Guerreiras

Editora Responsável: Priscila Martz

Janeiro, período de férias e estava lá eu matando o tempo, estirada no sofá, quando ligo a TV e fico trocando de canal. Cansada de apertar os botões, deixo em uma emissora qualquer e fico ali observando as propagandas, expectadora de algumas idiotices, e me aparece uma campanha publicitária que vou resumir:

Aparece uma mulher sorridente dizendo que nós mulheres sempre sonhamos com um marido bonito, rico e afins, porque afinal, nós mulheres sempre desejamos o melhor, o pior de tudo é quando ela diz que desejamos o melhor para a nossa casa, por isso devemos usar tal produto.

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Quase taquei o controle na TV. Como assim? Sonhamos só com um homem e com uma casa limpa?

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Achei plenamente injusto, um reforço do patriarcalismo dominante, como se a gente só existisse para arrumar a casa, cuidar dos filhos e mimar o maridão. Isso vem desde cedo, onde nós meninas, ganhávamos panelinhas, vassourinhas, bebês de brinquedo (que hoje em dia até sujam as fraldas e arrotam), e claro, além de todos essas tarefas, precisamos trabalhar para ajudar na renda da casa, estudar, estar sempre produzida, e quando dá, cuidar dos nossos projetos pessoais. Parece que não somos humanas, somos robôs programadas, uma máquina de lavar, como se não tivéssemos o direito de sonhar, ter desejos, realizar nossos projetos pessoais. Por que para ser feliz precisamos de um marido e uma casa para limpar? Por mais projetos que você tenha, sempre haverá uma avó perguntando: – E os namorados?

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E sabe o que eu observo? Muitas mulheres frustradas, encucadas com uma ideia fixa desde a infância, que ela somente pode ser feliz se tiver um homem. Amores, acima de tudo devemos nos amar, a felicidade consiste em nós mesmos e só nós podemos designar o que nos fará feliz ou não.

A conclusão disto tudo é que não somos seres inferiores aos homens, mesmo com os preconceitos que rodeiam a nossa volta, como os salários mais baixos (dados do IBGE indicam que o salário das mulheres equivale a 72,3% do salário dos homens), e todo o trabalho doméstico realizado, que aos olhos de muitos passa despercebido ou desvalorizado, somos seres humanos, e não somente um gênero, os afazeres domésticos devem ser de responsabilidade de todos, ou seja, fazer a divisão das mesmas.

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E quanto à propaganda, muitas de nós mulheres não sonhamos só com o marido (e claro, isso numa relação heterossexual, pois as mulheres podem querer outras mulheres e os homens outros homens), sonhamos acima de tudo em ser respeitadas, com nossos direitos além do papel, sonhamos em viajar, ser artistas, em quebrar tudo que é imposto a nós de forma humilhante, queremos não ser julgadas, queremos acima de tudo ser feliz.

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Bom, este post é dedicado a todas as mulheres deste mundão, que despertam antes do sol nascer, voltam pra casa quando o sol está se pondo e enfrentam o machismo no dia a dia, sabemos que não é fácil, mas nem por isso desistimos. À todas as mães, irmãs, estudantes, sonhadoras, à todas nós, mulheres.

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Morar sozinha…

(…) entre as verdades do universo e a prestação que vai vencer.

O enredo é clássico: menina chega do interior para uma cidade nova, passa por várias barras até que por fim consegue um emprego bacana e descobre que o vizinho é um gato e, claro, começam a sair.

Foi assim que eu imaginei que seria morar sozinha. Desculpem-me, não é.

Tudo bem o vizinho pode ser um gato e o emprego bacana, mas quando passa a novidade tudo o que você quer é voltar para o colinho da mamãe. Por quê? Podemos até gostar da independência, de poder ir e vir sem dar explicações, mas é um pouco desesperador ficar sozinho. Sentir que é você o responsável pela sua vida.

E você vai chorar no chuveiro e se sentir estranha no mercado ao comprar duas maças, três bananas e dois miojos. Não compre mais do que isso, você não comerá, anote aí: comida estragada deixa um cheiro horrível na geladeira. E limpá-la é o segundo pior serviço de casa, o primeiro é o banheiro.

Não vai dar para fazer aquele curso super bacana de francês ou culinária, tá? O aluguel precisa ser pago, Ok? Cuidar do corpo, mudar a dieta? Que tal uma caminhada na praça, é de graça? Então tá liberado.

Por fim, sabe todos aqueles livros que você iria ler quando morasse sozinha? Então, eles criarão poeira porque você estará ocupada tentando descobrir onde economizar para poder pagar todas as contas e ficar rhyca. Sai Sartre e entra Eike Batista.

Todas as festas, de arromba, que você planejou? Serão proibidas pela vizinha chata. Essa é uma verdade absoluta, sempre há uma vizinha chata.

Em resumo, viver sozinha é barra. Mas é uma delícia. Anote aí as coisas que você pode fazer, já que a casa é sua:

– Andar completamente nua
– Ficar o dia inteiro de pijama… ou nua
– Comer brigadeiro no almoço
– Ter o livre arbítrio de escolher os piores programas na televisão

E, a melhor parte, dublar as cantoras e encarnar as atrizes preferidas. Com direito aos discursos do Oscar e do Grammy no chuveiro ou na frente do espelho com uma voz incrívelmente desafinada!