Músicas que são muito amor

 

Revisora Responsável: Roberta Rodrigues

Hoje estou toda romântica e, por isso, quero falar sobre amor. Ou melhor, sobre músicas que falam sobre o amor. Justamente por ser o gosto musical algo muito particular, a ideia aqui não é dizer que as canções mencionadas sejam as mais belas ou as melhores. O objetivo é apenas espalhar o amor com letras musicais que podem nos deixar mais felizes no dia de hoje.

Para começar essa playlist que é puro amor, não tem como eu começar por outro artista que não seja o Raulzito, a despeito da dificuldade que é escolher apenas uma música. Raul Seixas tem um legado de centenas e centenas de músicas, cada qual com a sua particularidade e razão especial. Somente as que falam sobre amor somam um bom número: À beira do Pantanal, A maçã, Eu quero mesmo, Ângela, Pegando Brabo, Mas I Love You… E por aí vai. Estas são apenas algumas das letras, tem muito mais. Mas como eu decidi que escolheria apenas uma, optei por Coisas do Coração.

Com um ritmo envolvente, poucas palavras e lirismo puro, esta é uma daquelas músicas que me fazem rir só de lembrar, que contagiam e que provocam a vontade de sair amando e mostrar ao mundo o tamanho do nosso amor.

Em todos os versos, o amor se esconde em uma metáfora que quando interpretada mostra o momento mais bonito (e gostoso) que pode ser vivido entre duas pessoas. A letra toda é linda e muito amor e você pode ouvi-la no vídeo aí embaixo. Para destacar uma estrofe, escolho os seguintes versos: “Somos a resposta exata do que a gente perguntou/ Entregues num abraço que sufoca o próprio amor / Cada um de nós é o resultado da união/ De duas mãos coladas numa mesma oração! / Coisas do coração”.

 

A segunda música da minha humilde playlist é de uma banda que gravou apenas um CD e depois não se teve mais notícia. Os Tribalistas fizeram um curto e bonito trabalho e entre as 21 músicas gravadas pelas vozes de Marisa Monte, Carlinhos Brown e Arnaldo Antunes, a que mais me encanta e a que é a mais amor de todas ficou conhecida como Grão de Amor. O título, por si só, é intrigante, já que grão é algo tão pequeno, enquanto o amor descrito pelos belos versos desta canção é de uma imensidão sem igual.

Como destaque, a terceira estrofe mostra a complexidade que só quem ama sente ao tentar não ser egoísta, mas sem conseguir: “Me esqueça sim pra não sofrer / Pra não chorar, pra não sentir / Me esqueça sim, que eu quero ver / Você tentar sem conseguir”.

Para encerrar, a música que é a mais amor desse mundo. Love of my life, escrita por Freddie Mercury. A canção foi inspirada em Mary Austin, namorada de Freddie, com quem ele manteve um relacionamento de cinco anos. No final do que os dois chamavam de casamento, Freddie revelou sua homossexualidade à sua parceira.

O mais bonito dessa história é que os dois continuaram amigos inseparáveis depois do término e como prova de seu amor por Mary, Freddie compôs a música mais bonita da história da música (no meu universo musical, claro).

Love of my life é especial pelo conjunto da obra: o ritmo, a inspiração, a história por trás dela, a voz de Freddie e ele, enfim. A estrofe mais bonita: “You’ll remember when this is blown over / and everything’s all by the way / When I grow older, I will be there at your side to remind you / how I still love you, I still love you…”

Estas são uma das muitas músicas que me fazem sentir o amor em cada palavra, verso e nota. Agora, diz aí: quais são as músicas muito amor na sua vida? Vem comigo deixar o dia de hoje mais bonito, vem?

Música de macho para meninas

Meu primeiro post aqui no blog das mafagafas tinha que ser falando de algo que eu domino bem. Mas, eu sou chata. Então, pra não pesar pra ninguém, o tema “músicas de macho para meninas” veio em mente. Pra você entender direitinho o que eu quero dizer, vamos por partes:

Eu gosto de música que enche o coração. Música que enche a alma e renova a mente. Música que derrete na boca e flutua nos ouvidos – não necessariamente nessa ordem.

A maioria das meninas que eu conheço e convivo diariamente conhece todos os albums da Madonna, amava os Backstreet Boys e já “foi” uma das Spice Girls. Eu? Não sabia da existência dessas e de outras pérolas do pop até ter MTV em casa – o que aconteceu quando eu tinha uns 12/13 anos – e mesmo assim eles não me cativaram.

Não estou dizendo que nunca gostei desse tipo de som. Aos 10 anos de idade eu pirei em um show do Sandy e Junior; com 13/14 ia ao pagode todos os domingos; com 17 vi de perto o Magic Numbers, uma das bandas mais girlie rock de todos os tempos.

