Maria da Penha, força e coragem em combate à violência doméstica

O tabu que considera a mulher ser do sexo frágil já foi quebrado há muito tempo. As mulheres não apenas são capazes de fazer atividades masculinas, mas conseguem aguentar certas coisinhas a mais que os homens nem conseguem imaginar.

Mas se tratando em aguentar dores e sofrimentos, nem tudo são flores. Existem muitas mulheres que sofrem agressões domésticas o tempo todo. Atualmente a cada 2 minutos, cinco mulheres são espancadas no Brasil. Dentre elas, a homenageada do dia é a cearense Maria da Penha Maia Fernandes, mais conhecida por Maria da Penha.

Maria_da_Penha_PassaporteMaria da Penha era como a maioria das mulheres, tinha um bom emprego e aparentemente um bom casamento. Quem poderia imaginar que um professor universitário de economia poderia aterrorizar a vida dela para sempre. Ele tentou matá-la duas vezes, tendo a primeira deixado-a paraplégica. Não contente, ele tentou uma segunda, jogando ela dentro do chuveiro e tentar eletrocutá-la. Na primeira tentativa ele alegou pensar estar sendo vítima de assalto.

O agressor Marco Antonio Herredia Viveros foi a júri duas vezes, primeiro em 1991 quando os advogados conseguiram a anulação do julgamento. A segunda, em 1996, foi condenado a oito anos de prisão, mas os advogados entraram com recursos e cumpriu apenas dois anos. Atualmente ele está em liberdade.

Maria da Penha luta até hoje contra os crimes de violência à mulher. Ela é coordenadora da Associação de Estudos, Pesquisas e Publicações da Associação de Parentes e Amigos de Vítimas de Violência (APAVV); e também escreveu o livro “Sobrevivi… Posso Contar”, narrando a própria história.

Maria da PenhaO caso Maria da Penha ganhou repercussão internacional quando denunciado a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (OEA), assim o governo brasileiro sancionou a lei 11.340, em 2006, levando o nome dela. Precisou de 20 anos para que a mulher que confiava no marido pudesse enfim conseguir justiça.

Mas, depois de toda essa história é difícil acreditar como os homens ainda vivem na Idade da Pedra. As mulheres já se viram em mil para trabalhar, estudar, cuidar da casa e fazer um agrado aos maridos e namorados, e muitas recebem o mesmo que a Maria recebeu. Nenhuma justiça no mundo pode trazer os movimentos das pernas dela, mas os homens deveriam parar de imaginar que as mulheres devem fazer as suas vontades e cuidar da pessoa que mais faz de tudo para ver o lar em harmonia.

Maria da Penha é a guerreira que proporcionou a muitas mulheres a oportunidade de condenar os agressores. Poderia ser de outra maneira, mas nas duas tentativas de homicídio, ela conseguiu sobreviver para mostrar que essa realidade, infelizmente, invade muitas casas no Brasil.

As mulheres não deveriam precisar de leis e datas especiais para serem lembradas como tais. Elas precisam de igualdade e respeito, assim como todos os outros. Mulher sexo frágil, não mais. Homens que não merecem o titulo de “homem”, existem aos milhares.penha

Moral e bons costumes?

Editora Responsável: Ana Carolina Meller

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Atualmente, fala-se muito que tal coisa fere “a moral e os bons costumes”. Mas, afinal, o que é essa tal de moral? Na dúvida, vamos direto ao “pai dos burros”, mais conhecido como dicionário: Moral: adj (lat morale) 1. Relativo à moralidade. 2. Que procede conforme à honestidade e à justiça.  O que seria, então, os “bons costumes”? Por partes, o dicionário nos brida com as seguintes definições: Bom: adj (lat bonu) 1. Que é conforme ao uso a que se destina. 2. Que tem bondade. 3. De agradável qualidade. 4. Que se tornou hábil nas artes e ciências, num ofício ou em qualquer exercício corporal. 5. Que cumpre rigorosamente os seus deveres. 6. Que gosta de fazer o bem. 7. Conforme à justiça, à virtude, ao dever. Costume: sm (lat vulg *consuetumine) 1. Prática antiga e geral; uso. 2. Jurisprudência não escrita, baseada no uso. 3. Hábito. 4. Particularidade.  Ok, já temos a versão do dicionário de cada palavra. Juntando suas significâncias, portanto, poderíamos dizer que “moral e bons costumes” seriam, basicamente, “ser honesto e bom com os hábitos que temos”. Sabendo disso, vamos pensar um pouco mais amplamente. Pense no divórcio. Sim! A separação. Até uns 15 anos atrás, um casamento que acabasse em divórcio feria, não somente, a “moral e os bons costumes”, como também, limitava e reduzia a mulher como “alguém que não prestava” – isso quando não a chamavam de vagabunda. Agora, imagine uma mulher daquela época casada com um homem violento, capaz de ferir não apenas ela, mas também os filhos do casal (que além de apanhar, também teriam grandes chances de crescerem traumatizados devido à desordem no convívio familiar). Conseguiu imaginar? Acredite você, então, que se ela saísse de casa e pedisse a separação, a mulher correria o risco de perder os filhos, para sempre, e nem ganharia a pensão.

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Voltando aos dias atuais, hoje, um casamento é desfeito rapidamente (e, gente, se brincar, separa-se mais do que se casa!). Essa realidade, porém, muitas vezes, não interfere – tão agressivamente – na vida dos filhos. Prova disso é que vemos situações em que uma família é composta apenas por um pai ou uma mãe com seus filhos. Ou, melhor ainda, há crianças que possuem a sorte de ter duas mães e dois pais, pois os pais se separaram e acabaram se casando novamente. Por outro lado, há também aqueles que desejam ter filhos e não podem. Tentam a adoção e passam muito tempo esperando. Infelizmente, existe no Brasil uma burocracia enorme para esse tipo de situação e, como se não bastasse, há também o preconceito. A chance de um casal homossexual ou de uma mulher solteira adotar uma criança, por exemplo, é extremamente limitada. Para completar, também lidamos com casos como os de casais de gays ou lésbicas que, estão juntos há muito tempo e, mesmo assim, não podem se casar legalmente. text6   À base de vários protestos, algumas exceções até conseguiram. Esse número, no entanto, ainda é muito pequeno, já que para o casamento ser validade, são necessárias autorizações de uma série de juízes. – Mas e o casamento dito “convencional”? Quantos juízes precisam autorizar a união? Observe como o ser humano tem a capacidade de ser hipócrita: a separação, antes julgada vergonhosa, hoje é normal. Já um casal querendo construir uma família, conforme manda “a moral e os bons costumes”, é errado. Penso que significados de família, moral e bons costumes deveriam ser criados através de um laço que se chama amor. Esse tal de “amor”, portanto, é independente de credo, etnia, opção sexual e posição social. O ser humano deveria se preocupar mais em debater assuntos importantes com seus filhos (como política, literatura, educação, sexo…) e ensiná-los a serem pessoas boas de coração, que se preocupam com o bem do próximo e lutam, sim, por direitos de igualdade – não por ditaduras homossexuais/heterossexuais/políticas/étnicas/religiosas. Amar e ser amado, sem esperar nada em troca. Talvez assim o mundo fosse para frente. Até os Beatles já diziam: “All you need is Love” e, apesar de concordar, acredito que, além do “Love”, You need peace and respect too! text