sexualidade é considerado um “desvio de conduta”. A mensagem que esse comportamento passa é “não temos culpa se vocês fogem ao padrão”.

Pode parecer bobagem, pode parecer pouco, mas imaginem uma vida inteira sendo invisível desde as rodinhas de conversa em família ao que a televisão diz, mesmo quando quer te vender algo. É o tempo todo sendo tratada como “exceção”.

O problema é que a atração por outras mulheres não é um “desvio de conduta”. Sério, e não sou eu que estou dizendo. Vários estudos já foram feitos nessa área, como esse, da Boise State University, que afirmou que 60% das mulheres que se identificam como heterossexuais já sentiram atração por outras mulheres alguma vez na vida. Some a esse número as que se consideram homossexuais e bissexuais.

Nos anos 40, o entomologista e zoólogo Alfred Charles Kinsey conduziu um estudo ousadíssimo, que resultou na “Escala de Kinsey”. Esse estudo mostrou que existem várias escalas de sexualidade, de 0 a 6, onde 0 significa “totalmente heterossexual”, e 6 “totalmente homossexual” – a conclusão do estudo é que a maioria das pessoas transita entre esses extremos pelo menos alguma vez na vida.

Vamos supor que não existam heterossexuais, bissexuais, nem homossexuais. Existem pessoas e existem sexualidades, e elas não precisam, nem devem ser estagnadas, fixas. Somos complexos demais para sermos separados em potinhos da sexualidade. Imagina se pudéssemos apenas viver do jeito que nos dá mais emoção, sem ter que fazer uma grande tragédia por isso? Ah, eu sei que eu sonho. Sonho demais. Mas eu já vivo assim, e posso lhes garantir: é libertador. ❤

Liberdade pra dentro da cabeça (8)

“Querer-se livre, é também querer livres os outros. “

 Hoje a ilustre convidada mafagafa, será a tia Simone de Beauvoir, gente ela é linda, magavilhosa. Bom, o feminismo está presente desde cedo em minha vida, quando reivindicava que poderia sim brincar com os meninos, jogar bola, subir em árvores, eu só queria ser criança, mas sempre tinha alguém pra dizer ‘heeey menina, você não pode fazer isso, senta direito, se veste como menina, brinca de boneca, larga essa bola, arruma o cabelo, coloca esse inseto no chão, arhg e afins”, eu não compreendia ao certo porque as coisas deveriam ser assim, mas,  batia o pé e corria pra brincar com os guri da rua. Na adolescência a situação é mais complicada, na qual, você precisa seguir certos padrões estéticos e culturais para ser aceito. Quando você começa a ler, pesquisar e refletir, compreende como as coisas funcionam, se questiona e percebe que não é algo tão simples, há todo um processo histórico e cultural, advindo de séculos,  que foi construído, para que mulheres e homens sigam padrões e estereótipos, que acabam, por vezes, se naturalizando, sem questionamentos, e que simplesmente se normatizam.

 “(…) não acredito que existam qualidades, valores, modos de vida especificamente femininos: seria admitir a existência de uma natureza feminina, quer dizer, aderir a um mito inventado pelos homens para prender as mulheres na sua condição de oprimidas. Não se trata para a mulher de se afirmar como mulher, mas de tornarem-se seres humanos na sua integridade.’ 

 

Simone questiona sobre os gêneros, que somos seres humanos e não divisões,  ler os livros dela é libertador, você  começa a se questionar e ainda afirma: – Mas olha, não é que é verdade? ‘O Segundo Sexo’ volume I e II (que estou lendo ainda e quanto mais eu leio, mais e mais e mais, quero ler,  estou me apaixonando pela maneira como ela descreve e claro, o seu incrível sarcasmo é ótimo, alfinetando geral), traz  todo um enredo histórico sobre a mulher e as questões dominantes, patriarcais, um estudo aprofundado sobre a condição feminina e humana, tratando de conceitos biológicos, psicos e sociais. O mais interessante é que depois de leituras, questionamentos, reflexões, percebemos o quanto podemos ser e somos livres, através do conhecimento, tiramos essa faixa escura dos nossos olhos, enrustida de preconceitos e ignorância.