Apenas tive a sorte de ter um irmão que se encantou pelo grunge. O MTV Unplugged do Nirvana foi meu album de “cabeceira” por muito tempo. Migrei por diversos estilos musicais, e cada um deles marcou uma época específica da vida.

Cresci, amadureci e, com a ajuda da belezinha da Internet, pude conhecer o Deftones. Depois de alguns anos só ouvindo Change, a música mais famosa, suave e erótica (IMPOSSÍVEL alguém não gostar!) deles, a vida foi ficando mais dura e as bandas que eu ouvia começaram a me decepcionar.

Não estou dizendo que não ouço mais as bandinhas de girlie rock que já amei, ou que jamais rebolaria de novo (quem nunca?) ao som de um belo funk carioca. É que apenas e simplesmente elas sempre deixaram a desejar em um quesito que, até pouco tempo, eu não fazia ideia de qual era: agressividade.

Baixei todos os albums do Deftones,  ouvia todos os dias no repeat. Pouco a pouco fui me acostumando e buscando outras bandas. Primeiramente, meu marido me apresentou o que eu chamo de “amor em forma de música”: guitarra maluca, bateria + baixo com tempo insano e a voz melódico-gritada – ou Glassjaw, para os íntimos.

A partir daí, comecei a ouvir também At The Drive In, Pearl Jam, Anchor e afins. Admito que não é fácil para qualquer menina gostar desse tipo de som, mas o conselho que deixo ao final deste post é que tentem.

É realmente revigorante gritar junto com um som pesado frases como “immature love, you breed immature lust” ou “we belong together” com um lindo e novinho Eddie Vedder. Acreditem.

O caso Skol, a banda New Hit e o estupro

O espaço era o banheiro de um ônibus. Nove homens se revezaram. Enquanto um imobilizava a vítima, o outro a violentava. No sofá do lado de fora, a outra vítima recebia o mesmo tratamento. A sessão durou até que os nove homens se dessem por satisfeitos.

A história poderia ter permanecido trancafiada na memória das duas meninas, aterrorizando apenas a elas, como acontece com muitas vítimas de estupro. Mas elas tiveram muita coragem e força: denunciaram os criminosos.

A reação de muitas pessoas foi espantosa. “Elas quiseram”, “ninguém mandou entrar no ônibus”, “elas gostaram”, “usavam roupas curtas”, “vadias”, disseram alguns. Escutei argumentos ainda mais assustadores, como: “mas elas nem se debateram”, “se não quisessem, teriam reagido, mas os caras saíram sem nem um arranhão”. A onda de comentários culpando as próprias vítimas foi muito maior que a de pessoas questionando os agressores por seu complexo de semideuses e o absurdo de quererem ter autonomia sobre os corpos alheios. O choque pela denúncia foi maior do que o choque pelo crime em si.

Ainda não mencionei os fãs da tal banda – homens e mulheres – com suas campanhas pela soltura dos criminosos. Nem falei sobre as ameaças de morte que as vítimas e seus familiares sofreram, a ponto de precisarem do Programa de Proteção a Crianças e Adolescentes Ameaçados de Morte.

No decorrer do processo, após a violência física, as meninas fizeram exames para provar o que diziam. E comprovaram. O laudo médico constatou, entre outras coisas, fissura no intróito vaginal. Isso significa, em outras palavras, que elas foram rasgadas por dentro. Literalmente.

Os mocinhos foram pra cadeia e passaram 38 dias lá. Com o segundo habeas corpus, foram soltos. E já têm um show marcado! Num período de menos de dois meses, os caras (que não eram ninguém, diga-se de passagem) destruíram a vida de duas pessoas, ficaram nacionalmente conhecidos por isso e foram premiados com uma reestréia-monstro patrocinada por uma das maiores marcas de cerveja do país. Yay!

E as meninas? Continuam escondidas, numa espécie de prisão, para se proteger das ameaças. Afinal, “ninguém mandou”, né?

Os apelos populares fizeram com que a Skol retirasse o patrocínio antes do fechamento desse texto. Mas só por pressão mesmo. Isso não faz da marca uma heroína: a Skol não deveria sequer ter cogitado essa possibilidade! O que você pensa sobre esse caso?

Pareço modernx?

“Gosto de cinema, ponto, vivo cheio de manias tenho uma certa pré-dislexia. Às vezes eu surto mesmo, mudo de assunto, sumo e não assumo a minha lucidez. Pareço moderno a te procurar. Caio na balada, admito, alimento meu espírito com litros de café e saio pra dançar.”

Observação pré-leitura: o X no ”moderno” é proposital e serve para não generalizar o termo original, coisa de feminitxs, ou simplesmente coisa minha.

Ouvindo a música do cérebro eletrônico fiquei refletindo…

Em tempos de pós-modernidade, ou modernidade tardia – como preferirem – dá-se muita importância ao parecer mais do que ao ser, certo?

