Fui ao show da Lady Gaga e só Deus pode me julgar!

Conforme consta na abertura do blog, o significado de Desaventuras é: surpresa, acontecimento, peripécia e façanha. A intenção das desaventuradas que aqui escrevem, portanto, é justamente compartilhar um pouco desses acontecimentos marcantes ou atividades cotidianas que, de algum modo, possam servir de inspiração/motivação/entretenimento para os brotos e gatchinh@s online.

Como minha estreia no blog – e a pedido da querida Roberta Rodrigues, compartilho com vocês um pouco de minhas desaventuras durante o show da Mama Monster, Lady Gaga, no dia 11 de novembro, no estádio do Morumbi – São Paulo (SP).

Reunindo cerca de 50 mil pessoas, o show concentrou fãs, curiosos e pessoas, pura e simplesmente, em busca de diversão. A partir disso, apresento-lhes alguns comentários a respeito do evento. A intenção, no fim das contas, é dividir observações, na esperança que minhas particularidades e experiências possam cumprir com o objetivo do blog.

Caralho, quanta gente!

Admito que ir a um show em um dos maiores estádios de futebol do país pode ser, realmente, uma experiência emocionante. Aquele papo de sentir a energia do público, ouvir os gritos da galera, admirar as luzes, as formas e a estrutura do lugar, definitivamente, é algo capaz de arrepiar.

Meo, tá todo mundo se pegando!

Honrando a fama de defensora dos direitos homossexuais e, acima de tudo, da bandeira de ser quem você é, o show da Lady Gaga em SP reuniu inúmeros tipos, estilos e gostos em um verdadeiro caldeirão de diversidade – que faria, até você, ter vontade de gritar “I Born this way!”. O mais interessante disso, porém, foi o fato de ninguém ~aparentemente~ se incomodar com os beijos apaixonados de meninas x meninas / meninos x meninos  / meninas x meninos curtindo o show como se não houvesse amanhã. O que pude perceber? Que, realmente, o amor não faz distinção – muito menos, quanto toca uma musiquinha romântica.

Que merda é essa, cara?

Bizarro. Essa, provavelmente, deve ter sido a palavra de ordem para a escolha do figurino de alguns fãs. Se isso foi ruim? Claro que não, afinal, o vestuário de algumas pessoas foi responsável por dar um show à parte e, para exemplificar, me aproveito do post do blog Morri de Sunga Branca para que vocês possam ter uma ideia do que estou falando. O blog elegeu “Os Cinco Melhores Fãs na Fila do Show da Lady Gaga”.

Parece um ataque zumbi, né?

As recomendações para quem deseja ir a um grande show, portanto, são: Se você não quer pegar filas, chegue tarde e saia em um momento estratégico. Fique atento ao que parecer ser a última música e, em seguida, se escape para a saída. Já se você quer ficar na frente, colado no palco, chegue MUITO CEDO e prepare-se para lidar com fãs raivosos em um combate mortal. Por último, tenha noção de como você vai voltar para casa. Caso a opção seja o taxi, seguem algumas dicas especiais: não dê atestado de turista, arrume um jeito de dar a entender que sabe, exatamente, por onde o taxista está indo e, de preferência, REALMENTE faça alguma ideia de qual a melhor rota para chegar ao local desejado Além disso, informe-se sobre o valor médio da corrida (por exemplo, para chegar ao local eu paguei X, logo, a corrida de volta deve ficar entre X reais!).

 Como tem zona aqui…

Essas dicas são para quem deseja viajar e, realmente, desfrutar do lugar que está visitando. Primeiro: não seja (tão) mão de vaca. Se a sua intenção for se divertir, de verdade, e conhecer novos lugares, sufoque o Tio Patinhas que existe em você e não hesite (tanto) em gastar um pouco mais para aproveitar (muito) mais. Na dúvida, se pergunte: “eu gastei até as calças para chegar até aqui e, agora, vou deixar de fazer isso?”. Pense na relação de custo x benefício. Segundo: NÃO CUSTA dar uma olhadinha na internet em busca de opções para sair, antes de chegar ao seu destino. Anote o endereço/telefone do lugar, trace rotas, planeje um orçamento e, principalmente, confira os comentários de outros consumidores sobre o local…

 A propaganda é a alma do negócio.

