Morar sozinha…

(…) entre as verdades do universo e a prestação que vai vencer.

O enredo é clássico: menina chega do interior para uma cidade nova, passa por várias barras até que por fim consegue um emprego bacana e descobre que o vizinho é um gato e, claro, começam a sair.

Foi assim que eu imaginei que seria morar sozinha. Desculpem-me, não é.

Tudo bem o vizinho pode ser um gato e o emprego bacana, mas quando passa a novidade tudo o que você quer é voltar para o colinho da mamãe. Por quê? Podemos até gostar da independência, de poder ir e vir sem dar explicações, mas é um pouco desesperador ficar sozinho. Sentir que é você o responsável pela sua vida.

E você vai chorar no chuveiro e se sentir estranha no mercado ao comprar duas maças, três bananas e dois miojos. Não compre mais do que isso, você não comerá, anote aí: comida estragada deixa um cheiro horrível na geladeira. E limpá-la é o segundo pior serviço de casa, o primeiro é o banheiro.

Não vai dar para fazer aquele curso super bacana de francês ou culinária, tá? O aluguel precisa ser pago, Ok? Cuidar do corpo, mudar a dieta? Que tal uma caminhada na praça, é de graça? Então tá liberado.

Por fim, sabe todos aqueles livros que você iria ler quando morasse sozinha? Então, eles criarão poeira porque você estará ocupada tentando descobrir onde economizar para poder pagar todas as contas e ficar rhyca. Sai Sartre e entra Eike Batista.

Todas as festas, de arromba, que você planejou? Serão proibidas pela vizinha chata. Essa é uma verdade absoluta, sempre há uma vizinha chata.

Em resumo, viver sozinha é barra. Mas é uma delícia. Anote aí as coisas que você pode fazer, já que a casa é sua:

– Andar completamente nua
– Ficar o dia inteiro de pijama… ou nua
– Comer brigadeiro no almoço
– Ter o livre arbítrio de escolher os piores programas na televisão

E, a melhor parte, dublar as cantoras e encarnar as atrizes preferidas. Com direito aos discursos do Oscar e do Grammy no chuveiro ou na frente do espelho com uma voz incrívelmente desafinada!