Citamos filmes que não assistimos. Comentamos autores que não lemos e bandas que não gostamos ou conhecemos.  E isso tudo porque há uma necessidade de criar e vender uma imagem interessante.

Mas o que é ser interessante, já se perguntou?

O dicionário afirma:

Interessante: (adj.) Que oferece interesse; digno de atenção: notícia interessante. Importante.

Como dá para perceber isso é uma questão altamente subjetiva.

O feminismo, por exemplo, para mim é extremamente importante. É um dos norteadores da minha vida. Faz com que eu veja as coisas de outro modo e, de acordo com elas, me posicione de modo distinto. Logo, o feminismo é interessante para mim.

Voltando à questão de ser e parecer. No filme Clube da Luta está posta a questão entre ser e parecer, com o ponto focal sendo o consumismo exacerbado. Compramos coisas que não precisamos para agradarmos quem não gostamos em uma tentativa inútil de nos sentirmos melhor, de sentirmos que parecemos interessantes.

O que ocorre é um desespero coletivo. E sim, eu e você, estamos “incluídos nessa”. Quem nunca se sentiu poser comentando aquele filme do qual só leu a resenha?

Isso me lembra de outra música “leros, leros e boleros”, do Sergio Sampaio. Nela ele diz:

Eis a última notícia: Que filme que eu vi! Ai, meus amigos modernos!

Todos nós parecemos muito modernos, estamos rodeados de modernidade e queremos mais. E isso está te fazendo feliz?

Se sim, está ok. Beleza. Mas, se for ao contrário, que tal tirar o pé do acelerador e tentar descobrir o que se é e com o que se quer parecer?

Eu propus esse desafio a mim e, olha só, aceitei. Agora te desafio. Vamos tentar?

A vida além das fotografias e da arte

Não é surpresa para os que estão tão próximos a mim saberem da minha forma romântica e cinematográfica de ver a vida. Vejo a vida através dos filmes, através dos livros e das músicas. No entanto, tudo isso é apenas o que eu vejo. Eu vejo os contrastes, as vibrações, o enredo, formas vivas que milhões de palavras talvez não fossem suficientes para explicar. Sempre sentimos isso. Todo mundo vê algo que o outro possivelmente não veria.

Aquela lembrança engraçada que te faz sorrir sozinho sentando no banco do ônibus, apenas você sabe a sensação. A fotografia é essa sensação demonstrada num papel. E como forma de mostrar o que eu via, escolhi as letras e agora as câmeras fotográficas. Não levava a sério, até revirar as fotos antigas de família. Aquelas em que nos achamos mais bonitos quando bebê. Os aniversários e os pedaços de bolo com glacê branco e rosa grudado em alguns fios de cabelo. Arranjos com plumas coloridas. O rádio de pilha e a televisão côncava que te fazia levantar para trocar de canal. São essas as sensações. Esses são os motivos pelos quais as bochechas enrubescem, a garganta aperta e se definem em saudade.

Além dos modelos de câmeras variáveis, também existe a possibilidade de um filme fotográfico inteiro não ter ficado bom. Mas então, o que faz a fotografia ser arte? O que a torna tão especial? Se isso tudo que escrevi não for o suficiente para explicar, acho que esse post não é pra você.

Já tirou uma foto numa analógica (filme) e em uma digital? E sabe me dizer a diferença? A diferença é a manipulação das mãos humanas, o contato e a intervenção. Quem é verdadeiro hoje em dia? Se por um acaso você estiver me julgando, em mente, me chamando de idiota ou coisa pior, só porque não sou a favor do photoshop exagerado, saiba antes que a foto retrata apenas aquilo que o fotógrafo quer. Mas mesmo assim, quem dá o tema da foto são as pessoas aleatórias que você não poderá impedir de pensarem o mesmo sobre você e a sua cara plastificada.

Meu namorado e também um grande amigo sempre me fala sobre Roland Barthes escritor do livro “A Câmera Clara”. Em seu livro ele diz que apontar uma câmera fotográfica para uma pessoa é como apontar uma arma carregada. A perda de personalidade é quase instantânea e apenas uma reação é esperada. A essência se esvai e o que se vê na foto é apenas um corpo. Acredito que não se trata disso em todos os casos. Mas quando tiro uma foto inesperada, à surdina, sei que serei agredida verbalmente. Mas não consigo evitar. Sinto que a foto deve ser tirada e pronto. Com celular, iPhones… vale tudo para não perder o momento.

Não fiz curso, não tenho incontáveis horas de trabalho ou inúmeros equipamentos para me garantir uma foto excelente. Mas não desisto dela, talvez um pouco embaçada, ou granulada, mas ela virá… a foto. E ela será minha, pelo tempo que eu quiser. Ela pode ser pintada. Colorida, monocromática, estranha, abstrata, suave e agressiva. Ela pode ser inúmeras coisas, mas uma coisa que ela não deveria ser é falsa. ­