Na verdade, esse tópico não tem nada a ver com o show da Lady Gaga. Mas, quis comentar o acontecido com vocês. Enquanto estava passeando por São Paulo, me deparei com uma cena comum, porém, diferenciada. Um homem ~jovem e forte~ com a perna enfaixada estava pedindo dinheiro no sinal. Tudo corria tranquilamente até o momento em ele parou para contar as esmolas recebidas. O homem, então, abriu sua pochete e começou a folhear um bolo de notas de R$ 10,00, R$ 20,00 e, quiçá, R$ 50,00. Meu primeiro pensamento para a cena: VOU VIRAR MENDIGA EM SÃO PAULO! Meu segundo pensamento para a cena: Não, não vou! A moral da história, porém, e, na verdade, o GRANDE DIFERENCIAL da cena, foi quando o fdp que tinha mais dinheiro que eu homem virou as costas para o sinal e pude ler em sua camiseta: “Só Deus pode me julgar!”. Então, tá.

 Foz é um ovo!

Conhecer uma nova cidade pode ser uma experiência excitante, assustadora e maravilhosa. Se tratando de São Paulo, então, as possibilidades se multiplicam e ao mesmo tempo em que você se sente um jacu por nunca ter andado de metrô, uma IMENSA vontade de “ir além” passa a te acompanhar. O que quero dizer aqui, na verdade, é que viver situações, até então, inimagináveis e fora do “seu” comum pode servir como um impulso para olhar a vida com outros olhos. Papos complexos e divagações à parte, estou querendo dizer que o mundo É MUITO GRANDE e se limitar, diante que tudo o que a vida pode lhe oferecer, é uma bobagem.

 Obrigada por viver isso comigo.

Com certeza você já ouviu ditados ou nicks de MSN como: “Existem pessoas capazes de transformar pequenos instantes em grandes momentos”. Encerrando minhas observações a respeito do show da Lady Gaga em SP, devo admitir para vocês que essa é uma grande verdade. Gostaria, realmente, de deixar uma série de agradecimentos, citando inúmeros nomes nesse post (inclusive, o de cada uma das pessoas para quem liguei aos berros durante o show!), mas… em resumo, quero dedicá-lo à senhorita Elisangela ~favela~ Schwantes.

Por enquanto, me contento com a dedicatória. A declaração de amor fica para outra hora (fdp feelings). E quanto aos brotos e gatchinh@s online… Fiquem com a música que, em grande parte, me motivou a ir ao show (e atenção especial para a coreografia no 1min02 seg).

Até a próxima desaventura!

Lésbicas também são mulheres… e estão por toda parte

Editora Responsável: Mirian Carla Barbosa

O título pode parecer óbvio, mas não é. Vivemos em uma sociedade heterossexista e heteronormativa. Isso significa, para efeitos de discurso, que pessoas que, de alguma forma, desviem desses padrões impostos são consideradas meras exceções.

Por isso, da grande mídia às pequenas conversas, ao se falar em “mulher”, supõe-se, automaticamente, que ela seja heterossexual. O mesmo acontece com os homens, é claro. Portanto, qualquer outro nível de sexualidade é considerado um “desvio de conduta”. A mensagem que esse comportamento passa é “não temos culpa se vocês fogem ao padrão”.

Pode parecer bobagem, pode parecer pouco, mas imaginem uma vida inteira sendo invisível desde as rodinhas de conversa em família ao que a televisão diz, mesmo quando quer te vender algo. É o tempo todo sendo tratada como “exceção”.

O problema é que a atração por outras mulheres não é um “desvio de conduta”. Sério, e não sou eu que estou dizendo. Vários estudos já foram feitos nessa área, como esse, da Boise State University, que afirmou que 60% das mulheres que se identificam como heterossexuais já sentiram atração por outras mulheres alguma vez na vida. Some a esse número as que se consideram homossexuais e bissexuais.

Nos anos 40, o entomologista e zoólogo Alfred Charles Kinsey conduziu um estudo ousadíssimo, que resultou na “Escala de Kinsey”. Esse estudo mostrou que existem várias escalas de sexualidade, de 0 a 6, onde 0 significa “totalmente heterossexual”, e 6 “totalmente homossexual” – a conclusão do estudo é que a maioria das pessoas transita entre esses extremos pelo menos alguma vez na vida.

Vamos supor que não existam heterossexuais, bissexuais, nem homossexuais. Existem pessoas e existem sexualidades, e elas não precisam, nem devem ser estagnadas, fixas. Somos complexos demais para sermos separados em potinhos da sexualidade. Imagina se pudéssemos apenas viver do jeito que nos dá mais emoção, sem ter que fazer uma grande tragédia por isso? Ah, eu sei que eu sonho. Sonho demais. Mas eu já vivo assim, e posso lhes garantir: é libertador. ❤