HOMOFOBIA, O QUE É ISSO?

A sociedade moderna se organiza por setores, rótulos, catálogos e definições por vezes dualistas e  restritivas, sendo, difícil para o indivíduo, uma vez definido, fujir ao rótulo que lhe é imposto.

O preconceito se origina exatamente durante este processo de individualização, registro e catálogo do ser. Em uma tentativa de organizar “todas as folhas da floresta” até mesmo o preconceito é denominado, legalizado e definido.

Surge assim o termo homofobia para definir  a antipatia imotivada, o desprezo,  o preconceito, a aversão, o medo irracional transformado em atos de discriminação e violência com base em uma percepção de orientação sexual discordante.

400_F_47721689_rMooeA0XqHqBwiBYileNIZiCrMPLT7TBA homofobia é termo geral pois exprime todo o preconceito sofrido pelas diversas  minoritárias de indivíduos de orientação sexual distinta da orientação sexual majoritária: a hétero (pois sim, a heterossexualidade também é uma orientação sexual).

Assim, quando falamos de homofobia falamos de lesbofobia, bifobia, transfobia,  e a própria homofobia em sentido estrito, ou seja, o preconceito direcionado a indivíduos: lésbicas, bissexuais, transsexuais, travestis,  transgêneros e gays, E SIM EXISTE DIFERENÇA ENTRE CADA UM DESTES TERMOS.

Sendo a sexualidade parte integrante da personalidade individual de cada ser humano e vivendo nós, ainda, em uma sociedade  de rótulos e catálogos onde, aparentemente, não existe simplesmente a possibilidade de sermos indivíduos únicos e indefiníveis que se moldam continuamente de modo livre, é interessante que entendamos corretamente cada um destes termos.

Para isso é preciso primeiramente falar de gênero,  identidade de gênero e orientação sexual POIS SIM, MAIS UMA VEZ, AQUI TAMBÉM EXISTEM DIFERENÇAS:

Gênero é o que culturalmente seriam características do ser “masculino” e do ser “feminino”: forma física, anatomia, maneira de se vestir, falar, gesticular, enfim as atitudes, comportamentos, valores e interesses de cada gênero e que habitualmente lhe é atribuído no nascimento (levando-se em conta apenas o caráter biológico do indivíduo).

Identidade de gênero se refere à forma como alguém se sente, se identifica, se apresenta, para si próprio e aos que o rodeiam, bem como, relaciona-se à percepção de si como ser “masculino” ou “feminino”, ou ambos, independe do sexo biológico ou de sua orientação sexual, ou seja, da sua maneira subjetiva de ser masculino ou feminino, de acordo com comportamentos ou papéis socialmente estabelecidos.

Orientação sexual por sua vez, diz respeito á atração mas não apenas sexual, faz referencia à aquele que é objeto de desejo, por quem nos apaixonamos a primeira vista, amamos, uma soma de  instintos, impulsos, genes, hormônios, genitálias, ato sexual, amor platônico, subjetivo, possibilidades corporais e imateriais de vivenciar prazer, amor e afeto independente de gênero.

 A tabela abaixo sumariza as possibilidades existentes de orientação sexual e identidade de gênero:

Sexo biológico Gênero psíquico Orientação sexual Como reconhecemos
Mulher Feminino Bissexual Mulher bissexual
Mulher Feminino Heterossexual Mulher heterossexual
Mulher Feminino Homossexual Mulher homossexual
Mulher Feminino Assexual Mulher assexual
Mulher Masculino Bissexual Homem bissexual
Mulher Masculino Heterossexual Homem heterossexual
Mulher Masculino Homossexual Homem homossexual
Mulher Masculino Assexual Homem assexual
Homem Masculino Bissexual Homem bissexual
Homem Masculino Heterossexual Homem heterossexual
Homem Masculino Homossexual Homem homossexual
Homem Masculino Assexual Homem assexual
Homem Feminino Bissexual Mulher bissexual
Homem Feminino Heterossexual Mulher heterossexual
Homem Feminino Homossexual Mulher homossexual
Homem Feminino Assexual Mulher assexual

Então de modo simplista e direto (sabendo que os graus desta sexualidade podem sim variar) podemos entender:

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Lésbica: mulher (gênero); que se identifica como mulher (identidade de gênero); e sente atração por outras mulheres (orientação sexual).

Gay: homem (gênero); que se identifica como homem (identidade de gênero); e sente atração por outros homens (orientação sexual).