“Que nada nos defina. Que nada nos sujeite. Que a liberdade seja a nossa própria substância. “

Ou seja, podemos ser o que bem entendermos, apesar dos empecilhos machistas que encontramos em cada esquina.

O que mais acho espetacular nessa autora, é sua ousadia de escrever sobre a nossa liberdade, na época do pós-guerra, o patriarcalismo vigorava com maior intensidade (claro, na contemporaneidade há muito ainda), causou e causa, grandes polêmicas pelos pensamentos moralistas e conservadores, uma obra,  que condiz sobre as nossas vontades,  que devem ser respeitadas e não controladas ou submetidas  por algo  dominante. Compreendendo que todos somos seres humanos, íntegros e que devemos ser respeitados.

“O fato de que sou escritora: uma mulher escritora, não uma dona-de-casa que escreve, mas alguém cuja existência, em sua totalidade, é comandada pelo ato de escrever.”

E a celebre e classe frase, que diz “não se nasce mulher, torna-se”, ilustra bem, vários conceitos voltados para o universo feminino, que são construídos historicamente. Simone, conseguiu organizar e traduzir sentimentos e sensações que nós mulheres sentimos, como as questões desiguais e indiferentes, colocando uma visão feminina acerca de vários conceitos, e nada melhor do que uma mulher, colocando a sua percepção, de como se sente, de como é visualizada pela sociedade.

Somos sim, donas do nosso destino, da nossa sexualidade, e não, não queremos ser submissas e indiferentes, andar nas sombras masculinas, só queremos o respeito, a dignidade e acima de tudo, liberdade e igualdade .

Beijos mafagafos e lembrem-se, somos livres.

Libere o seu lado mafagafa

Falar sobre o comportamento feminino é um tanto quanto complicado, pois generalizar é tendência. Não no nosso caso, é claro. Por exemplo, neste ninho, há vários tipos de mafagafas, cada uma diferente das outras e cada qual com as suas características marcantes. É lógico que ninguém é perfeito ainda bem, e, talvez a diferença seja essa: existem as mulheres que buscam a perfeição (aos olhos alheios) e as mulheres que têm isso em si.

Mulher não pode beber e fumar. É feio!”. Ou então: “Futebol é coisa de homem” e até: “Mulher não pode falar palavrão”. Ok, sobre falar palavrão eu até concordo, apesar de não praticar. E acho que ambos os sexos deveriam conter seus vocabulários. Digo: meu léxico não é um dos mais formais e muitas vezes (quase sempre) escorrego nas palavras “feias”.

O fato é que, infelizmente, os rótulos são dados e o pior: ainda são reproduzidos. E isso para tudo. Só que, como o assunto aqui são as mulheres, vamos lá: muitas espécimes preferem ir ao bar, ao invés de ir ao shopping. Mulheres entendem tão bem (e até melhor) de futebol, quanto certos homens. Elas também tem fetiches, adoram sexo e tem pensamentos obscuros. Porém, nem toda mulher tem isso de ir ao banheiro só com outra amiga e o fato de não estar não usar salto alto e maquiagem 24h por dia não faz dela “menos mulher”. Isso também não quer dizer que não se emocionem assistindo algum filme #mimimizento ou que não gostem de flores e detestem romantismo.

E você, homem que nos visita, acredite: sua namorada pode SIM gostar do convite para o futebol com os seus amigos, ou para o churrasquinho depois desse evento. Também pode falar algumas besteirinhas durante o dia, isso vai fazer com que ela perca a concentração no que estava fazendo e, sinceramente, isso é bom (você vai perceber depois).

Então mulherada, liberem a mafagafa que existe em vocês. Não é preciso levantar bandeiras e exigir aceitação, essa vem de dentro. Se o sapato aperta, troque. Se a maquiagem incomoda, tire. Prefira conquistar com a inteligência.

Afinal, “Uma mulher decente, é a mulher que tem inteligência, não aquela mulher que é perfeita e só tem vácuo no cérebro.” (Luis Oliveira)

Mulher pode!