Bissexual: homem ou mulher (gênero); que se identifica com o seu gênero de nascimento (identidade de gênero); e sente atração por ambos os gêneros (orientação sexual).

Travesti: homem ou mulher (gênero); que se identifica com seu sexo biológico, no entanto adota os hábitos do gênero oposto (identidade de gênero); gay, hetero ou bissexual (orientação sexual).

Transexual: homem ou mulher (gênero); que não se identifica sente desconforto com seu sexo biológico e deseja modifica-lo (identidade de gênero);  gay, hetero ou bissexual (orientação sexual).

Transgênero: homem ou mulher (gênero); transita entre os gêneros e não sente necessidade de alterar seu sexo biológico (identidade de gênero); gay, hetero ou bissexual (orientação sexual).

Apesar de todos estes rótulos e catálogos, é interessante por vezes nos conscientizarmos  enquanto seres sociais, pois o preconceito homofóbico existe dentro do meio LGBTTT, está na lésbica feminina que tem preconceito quanto a lésbica “bofinho”, no gay que ridiculariza o travesti, no bissexual que conta piadas de gays, na lésbica que não tem contato com gays por julga-los “espalhafatosos”…

A sociedade ainda sexista e heteronormativa por vezes cataloga  divide e exclui os indivíduos para melhor controla-los e já é  difícil enfrentar a homofobia social (assumida e principalmente a velada) então muitas vezes não contar com o apoio daqueles também por eles marginalizados por puro preconceito é algo que simplesmente não faz sentido algum, não acham?

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Mas esta pode ser apenas a minha opinião,  idealista, militante, sonhadora e igualitarista.

Leia Mais Em:

http://www.academia.edu/2387656/Feminismo_transgenero_e_movimentos_de_mulheres_transexuais

http://www.plc122.com.br/orientacao-e-identidade-de-genero/entenda-diferenca-entre-identidade-orientacao/#ixzz2SOcB7rbk

http://educacaoesexualidadeprofclaudiabonfim.blogspot.com.br/2009/07/genero-identidade-de-genero-e.html

http://pt.wikipedia.org/wiki/Homofobia

Lésbicas também são mulheres… e estão por toda parte

Editora Responsável: Mirian Carla Barbosa

O título pode parecer óbvio, mas não é. Vivemos em uma sociedade heterossexista e heteronormativa. Isso significa, para efeitos de discurso, que pessoas que, de alguma forma, desviem desses padrões impostos são consideradas meras exceções.

Por isso, da grande mídia às pequenas conversas, ao se falar em “mulher”, supõe-se, automaticamente, que ela seja heterossexual. O mesmo acontece com os homens, é claro. Portanto, qualquer outro nível de sexualidade é considerado um “desvio de conduta”. A mensagem que esse comportamento passa é “não temos culpa se vocês fogem ao padrão”.

Pode parecer bobagem, pode parecer pouco, mas imaginem uma vida inteira sendo invisível desde as rodinhas de conversa em família ao que a televisão diz, mesmo quando quer te vender algo. É o tempo todo sendo tratada como “exceção”.

O problema é que a atração por outras mulheres não é um “desvio de conduta”. Sério, e não sou eu que estou dizendo. Vários estudos já foram feitos nessa área, como esse, da Boise State University, que afirmou que 60% das mulheres que se identificam como heterossexuais já sentiram atração por outras mulheres alguma vez na vida. Some a esse número as que se consideram homossexuais e bissexuais.

Nos anos 40, o entomologista e zoólogo Alfred Charles Kinsey conduziu um estudo ousadíssimo, que resultou na “Escala de Kinsey”. Esse estudo mostrou que existem várias escalas de sexualidade, de 0 a 6, onde 0 significa “totalmente heterossexual”, e 6 “totalmente homossexual” – a conclusão do estudo é que a maioria das pessoas transita entre esses extremos pelo menos alguma vez na vida.

Vamos supor que não existam heterossexuais, bissexuais, nem homossexuais. Existem pessoas e existem sexualidades, e elas não precisam, nem devem ser estagnadas, fixas. Somos complexos demais para sermos separados em potinhos da sexualidade. Imagina se pudéssemos apenas viver do jeito que nos dá mais emoção, sem ter que fazer uma grande tragédia por isso? Ah, eu sei que eu sonho. Sonho demais. Mas eu já vivo assim, e posso lhes garantir: é libertador. ❤